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Doença de Parkinson: Uma tulipa como símbolo

2 Maio, 2010 0

Estando a escassez de dopamina na origem da doença é nela que se centra o tratamento, com os medicamentos a fornecerem ao cérebro níveis deste químico suficientes para atenuar os sintomas. O tratamento não envolve a própria dopamina, dado que ela não consegue atravessar a barreira dos capilares que irrigam o cérebro. É que nesses vasos sanguíneos acumulam-se células que funcionam como filtros, os quais deixam passar apenas substânciasque se transformam em dopamina (são os precursores de dopamina).

É essa a principal matéria-prima, por assim dizer, de uma classe de medicamentos utilizados no tratamento de Parkinson. São igualmente usados os chamados antagonistas de dopamina, que imitam os seus efeitos fazendo com que as células nervosas reajam como se tivessem recebido uma dose de dopamina.

 

Cerca de 20 mil doentes em Portugal

O tratamento é definido caso a caso e ajustado ao longo do tempo, de modo a responder às diferentes etapas da doença. Alguns doentes – entre cinco a dez por cento do total – podem beneficiar de uma alternativa cirúrgica: realizada nalguns centros hospitalares públicos do país, consiste na estimulação eléctrica do cérebro com vista ao controlo dos tremores.

Naturalmente que, como quaisquer medicamentos, também estes podem suscitar efeitos adversos, sendo possível que ocorram movimentos involuntários dos braços ou pernas, sonolência e baixa de pressão arterial quando a pessoa está de pé. Aliás, a doença de Parkinson está associada a um conjunto de complicações, que podem incluir dificuldade em engolir, problemas urinários, obstipação, distúrbios do sono e disfunção sexual.

Na fase mais avançada da doença, uma pequena percentagem de doentes pode desenvolver demência, um distúrbio mental que afecta a capacidade de pensar, raciocinar e recordar e pode envolver mudanças de personalidade. Além disso, estima-se que cerca de metade dos doentes sofram de depressão, que pode estar presente mesmo antes do diagnóstico de Parkinson.

A doença de Parkinson impõe limitações físicas que podem ser frustrantes. Daí que o tratamento contenha uma componente de cuidados que abarcam a fisioterapia, a terapia da fala e a terapia ocupacional e aconselhamento psicológico.

Sem cura, mas com tratamento, a doença afecta, segundo a Associação Portuguesa dos Doentes de Parkinson, cerca de 20 mil pessoas em Portugal, estimando-se que, nos próximos 20 anos, esse número possa subir para os 30 mil. A 11 de Abril, data de nascimento de James Parkinson, celebra-se a nível mundial um dia dedicado à doença e aos doentes.

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Gestos que ajudam

Quem vive com a doença de Parkinson sabe bem como o quotidiano pode ficar afectado. As tarefas do dia-a-dia podem ser muito difíceis quando os movimentos não acompanham a vontade. Pode ser muito frustrante.

Há, no entanto, alguns cuidados que facilitam a vida destes doentes:

• Vá corrigindo a postura enquanto caminha, procurando manter a cabeça e o pescoço alinhados com as ancas e os pés afastados um do outro;

• Use sapatos confortáveis e com sola anti-derrapante;

• Remova os objectos que, em casa, possam constituir obstáculos à marcha;

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