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Discutir a menopausa

1 Outubro, 2004 0

A 18 de Outubro é comemorado o Dia Mundial da Menopausa e, como não poderia deixar de ser, a Sociedade Portuguesa de Menopausa (SPM) organiza este mês a sua VII Reunião Científica.

Realizam-se duas reuniões científicas, no Auditório do Hotel Príncipe Perfeito, em Viseu. Uma a 15 de Outubro, em que será efectuado um curso de actualização para a Medicina Familiar, essencialmente dirigido para os médicos de família, e outra no dia 16, que é dirigida a todos os médicos e profissionais de saúde que se interessem pelo tema da menopausa.

«Pretende ser um local onde todos os médicos que tratam da mulher na menopausa se reúnam para conversar sobre as suas experiências, debaterem os últimos estudos sobre estes assuntos e o seu respectivo enquadramento na sociedade portuguesa», diz a Dr.ª Ana Fatela, ginecologista na Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, referindo-se à VII Reunião Científica da SPM, da qual é membro.

E salienta: «Em suma, pretende-se fazer uma actualização deste tema tão controverso para aferir estratégias.»

Neste encontro, em relação ao anterior, serão discutidos novos temas. O do ano passado tratou de temas como a pele, a nutrição, o exercício físico e a sexualidade na menopausa.

«No VII Encontro, o primeiro tema é uma abordagem sobre as principais queixas da mulher na menopausa como a sintomatologia vasomotora (afrontamentos, suores nocturnos), alterações do humor, insónias, diminuição da memória, ansiedade, depressão, queixas urogenitais e, mais tardiamente, os problemas cardíacos e de osteoporose», adianta Ana Fatela, prosseguindo:

«Segue-se a vigilância necessária a toda a mulher que se encontra em menopausa, vigilância clínica e exames complementares de diagnóstico necessários. Fala-se, posteriormente, das opções terapêuticas para a mulher nesta fase da vida.»

Considerando a importância da terapêutica hormonal e de todas as controvérsias gerada em seu redor, foi elaborada uma mesa para a discussão das suas vantagens e inconvenientes e suas indicações.

O evento culmina com a discussão de um tema interessante, a osteoporose.

Segundo informa Ana Fatela, «dado a osteoporose ser uma doença óssea grave, que leva a fracturas que podem levar a incapacidades graves e até à morte (uma em cada duas mulheres com mais de 50 anos tem o risco, até ao final da vida, de sofrer uma fractura óssea), é-lhe dedicada uma mesa-redonda onde se dá importância não só à terapêutica, mas também aos aspectos preventivos tão descurados como uma alimentação rica em cálcio, vida activa e parar de fumar».

Terapêutica hormonal
Quando se fala de terapêutica hormonal nem sempre as opiniões são unânimes. Se outrora eram reduzidos (ou nenhuns) os fármacos que ajudavam a mulher menopáusica a ultrapassar uma fase da vida à qual era impossível escapar, hoje são várias as opções . Porém, é fundamental o parecer de um especialista!

«O tratamento da sintomatologia vasomotora é a principal indicação da terapêutica hormonal», menciona a ginecologista, apontando outras situações para as quais é indicada:

«Sintomatologia geniturinária (atrofia genitourinária), sintomatologia neurovegetativa (insónia, irritabilidade, alterações do humor), e nos casos de menopausa precoce.»

A médica acrescenta, ainda, que «acessoriamente, quando utilizada, pode prevenir a osteoporose, sendo discutível a prevenção da doença cardiovascular. Outra das vantagens da terapêutica hormonal é a prevenção do cancro do cólon».

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