Pré-diabetes » Quando os níveis de açúcar estão elevados, mas não é diabetes... - Médicos de Portugal

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Pré-diabetes » Quando os níveis de açúcar estão elevados, mas não é diabetes…

10 Fevereiro, 2007 0

A glucose, um tipo especial de açúcar que se encontra em varia­dos alimentos, é fundamental para a produção de energia e para o funcionamento dos diversos órgãos. Para a glucose ser bem absorvida e transformada pelas nossas células, necessita da insulina produzida pelo pâncreas. Se este for o procedimento do seu organismo então está livre da diabetes tipo 2.

O problema da diabetes tipo 2 surge precisamente quando há problemas neste funcionamento e que se pode traduzir por uma produção de insulina insuficiente, por parte do pâncreas.

Deste modo, os tecidos onde a insulina devia actuar, para transformar a glucose, tornam-se resistentes. Os níveis de glucose na circulação tornam-se elevados e podem provocar graves problemas de saúde, tais como infecções, enfarte do miocárdio, acidentes vasculares, má circulação nas pernas e nos pés e cegueira.

A fase da pré-diabetes

A preocupação não recai somente quando estamos perante a diabetes tipo 2. A pré-diabetes já é um alerta muito importante e deve ser considerado como tal. Por norma, na pré-diabetes as pessoas apresentam valores de açúcar no sangue (glicemia) acima do normal, mas ainda não podem ser consideradas diabéticas.

É nesta fase, da pré-diabetes, que se devem fazer todos os esforços, como uma medicação adequada e a mudança de estilos de vida, para atrasar ou impedir o surgimento da diabetes tipo 2 e diminuir o risco cardiovascular.

Além disso, na pré-diabetes a glucose no sangue tem variações irregulares e caracteriza-se pela ausência de sintomas. Esta é uma situação que pode durar anos. Alguns doentes poderão vir a desenvolver diabetes tipo 2 num período de 10 anos.

O facto de ser uma fase silenciosa, sem sintomas que possam alertar para os reais problemas que advêm da pré-diabetes, não facilita a consciencialização das pessoas para alguns cuidados que devem ter, nomeadamente através da prática de exercício físico e de uma alimentação cuidada, visto que 80 a 90% dos diabéticos tipo 2 são obesos. Por outro lado, a pré-diabetes está muitas vezes associada à síndrome metabólica, condição caracterizada pela presença de obesidade abdominal, e por outros factores como colesterol elevado e hipertensão arterial.

Uma vez feito o diagnóstico de síndrome metabólica, a abordagem terapêutica deverá ser agressiva para reduzir o risco de doença cardiovascular e de evolução para diabetes tipo 2.

Assim, nos doentes pré-diabéticos, a intervenção primária incide, deste modo, na promoção de um estilo de vida saudável que passa pela restrição calórica moderada (redução da massa corporal em 5 a 10% no primeiro ano), aumento mode­rado da actividade física e mudança da composição da dieta.

Nos indivíduos em que a alteração do estilo de vida não seja suficiente e que sejam considerados em risco elevado de doença cardiovascular pode ser necessária terapêutica farmacológica adequada.

Factores de risco para o desenvolvimento da diabetes tipo 2

Os erros alimentares e o sedentarismo são responsáveis por um aumento significativo da doença nas próximas gerações. Existem actualmente, a nível mundial, perto de 200 milhões de pessoas que so­frem de diabetes tipo 2, sendo que apenas cerca de metade estão diagnosticados.

Para além deste problema, existem 314 milhões de pré-diabéticos. Para 2025, a estimativa é de 324 milhões de casos de diabetes tipo 2 e de 500 milhões de casos de pré-diabetes. Estas duas patologias aumentam duas a dez vezes o risco de acidentes cardiovasculares, a principal causa de morte e incapacidade no mundo. De facto, a associação entre a disglicemia e o risco cardiovascular ocorre precocemente, logo na fase pré-diabética e aumenta com a progressão para a diabetes tipo 2.

Outros factores de risco associados ao desenvolvimento da diabetes tipo 2 estão relacionados com a hipertensão arterial, valores elevados de colesterol, idade superior a 40 anos, familiares com diabetes tipo 2 e, curiosamente, se teve um filho com peso à nascença superior a 4 kg.

A associação da pré-diabetes com a diabetes tipo 2 está demonstrada e o caminho actual é evitar ou retardar a progressão da pré-diabetes para a diabetes tipo 2. Em contrário, poderá surgir uma nova vaga de doença cardiovascular com consequências quer a nível da Saúde Pública, quer a nível dos custos de saúde.

Tratar na pré-diabetes

Para além da alimentação saudável e do exercício físico, hoje em dia já existem medicamentos para pré-diabéticos que retardam a progressão desta fase para a diabetes tipo 2.

No estudo STOP-NIDDM (Study to Prevent Non-Insulin Dependent Diabetes Mellitus) demonstrou-se que a acarbose, um antidiabético oral desenvolvido pela Bayer, reduziu em 36% a progressão da pré-diabetes para diabetes tipo 2 e diminuiu em 49% o risco de qualquer acidente cardiovascular.

Outro estudo, o MeRIA (Meta-analysis of Risk Improvement Under Acarbose), vem reforçar o efeito positivo da acarbose, provando que o antidiabético oral da Bayer versus placebo, reduziu de forma significativa em 41% o risco de qualquer acidente cardiovascular, em 64% o risco de enfarte do miocárdio e em 32% o risco de AVC.

Estes resultados levaram a Federação Internacional da Diabetes a recomendar que a acarbose seja utilizada, numa abordagem de terapêutica agressiva, como forma de reduzir o risco de doença cardiovascular e de evolução para diabetes tipo 2 nos doentes com síndrome metabólico, indivíduos com obesidade abdominal e outros factores de risco associados.

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