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Doença de Parkinson: Uma tulipa como símbolo

2 Maio, 2010 0

Chama-se tulipa James Parkinson, assim baptizada por um floricultor holandês numa homenagem ao médico que descreveu pela primeira vez esta doença que é denunciada pelo tremor do corpo. Ficou como símbolo de uma patologia que vai sendo mais frequente à medida que as sociedades envelhecem.

São corpos que vacilam os que sofrem de Parkinson. Mas tudo começa de uma forma discreta, tão discreta como a falta de energia, a dificuldade em dormir e o arrastar de tarefas rotineiras como tomar banho ou comer. Igualmente discretos, surgem os primeiros tremores, nos dedos de uma mão ou num braço. São tremores que, inicialmente, se manifestam apenas de um lado do corpo e em repouso, cessando quando a mão ou o braço faz um movimento.

As pernas também podem tremer. E com o tempo os músculos das pernas ficam como que paralisados, dando origem a hesitações no andar ou a dificuldade em retomar a marcha. Aliás, o caminhar vai-se tornando mais lento e arrastado, o doente adopta uma postura encurvada, até que se colocam mesmo problemas de equilíbrio.

Até os movimentos automáticos, como pestanejar e sorrir, podem ser afectados. O mesmo acontece com a fala, sendo frequente que a voz ganhe um tom monótono e mais baixo, o que dificulta o diálogo e o convívio social.

Não há, no entanto, prejuízo das capacidades intelectuais: o pensamento é mais lento, as respostas demoram mais tempo mas estão certas.

 

Substância nigra & dopamina

Desde que o médico inglês James Parkinson publicou o primeiro ensaio sobre a doença que lhe herdou o nome, em 1817, muito se conhece já sobre a doença, mas também muito permanece por descobrir, nomeadamente sobre as causas.

O que se sabe é que a dificuldade em controlar os movimentos se vai acentuando à medida que são danificadas ou destruídas determinadas células nervosas na região do cérebro designada por substância nigra.

Em circunstâncias normais, essas células libertam dopamina, um químico que assegura a comunicação com outra região do cérebro, o corpo estriado. São esses sinais que levam os músculos a produzir movimentos controlados.

Com o envelhecimento, há uma perda natural dessas células, mas nos doentes de Parkinson verifica-se uma perda acelerada, que pode atingir mais de metade da substância nigra. A produção de dopamina fica, assim, ameaçada e, em consequência, os músculos ficam limitados na sua função motora.

O que está por conhecer é a razão dessa degradação celular. Há neste processo alguns factores de risco, desde logo a idade. É o mais evidente, com a doença a ser mais comum a partir dos 60 anos, ainda que os adultos mais jovens não estejam completamente a salvo – aliás, um em cada oito doentes tem menos de 40 anos. A hereditariedade também pesa, o mesmo acontecendo com o género: os homens têm uma probabilidade maior de desenvolver Parkinson, se bem que as mulheres com baixos níveis de estrogénios (hormonas envolvidas na reprodução) também sejam vulneráveis.

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