Gravidez: Esperar para ser mãe
Pelo contrário, as mulheres já nascem com todos os óvulos pré-determinados. Além disso, como os demais órgãos do corpo, os ovários também vão envelhecendo, o que compromete a qualidade dos óvulos e a sua capacidade de serem fertilizados ou viáveis.
E ainda que se produza uma fecundação, as células não se dividem tão facilmente, o que significa que um óvulo fecundado pode não continuar a sua evolução.
Além do mais, uma mulher entre os 35 e os 40 anos tem necessariamente uma história ginecológica mais extensa, com uma maior exposição a factores que podem comprometer a fecundidade: infecções, operações, miomas, doenças sexualmente transmissíveis e endometriose.
Esta última é uma das causas mais frequentes de infertilidade feminina e consiste no desenvolvimento do endométrio (tecido que recobre o interior do útero) fora da cavidade uterina – na bexiga, no intestino, nos ovários ou nas trompas. A existência de fortes dores menstruais que não passam com analgésicos é um dos sinais, a exigir a consulta de um ginecologista.
A partir dos 35 anos ocorrem mais ciclos sem ovulação, o que diminui as possibilidades de uma gravidez. E por vezes o organismo destas candidatas a mães necessita de uma ajuda da ciência. Com os novos conhecimentos científicos e as novas técnicas de reprodução assistida, a infertilidade já não é necessariamente uma fatalidade. E, se não existir patologia, nestes casos em que o principal obstáculo a uma gravidez é a idade da mãe, uma simples estimulação ovárica pode bastar para ultrapassar as dificuldades.
Cuidados especiais
A gravidez aos 40 anos não é obrigatoriamente uma gravidez complicada, mas do ponto de vista médico é sempre considerada de risco. E isto porque nessa idade a incidência de abortos é maior, como maiores são as probabilidades de anomalias genéticas no bebé.
Além disso, a mulher está mais sujeita a hipertensão e diabetes, que podem induzir complicações na gestação.
É um risco de que as mulheres que desejem engravidar nestas idades devem estar conscientes. O maior deles é porventura a síndrome de Down ou trissomia 21 (vulgarmente conhecida por mongolismo). Por isso, se efectuam testes de despistagem. Entre a 11.ª e a 14.ª semana, a par de doseamento de determinados parâmetros sanguíneos, efectua-se ecografia para medição da prega da nuca do feto. Um resultado suspeito deve levar a teste de diagnóstico, no caso, a amniocentese, um exame ao líquido amniótico que permite identificar anomalias nos cromossomas. Mas, atendendo a que os testes de despiste não evidenciam todos os casos e que o risco desta doença no feto aumenta muito neste grupo etário, a recomendação é a amniocentese.
Fundamental para minimizar estes riscos é um bom acompanhamento pré-natal, que permite fazer o levantamento dos antecedentes genéticos de pai e mãe. A vigilância médica regular é imprescindível, pois só assim será possível acompanhar passo a passo o desenvolvimento do bebé e detectar eventuais problemas.
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Os cuidados especiais passam igualmente pelo estilo de vida: todas as grávidas com mais de 35 anos devem seguir com rigor acrescido os conselhos médicos em matéria de alimentação, álcool e tabaco. Para que no final dos nove meses nasça uma criança saudável, o que acontece na maioria destes casos.

