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Falência da Memória » A fronteira entre o fisiológico e o patológico

7 Agosto, 2007 0

Família deve apoiar e ser apoiada

O grande problema coloca-se quando o idoso tem uma perda de memória que já não corresponde a envelhecimento, mas sim ao anúncio de alguma doença degenerativa. A vigilância médica pode ajudar a distinguir porque a fronteira entre um caso e outro é bastante ténue.

Para Helena Coelho, «é obrigatório fazer um despiste das causas capazes de provocar um quadro demencial através de uma avaliação, que consiste numa entrevista médica ao doente, no depoimento dos familiares, em análises laboratoriais e numa bateria de testes neuropsicológicos, se o médico achar necessário».

Depois da avaliação ainda é necessário perceber se há alguma patologia que possa imitar um pouco a demência, como os estados de depressão e ansiedade. Conforme exemplifica a neurologista, «uma pessoa que está muito deprimida pode ter comportamentos que imitam muito bem um demente e nós temos de fazer aí o primeiro diagnóstico diferencial. Ou pode ter uma grande ansiedade que a bloqueia psicologicamente».

A forma como o idoso encara a perda de memória depende muito da sua personalidade, da inserção social e do apoio familiar.

A especialista chama a atenção para o papel e o comportamento da família nas situações de doença degenerativa:

«É sempre muito prejudicial fazer notar ao idoso que se está a esquecer constantemente porque só vai deprimi-lo e esta atitude é, muitas vezes, a mais comum no início do quadro.»

O aparecimento de uma doença degenerativa num dos membros acaba por se tornar numa doença de toda a família. No início acha que vai aguentar a evolução mas, a dada altura, toda a família está um pouco destabilizada, porque o doente vai atravessar períodos de agitação, de insónia resistente aos medicamentos, crises de agessividade e irritabilidade, variações de humor. E é neste sentido que a neurologista salienta que «nesta altura é vital todo o apoio à família e acompanhantes».

«Para a doença degenerativa (por exemplo a doença de Alzeihmer) existem hoje alguns medicamentos que podem atrasar a evolução», diz Helena Coelho.

E acrescenta: «Penso que a sociedade em que vivemos deve reorganizar-se e reestruturar-se, de forma a haver um lugar para estas pessoas, pois é previsível que nas próximas décadas o número de idosos aumente bastante».

Deviam, assim, haver locais preparados para colmatar todas as necessidades que a idade e a doença vão trazer porque actualmente os que existem são insuficientes no nosso País.

«As pessoas estão vivas enquanto respiram, por isso merecem que pensemos nelas», conclui a neurologista.

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