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Chichi fora de tempo

27 Março, 2013 0

Muitos pais, talvez por falta de informação, não sabem como lidar com a enurese nocturna. Outros sentem vergonha em falar do assunto e muitos são assolados por mitos sem fundamento. Para resolver tais inquietações, o projecto “Pensar é Crescer” tem realizado algumas sessões de sensibilização aos pais e educadores onde podem participar, esclarecer dúvidas e aprender mais sobre esta disfunção. O Jornal do Centro de Saúde acompanhou uma das sessões e recolheu informações úteis para partilhar consigo.

Estivemos no Externato das Pedralvas, na Pontinha, a assistir a uma verdadeira aula com o pediatra Jorge Marcelino. A sessão, com o apoio da Ferring foi muito participada e ajudou os presentes a aprenderem mais sobre este problema que afecta crianças a partir dos cinco anos. A enurese nocturna define-se como a micção involuntária durante a noite, sobretudo a partir desta idade. “Este pode transformar-se num problema, tanto para a criança, como para os pais”, refere Jorge Marcelino, pediatra do Hospital da Luz. Os médicos pediatras são os especialistas mais indicados para diagnosticar a enurese nocturna porque conhecem o historial das crianças e eventualmente podem encaminhá-las para outra especialidade se assim entenderem.

Se a criança entrar para a escola e continuar a fazer chichi na cama, deve encarar-se tal facto como um sintoma de alerta. Por norma, as crianças enuréticas molham a cama mais do que uma vez por noite. A escola assume um papel fundamental na dinâmica do ritual da ida colectiva à casa de banho. Jorge Marcelino confirma que “na grande maioria das vezes, a criança aprende, beneficiando com o sucesso dos amiguinhos e costuma correr tudo bem”, adiantando que “os pais devem cooperar com os educadores e apoiarem a criança em conjunto”. A própria criança costuma dar sinal quando quer “tirar a fralda” e demonstra que “já é capaz de passar para o bacio”. O pediatra Jorge Marcelino sublinha a importância de ser criado um ambiente seguro e tranquilo à criança nesta fase transitória.

Existem ainda outros casos a ter em atenção, como o nascimento de um irmão ou o divórcio conflituoso dos pais que podem provocar “episódios temporários de enurese secundária”. Não ignore os alertas que o seu filho lhe der!

História familiar

Esta disfunção tem uma grande prevalência hereditária. Segundo o site www.chichinacama.pt, “existe um índice de 44% de ocorrência de enurese nocturna se um dos pais for enurético, e de 77% se ambos (pai e mãe) tiverem sido enuréticos”.

“Algumas vezes encontramos um passado familiar de enurese nocturna”. Para Jorge Marcelino, esta constatação é fundamental na forma como os pais irão lidar com este problema. “É muito interessante verificar que, por vezes, existem pais e mães que não resolveram interiormente esta questão. Nestes casos, vão ter alguma dificuldade em lidar com a situação do seu filho. Muitas vezes, eles próprios não perceberam porque é que aquilo lhes aconteceu e quais os mecanismos envolvidos. Pode acontecer desde uma grande compreensão sobre o que está a acontecer ao seu filho ou quase uma necessidade de esconder todo o processo da criança e culpabilizarem-na por esse problema”, diz-nos. É preciso ter a noção de que a criança “não é consciente nem responsável voluntariamente por esta situação”, esclarece o pediatra.

O facto de muitos pais não se fecharem e não falarem sobre este assunto pode também dever-se ao facto “de pensarem erradamente que os médicos não têm soluções para o problema”.

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