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Filhos: O desafio de uma vida

8 Setembro, 2009 0

A fertilização in vitro é, aliás, uma das técnicas pioneiras da chamada reprodução medicamente assistida. Mas há outras como a infecção citoplasmática, que consiste numa técnica microscópica de implantação directa de um único espermatozóide num ovo.

Estas são técnicas que resultam melhor em mulheres com um útero saudável, que respondam bem aos medicamentos de fertilidade e que ovulem naturalmente. Há, no entanto, algumas complicações possíveis. Desde logo, a de uma gravidez múltipla, mas também a de hiperestimulação dos ovários, mais frequente nas mulheres com ovário poliquístico.

Quanto às causas da infertilidade masculina, a sua identificação e consequente tratamento envolve um conjunto de testes que visam, antes de mais, avaliar a condição física, para despiste de doenças que tem ou já teve, medicamentos que toma habitualmente e hábitos sexuais.

Depois, é feita uma análise ao sémen, de modo a aferir da quantidade e qualidade dos espermatozóides. Permite ainda detectar eventuais infecções ou a presença de sangue. Uma análise ao sangue pode também ser necessária, com o objectivo de medir os níveis de testosterona, a principal hormona masculina.

Homens e mulheres partilham algumas abordagens, de que é exemplo o aumento da frequência das relações sexuais. Mas há intervenções mais específicas, dirigidas à quantidade e/ou qualidade do esperma.

A alternativa pode ainda residir em medicamentos utilizados para induzir a ovulação na mulher: são fármacos, como o clomifeno, que contribuem para aumentar a quantidade de esperma, ainda que não influenciem a sua qualidade ou mobilidade.

Nos homens com esperma normal, mas escasso, os índices de gravidez melhoram com a inseminação artificial, em que é aproveitada a primeira porção do sémen ejaculado, mais rica em espermatozóides. A fertilização in vitro e a transferência de gâmetas também são eficazes em determinados tipos de infertilidade masculina.

Independentemente das alternativas, este é um caminho feito de avanços e recuos. Porque o mais provável é serem necessárias várias tentativas até se vencer o desafio de dar vida a um filho do amor. Com a certeza de que, em Portugal, são cada vez mais os bebés que a Ciência traz ao mundo.

Muitos passos se deram desde que, em 1986, nasceu o primeiro filho da reprodução medicamente assistida no nosso país.

 

(in)Fertilidade

Apoiar, informar e defender as pessoas inférteis em Portugal é o objectivo da Associação Portuguesa de Fertilidade, constituída em Maio de 2006 a partir de um movimento cívico e associativo em torno da infertilidade. Na sua origem esteve a constatação de que, duas décadas após o início da procriação medicamente assistida no nosso país, ainda era muita a falta de informação e muito o desinteresse pelas questões (psicológicas, sociais e económicas) em torno da infertilidade.

Dois anos depois, e já com uma lei sobre a procriação medicamente assistida, a associação continua a pugnar pela assistência médica e psicológica das pessoas inférteis em Portugal.

Dos seus objectivos consta a celebração de parcerias com entidades públicas e privadas nesta área, a promoção do alargamento da rede pública dos centros de tratamento de infertilidade e a certificação internacional das clínicas privadas, incluindo a publicitação das respectivas taxas de sucesso, da equipa médica e dos preços praticados, a construção de uma base de informação detalhada sobre todas as questões relacionadas com a infertilidade em Portugal, incluindo um directório com as clínicas públicas e privadas, locais de alojamento, processos nacionais e internacionais de adopção de crianças e um manual sobre a infertilidade.

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