Criança que ressona não dorme bem » Apneia do sono, problema respiratório que pode afectar o crescimento - Médicos de Portugal

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Criança que ressona não dorme bem » Apneia do sono, problema respiratório que pode afectar o crescimento

12 Fevereiro, 2007 0

A apneia do sono perfila-se como o problema mais comum quando falamos em perturbações respiratórias obstrutivas do sono. Sobretudo em crianças, os níveis de preocupação redobram por parte dos pais e educadores que lidam directamente com as consequências inerentes a esta doença. O assunto torna-se ainda mais premente quando está em causa o desenvolvimento físico e psicológico da criança. Embora preocupados com as manifestações, muitos pais não se apercebem da sua causa.

Esta patologia assume características bem vincadas, tal como sustenta a Dr.ª Helena Estêvão, pediatra e responsável pelo Laboratório do Sono e Ventilação do Hospital Pediátrico de Coimbra:

«O quadro caracteriza-se por dificuldade na respiração durante o sono, com ressonar mais ou menos contínuo, que pode ser interrompido por pausas de vários segundos. Estas interrupções, frequentemente acompanhadas de descida da oxigenação sanguínea, podem ocorrer apenas quando a criança está constipada ou, pelo contrário, diariamente em vários episódios por noite.»

O esforço despendido pela criança na tentativa de recuperar a respiração é tão intenso que leva a um gasto significativo de calorias. Em idades mais tenras, o crescimento ponderal pode estar comprometido.

O compromisso respiratório implica também que a criança surja cansada durante o dia, como se não tivesse dormido.

Helena Estêvão explica a este propósito que, «para restabelecer a normalidade do ciclo respiratório, há como que uma tendência para superficializar o sono».

O resultado de tudo isto? Noites agitadas sem um sono reparador induzem irritabilidade nas crianças mais pequenas e nas mais velhas dificuldades na aprendizagem escolar e desconcentração, podendo conduzir a situações limites, como dormir sobre a carteira da sala de aula.

No entanto, as sequelas não ficam por aqui. A pediatra adverte para a eventualidade de, em situações mais graves, surgirem complicações cardíacas.

As causas apontadas com maior frequência são o aumento de volume das amígdalas e dos adenóides (tecido linfóide), a que se associam habitualmente outros factores, nomeadamente, determinadas características da conformação facial, que poderão ter um carácter hereditário. Nem todas as crianças com hipertrofia das amígdalas e dos adenóides ressonam ou têm apneia obstrutiva do sono. No entanto, se àquela se associar uma estreiteza das vias aéreas (por face alongada e estreitada ou queixo recuado com retroposicionamento da língua), o fluxo respiratório é efectuado com maior dificuldade.

Na mesma perspectiva, os quadros de rinite alérgica também são bloqueantes, por via da inflamação que produzem nas vias respiratórias.

Sintomas à noite… e de dia

Algo pode estar mal quando as crianças ressonam durante a noite ou quando dormem de boca aberta. Isso significa que o ar pode não estar a entrar correctamente pelo nariz ou então que não passa mesmo por ali. Não vale a pena arranjar explicações avulsas, do estilo «ressona porque sai ao pai» ou «lá em casa toda a gente ressona».

O sono agitado, as posições bizarras, como dormir de cócoras, o excesso de suor ou «acidentes» urinários, tudo isto responde pelos sintomas associados à apneia do sono.

O ressonar ocorre em cerca de 9% das crianças, mas destas apenas um quarto tem apneia do sono. Os sintomas são mais aparatosos durante o sono porque nesta altura há um maior relaxamento dos músculos das vias aéreas facilitando assim a sua obstrução.

Mas, durante o dia a atenção dos pais e educadores deve virar-se, tal como sublinha esta médica, para «respiração de boca aberta, secreções nasais frequentes, irrequietude e engasgamentos frequentes durante a refeição (o nariz obstruído dificulta a coordenação respiração-deglutição) nas crianças mais pequenas; cansaço e dificuldade de concentração nos mais velhos».

As causas da apneia do sono são diferentes, os sintomas que a revelam também variam de criança para criança, mas há uma certeza: a atenção a estes pormenores e a constatação de algum deles tornam sensata a consulta de um especialista.

Aí vai ser definido o tratamento específico, que passa frequentemente por uma cirurgia simples à garganta e aos adenóides. Há, nalguns casos, a hipótese mais conservadora de utilização de alguns medicamentos que ajudam a reverter os processos inflamatórios que estejam na origem ou que favoreçam a patologia respiratória durante o sono.

No entanto, Helena Estêvão também admite que, «entre os 7 e os 10 anos de idade, há a possibilidade de redução espontânea do volume do tecido linfóide concomitante com um aumento relativo do calibre das vias aéreas». Estas alterações criam condições para uma melhoria do fluxo respiratório.

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