“Queremos promover um envelhecimento saudável ao longo da vida”
Internacionalmente, os programas de promoção do envelhecimento activo definem objectivos concretos nomeadamente nos factores de risco associados a doenças transmissíveis e não transmissíveis tão diversos como, a hipertensão, a doença isquémica cardíaca, a doença cerebrovascular, cancros do pulmão, da mama, do estômago e do cólon, a diabetes mellitus, a doença obstrutiva do pulmão, a cárie dentária, as doenças reumáticas, a osteoporose, os problemas de visão, a cirrose do fígado, os acidentes domésticos, de lazer, de desporto, de trabalho e de trânsito, a SIDA, a hepatite B, a tuberculose as doenças mentais e outras patologias e incapacidades.
Estes problemas específicos são contemplados no Plano Nacional de Saúde e respectivas intervenções que também inclui a preocupação com os factores de risco associados à pobreza e à exclusão social.
O que serão os serviços comunitários de proximidade?
Considerando que uma das metas do Programa do Governo é a definição de políticas de saúde integradoras do consignado no Plano Nacional de Saúde, que permitam desenvolver acções mais próximas dos cidadãos e pessoas em situação de dependência, que promovam de forma adequada e com equidade, na sua distribuição territorial, a possibilidade de uma vida mais autónoma e com melhor bem-estar possível e que permitam, ainda, humanizar os cuidados, potenciar os recursos locais e ajustar-se à diversidade que caracteriza o envelhecimento individual e a perda de funcionalidade, assume-se como uma prioridade da política de saúde a criação de Serviços Comunitários de Proximidade, nos quais se organiza a prestação de cuidados continuados integrados. Entende-se por serviço comunitário de proximidade a estrutura funcional criada através de parceria formal estabelecida, por iniciativa de cada centro de saúde, entre instituições locais de saúde, de apoio social e comunitárias, para a prestação de cuidados continuados integrados.
Os serviços comunitários de proximidade serão constituídos através da pareceria entre os centros de saúde, ou unidades de saúde familiar onde estas existam, pelos serviços locais de apoio social e por todos os serviços públicos e privados de apoio comunitário que a ele queiram aderir.
De que forma se podem adequar os cuidados de saúde às necessidades específicas das pessoas idosas?
Esse é o grande desafio das políticas de saúde na Europa. O envelhecimento demográfico e as alterações no padrão epidemiológico e na estrutura social e familiar verificadas em Portugal determinaram novas necessidades em saúde, para as quais urge organizar respostas adequadas, uma vez que os últimos anos de vida de cada cidadão são, frequentemente, acompanhados de situações de fragilidade e de incapacidade, mas muitas vezes susceptíveis de prevenção, tratamento e recuperação e, sempre, com possibilidade de manutenção da dignidade e qualidade de vida.
Assente em intervenções baseadas num plano individual de cuidados e no trabalho por objectivos, depois de uma avaliação integral que permita conhecer todas as necessidades físicas, emocionais e sociais da pessoa e da sua família.
A equipa deverá ser capaz de definir um objectivo comum que deverá guiar as actuações de cada um dos profissionais que a integram. Perante estas circunstâncias o sistema de saúde terá que se adaptar para dar resposta às novas necessidades desta população, incluindo as decorrentes da última fase da vida, desenvolvendo o tratamento da dor e os cuidados paliativos.
O Governo considera prioritário a adequação da organização e da prática dos cuidados de longa duração às necessidades das próximas décadas, nomeadamente tentando adiar o início das incapacidades decorrentes das complicações das patologias crónicas.
Por outro lado, pretende-se garantir a sua sustentabilidade financeira, através da reorganização, em curso, dos centros de saúde e hospitais, da criação de serviços comunitários de proximidade e de unidades locais de saúde, com o objectivo de aumentar a eficiência e eficácia do Serviço Nacional de Saúde.
O Programa do Governo, aponta os cuidados de saúde primários como o pilar central do sistema de saúde e dá prioridade ao objectivo de promoção do envelhecimento saudável ao longo da vida, de forma a aumentar a qualidade dos anos de vida das pessoas mais idosas.
Neste contexto, é de suma importância aumentar a proporção de pessoas em situação de maior vulnerabilidade que usufruem de apoio domiciliário de saúde e apoio social e garantir cuidados de saúde e de apoio social de qualidade, como a forma mais adequada para responder aos problemas das pessoas idosas, bem como promover o desenvolvimento de uma rede de cuidados continuados integrados com uma importante componente de reabilitação.

