Gravidez: Vómitos sem tréguas
Náuseas e vómitos severos perturbam a gravidez das mulheres que sofrem de hiperemese gravídica, uma situação clínica severa que pode ameaçar a saúde da mãe e do bebé. E que é alvo de ideias erradas, estigmatizando a grávida e afectando as suas relações.
Os enjoos matinais são quase inevitáveis nas primeiras semanas de gravidez. Acompanhados ou não de vómitos ocasionais, a maioria das mulheres sente-os e, para muitas, são até o primeiro sinal de que uma nova vida se está a gerar. É, no entanto, um mal-estar passageiro, que se ultrapassa com alguns gestos de conforto e que tende a desaparecer à medida que o primeiro trimestre se aproxima do fim.
Todavia, há mulheres – ainda que uma escassa percentagem – para quem os enjoos e os vómitos são tudo menos um mal-estar ocasional e passageiro: constituem um incómodo persistente que as deixa bastante debilitadas. São mulheres que sofrem de hiperemese gravídica.
Além das náuseas e vómitos severos, esta condição é denunciada por perda de peso, aversão aos alimentos, diminuição da quantidade de urina, dores de cabeça, desidratação, icterícia e confusão.
Em consequência, há um desequilíbrio nos fluidos do organismo e no metabolismo, com deficiências nutricionais prejudiciais tanto para a mulher como para o feto.
É, geralmente, entre a quarta e a sexta semana de gestação que a hiperemese gravídica se declara. Algumas mulheres encontram alívio pela 15ª ou 20ª semana, mas outras sofrem este incómodo durante toda a gravidez.
Os enjoos e os vómitos repetem-se ao longo do dia, sem tréguas, impossibilitando a ingestão de alimentos, sejam eles sólidos ou líquidos. Nenhum permanece o tempo suficiente no sistema digestivo para cumprir a sua função nutricional.
O esforço associado a este mal-estar deixa a grávida prostrada, esgotada, ao ponto de ser incapaz de tomar conta de si própria e de desempenhar as tarefas do quotidiano. Os enjoos e vómitos são tão intensos que interferem nas actividades profissionais, acabando por confiná-la a casa. E mesmo aqui limitam-na, deixando-lhe poucas opções para além do repouso.
Esta é uma situação que facilmente abre caminho a estados depressivos e de ansiedade. Mulheres há que se sentem culpadas, receando pôr em causa a vida do bebé: em consequência, podem forçar-se a comer, mesmo sabendo que vão vomitar de seguida, o que agrava ainda mais o impacto psicológico desta doença.
Aliás, em torno da hiperemese gravídica subsistem algumas ideias erradas, nomeadamente a de que este mal-estar extremo significa que o corpo materno está a tentar expulsar o feto. É o desconhecimento que alimenta estas ideias, mas a verdade é que são suficientemente perturbadoras para a própria mulher e para quem a rodeia, podendo afectar, nomeadamente, as relações conjugais.
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Um problema complexo
Este não é um problema psicológico, mas sim fisiológico. Para os médicos esta é uma questão que não suscita dúvidas, embora ainda não estejam identificadas as causas. O que se sabe é que não é possível prevenir.
Mas tratar é e quanto antes melhor. Nos quadros mais ligeiros, repouso e alterações na alimentação podem ser suficientes. Mas quando os vómitos são persistentes e impedem uma nutrição adequada pode ser necessário hospitalizar a grávida para administração de fluidos intravenosos.
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