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Falência da Memória » A fronteira entre o fisiológico e o patológico

7 Agosto, 2007 0

«A memória é o local de registo dos acontecimentos, dos ensinamentos, da aprendizagem, de tudo o que vai ocorrendo ao longo da nossa vida, sendo certo que esse registo faz-se em locais especiais do cérebro».

A definição é da Dr.ª Helena Coelho, neurologista, que nos fala do processo natural de falência de memória à medida que a idade avança e de como pode ser preocupante quando ultrapassa limites que vão interferir com o desempenho das funções profissionais e laborais. Esta situação é também de importância pelas repercussões que vai ter na estrutura familiar do doente.

Helena Coelho começa por fazer a distinção entre dois tipos de memória: a imediata, que diz respeito aos factos recentes, e a remota, que diz respeito aos acontecimentos passados.

«Normalmente faz grande confusão às pessoas que a perda de memória se comece a dar exactamente para os factos recentes, porque daria a ideia de que esses estavam mais acessíveis, mas isto é um mistério da fisiologia humana, do funcionamento do nosso cérebro em que as memórias mais antigas, os conhecimentos e as vivências ficam registadas por mais tempo e são mais facilmente evocadas», frisa a neurologista.

A memória imediata tem outra localização no cérebro, outra fisiologia diferente da memória antiga, e é a primeira a ser atingida quando os processos degenerativos do sistema nervoso começam a atacar as estruturas onde ela está localizada.

De facto, a partir dos 50 anos de idade, as pessoas começam a notar que estão a perder a sua capacidade de reter – e são sobretudo os nomes de pessoas o que mais se esquece -, mas não é preocupante, pois faz parte do processo de envelhecimento. É um fenómeno fisiológico, assim como a perda progressiva da capacidade auditiva ou da visão. Essa perda de memória permite uma vida normal, com qualidade e uma boa integração social e profissional.

Estas perdas de memórias podem, porém, ser minimizadas através do exercício mental, isto é, da leitura e da escrita.

De acordo com a neurologista, é muito comum o idoso deixar estas actividades com facilidade: «Quando a pessoa se reforma deixa quase de escrever e de saber como se escreve. Já não sabe se é com dois “s” ou com “ç”, etc., e depois acaba por ter vergonha de deixar um recado cheio de erros e deixa mesmo de escrever.»

Fazer jogos, palavras cruzadas, charadas, telefonar ou ir à rua comprar o jornal são tudo formas de contrariar esse fenómeno.

«Só em último caso é que a pessoa deve, por exemplo, deixar de ir ao banco, de assinar o seu cheque porque quando isso acontece já não se volta atrás, abdica-se para sempre dessa função», diz Helena Coelho, lembrando um aspecto muito contra-indicado:

«A não ser em casos esporádicos, as pré–reformas deveriam ser evitadas, porque não ajudam em nada a boa saúde mental, acabando por levar ao isolamento. A pessoa diz sempre que vai fazer alguma coisa de útil mas a verdade é que acaba sempre por não se ocupar.»

Outro aspecto que pode ter uma grande influência nas capacidades intelectuais da pessoa, que vai avançando na idade e que está ao alcance de todos, é a prevenção dos factores de risco vascular. Isto porque as doenças cardiovasculares podem igualmente causar uma demência.

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