Crianças & Medicamentos: Pelo seguro
Um dos cuidados a ter prende-se com o uso de aspirina. Medicamento não sujeito a receita médica, existe provavelmente em todos os lares portugueses – da família dos anti-inflamatórios não esteróides, actua como antipirético (contra a febre) e analgésico (contra a dor). Contudo, não deve ser ministrado a crianças, pois está associado a um risco acrescido de Síndrome de Reye, uma doença potencialmente fatal que causa sintomas como náuseas, vómitos e extrema fadiga que progride para coma. Além da aspirina propriamente dita, estão vedados os medicamentos que a contêm, devendo ser procuradas nas embalagens e nos folhetos informativos as palavras “salicilato” ou “ácido acetilsalicílico”.
Sem banalizar
Ler o folheto informativo é, aliás, um gesto essencial antes de tomar medicamentos, quer se destinem a adultos ou a crianças. Dele consta informação sobre o medicamento, a que se destina, dose, duração do tratamento, efeitos secundários, interacções. Esta informação é reforçada na prescrição ou na indicação farmacêutica, com registo da dose, dos intervalos entre doses e da duração do tratamento.
Respeitar estas instruções é meio caminho andado para a eficácia terapêutica: cada medicamento tem de ser tomado numa quantidade específica um determinado número de vezes para que o objectivo – do alívio dos sintomas, do controlo da doença e/ou da cura – seja alcançado.
Para essa eficácia contribuem outros factores, nomeadamente se a toma deve ou não coincidir com as refeições. A indicação para tomar com alimentos pode significar que o medicamento é agressivo para o estômago, se estiver vazio, ou que o alimento favorece a sua absorção. Mas se for para tomar uma ou duas horas após a refeição, pode significar que o alimento impede o medicamento de actuar devidamente ou atrasa ou reduz a sua absorção.
Associar o medicamento a um alimento pode revelar-se adequado para vencer a resistência infantil ao sabor ou à textura. “Sabe mal!” é, aliás, uma queixa frequente das crianças a determinados xaropes e comprimidos. Antes, porém, de optar por esta via é conveniente esclarecer, junto do médico ou farmacêutico, se a eficácia do medicamento não é afectada.
Há, pelo contrário, medicamentos apelativos ao paladar, sobretudo xaropes. Também aqui há que zelar pela sua segurança: por mais doce que seja, o medicamento não pode ser banalizado, a dose não pode ser alterada e a frequência das tomas também não. Tal como não pode ser confundido com uma guloseima: se assim acontecer pode estar aberto o caminho a uma toma acidental e, em consequência, ao risco de intoxicação.
Para prevenir riscos, à criança deve ser explicado que os medicamentos a ajudam a sentir-se melhor, mas que só podem ser tomadas sob supervisão de um adulto. Porque mais vale prevenir, há que incutir um certo respeito. Esta mesma atitude é válida quando se trata de manter os medicamentos longe da curiosidade e das mãos infantis.
Há que guardá-los num armário fechado, a que as crianças não tenham acesso. E, quando estão ser utilizados, há que evitar deixá-los sobre os móveis – tê-los no balcão da cozinha ou na mesa de cabeceira é útil para não haver esquecimentos, mas correm-se riscos desnecessários.
Os medicamentos são para levar a sério, em todos os sentidos.

