“Queremos promover um envelhecimento saudável ao longo da vida”
“O Programa do Governo aponta os cuidados de saúde primários como o pilar central do sistema de saúde e dá prioridade ao objectivo de promoção do envelhecimento saudável ao longo da vida, de forma a aumentar a qualidade dos anos de vida das pessoas mais idosas”.
Para a Dra. Inês Guerreiro, Coordenadora Nacional para a Saúde das Pessoas Idosas e Cidadãos em Situação de Dependência, do Alto Comissariado da Saúde, “é de suma importância aumentar a proporção de pessoas, em situação de maior vulnerabilidade, que usufruem de apoio domiciliário de saúde e apoio social e garantir cuidados de saúde e de apoio social de qualidade, como a forma mais adequada para responder aos problemas das pessoas idosas, bem como promover o desenvolvimento de uma rede de cuidados continuados integrados com uma importante componente de reabilitação”.
Saiba quais são os objectivos e como lá chegaremos na entrevista que concedeu ao Jornal do Centro de Saúde.
Quais os principais problemas e doenças dos idosos e cidadãos em situações de dependência?
Os principais problemas e patologias associadas ao idoso, em relações às quais a rede de cuidados continuados pretende contribuir com algumas respostas, são as necessidades de cuidados de saúde e apoio social que resultam da dependência funcional, permanente ou temporária, ou de situações terminais que precisam de cuidados paliativos. Por outro lado, as necessidades que resultam das doenças crónicas evolutivas e com tendência a evoluir para situações de incapacidade parcial, ou total, assim como as necessidades dos doentes com demência, são outras áreas problemáticas cuja resposta actual é ainda insuficiente.
É importante também notar que as pessoas com alguma forma de dependência e que necessitam de continuidade dos cuidados sofrem frequentemente de multi-patologias de evolução progressiva e oscilante. Tenho também que assinalar o crescente número de cidadãos que sofrem de processos crónicos degenerativos e evolutivos, especialmente os inerentes às doenças neurodegenerativas, assim como as pessoas que sofrem de sequelas graves de processos traumáticos ou de outras lesões cerebrais que não são necessariamente idosos.
Estas situações multifacetadas geram necessidades críticas de cuidados de saúde e apoio social. São situações com grande impacto emocional na pessoa, na sua família e no seu meio. Estes factos levam-me a assinalar que há, actualmente, em Portugal, uma procura mais exigente no que diz respeito à utilização do conjunto dos recursos da saúde e sociais que não tinha sido devidamente identificada.
Considera que o crescente envelhecimento da população portuguesa é um dos maiores problemas da actualidade?
O Plano Nacional de Saúde 2004-2010 realça a importância do grupo etário com mais de 65 anos, que está a crescer nos países mais desenvolvidos devido, essencialmente, à melhoria das condições de vida e é o maior utilizador de recursos na saúde. Estima, também, que, nas próximas décadas, as necessidades de saúde desta população aumentem substancialmente em Portugal, paralelamente a um aumento acentuado do número de pessoas em situação de fragilidade e risco de perda de funcionalidade, com doenças de evolução prolongada e de elevado potencial incapacitante. Neste contexto, deverá inserir-se o conceito e a prática de cuidados continuados e de longa duração, onde deverá existir complementaridade entre as famílias e o apoio dos serviço contratados para tal.
Por outro lado, diversos estudos e diagnósticos descrevem as situações problemáticas da população mais idosa e que incluem o aumento da dependência, a maior incidência da doença de Alzheimer e outras demências, as mudanças nas relações de proximidade familiar, a deficiente coordenação entre o sistema de saúde e s serviços de apoio social, o insuficiente apoio às famílias e cuidadores, a crescente insegurança dos cidadãos que afecta muito particularmente as pessoas idosas mais vulneráveis em situação de isolamento social e solidão.
Tenho ainda que assinalar os desequilíbrios entre as zonas urbanas e as rurais, entre o litoral e o interior ainda existentes em Portugal na rede de serviços que gera grandes dificuldades de resposta às necessidades complexas desta população.
Em que consiste a promoção do envelhecimento activo?
A promoção do envelhecimento activo é um dos princípios estratégicos promovidos pela Organização Mundial de Saúde para uma nova perspectiva de desenvolvimento social.
Prevenir e minimizar o impacto das causas das principais doenças relacionadas com os estilos de vida é a grande prioridade para esta intervenção de promoção da saúde. Tal exige que se consagre uma atenção particular a factores como o consumo do álcool e de tabaco, a dieta e a obesidade, a actividade física, o stresse bem como factores de natureza socioeconómica como a violência nas suas múltiplas dimensões tipologias, incluindo a violência doméstica.

