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Nutrição no idoso: Alimente esta ideia

19 Dezembro, 2010 0

De acordo com um estudo recentemente divulgado, em Portugal, um quarto dos seniores apresenta baixo peso. Calcula-se, ainda, que no geral cerca de 50% dos idosos sofrem de desnutrição. Estas situações, se não forem prevenidas, desencadeiam graves problemas de saúde e podem, inclusive, conduzir ao internamento hospitalar prolongado.

Já diz o ditado que pela boca morre o peixe. E nada mais verdadeiro quando se fala na terceira idade, já que um dos problemas mais frequentes é precisamente a desnutrição. Segundo alguns estudos europeus, extrapolados para Portugal, estima-se que o risco de desnutrição atinge aproximadamente 40 a 50% dos idosos que vivem na comunidade. Os números vão aumentando para mais de 50% quando se fala nos seniores hospitalizados ou residentes em lares.

“A desnutrição é uma situação de doença decorrente de um défice entre as necessidades nutricionais e o que é efectivamente ingerido. Este desequilíbrio, quando prolongado, leva à alteração da função de vários órgãos”, esclarece o Dr. António Messias, especialista em Medicina Interna e Cuidados Intensivos.

Para o coordenador da Comissão de Nutrição do Hospital da Luz, a desnutrição pode provocar consequências irreversíveis no idoso. “Esta situação aumenta a probabilidade de desenvolver outras doenças, amplia o risco de infecção, atrasa a recuperação de outras situações (particularmente, as cirurgias e os tumores) e retarda os processos de cicatrização. Simultaneamente, contribui para uma diminuição da resposta à medicação.”

Embora nos países desenvolvidos, a desnutrição não seja considerada uma causa de morte, quando há uma doença de base, a esperança média de vida nas camadas idosas desnutridas “é ligeiramente inferior à das com bom estado nutricional”. Mas, para além da mortalidade, a nutrição desadequada nos seniores pode “reduzir significativamente a qualidade de vida: subtrai-lhe a força, a capacidade de se deslocar e se cuidar, para que possa manter um dia-a-dia socialmente activo”.

 

Quando pesa na carteira

Num país como Portugal, em que as reformas em alguns casos mal chegam para os gastos em farmácia, muitos idosos preterem a sua alimentação por falta de recursos económicos. Para António Messias, “a desnutrição” nos seniores pode ter origem em “causas sociais, como o isolamento e a incapacidade física ou intelectual, que condicionam fortemente a dependência”.

Mas, apesar de alguns dos idosos terem carências alimentares devido a razões económicas, a desnutrição pode estar associada a uma patologia: “má dentição, alteração do paladar ou do cheiro, depressão, perda de apetite em virtude de um tumor”.

A desnutrição, para além de ter um impacto na saúde do idoso, acarreta “elevados custos sociais e em saúde”. De acordo com o especialista, só no Reino Unido, durante o ano de 2006, os custos com a desnutrição rondaram os oito mil milhões de euros. “O ideal seria a prevenção da sua ocorrência”, assegura António Messias. E continua: “Quando diagnosticada precocemente, a desnutrição tem um tratamento fácil. Mas, em fases adiantadas, o seu tratamento pode ser difícil ou até mesmo impossível.”

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Ordem para nutrir

“A desnutrição é, com frequência, um motivo de internamento. E, em múltiplas situações (tumores, doenças infecciosas, neurológicas ou intervenções cirúrgicas), está reconhecido que aumenta significativamente o tempo de permanência hospitalar”, fundamenta António Messias.

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