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Como proteger os idosos do frio

12 Dezembro, 2014 0

Apesar de Portugal ser um país solarengo e de os portugueses estarem habituados a temperaturas amenas, este ano, o frio chegou depressa demais e sem pedir autorização. Várias cidades do país estiveram em alerta amarelo ou vermelho. As temperaturas muito baixas podem voltar e para que os mais idosos estejam preparados para as enfrentar, apresentamos-lhe um guia de cuidados que atenuam o frio.

No tempo mais frio, as constipações e gripes são frequentes. A explicação é mais simples do que parece. “Este tempo é propício ao desenvolvimento e propagação dos germens seus causadores. A sua prevenção deve basear-se em medidas gerais, como evitar o contacto com indivíduos infectados e a presença em espaços fechados com muitas pessoas, bem como, no caso da gripe, a vacinação, que está formalmente indicada nos idosos, devendo ser administrada anualmente”, explica Manuel Teixeira Veríssimo, Professor da Faculdade de Medicina de Coimbra (FMC) e Coordenador do Núcleo de Estudos de Geriatria da Faculdade de Medicina de Coimbra.

Importante também é a vacinação contra a pneumonia que deverá ser feita de 5 em 5 anos. As temperaturas frias estão habitualmente associadas ao agravamento de doenças, especialmente do foro respiratório e cardíaco. “Nas doenças cardíacas, o frio pode agravar os sintomas da angina de peito, aumentar um pouco a tensão arterial e o risco de o idoso ter um acidente cardiovascular.

No caso das doenças respiratórias, agrava a asma, o enfisema e a doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), em geral, e favorece também o aparecimento de pneumonias. A hipotermia é outra das consequências possíveis”, acrescenta o especialista. As próprias quedas, ocorrência frequente entre os idosos, principalmente nos menos capazes fisicamente, são mais frequentes no tempo frio.

Frieiras para que vos quero?

Há que referir ainda as frieiras que têm diversos factores na sua origem, “que vão da predisposição genética até factores hormonais e circulatórios, sendo o frio e a humidade condições que contribuem para o seu aparecimento”. A prevenção é a melhor maneira de contrariar o problema, constando esta de alguns cuidados como manter o ambiente aquecido e usar adereços adequados como luvas, calçado quente e gorros de lã.

“Uma vez instaladas, as frieiras melhoram com calor moderado e massagem suave, sendo também útil o exercício físico que activa a circulação corporal e, consequentemente, aumenta a temperatura corporal. Na maior parte dos casos, as frieiras curam-se apenas com recurso à prevenção e à protecção das extremidades”, acrescenta Manuel Teixeira Veríssimo.

Em situações mais graves, “nomeadamente quando há ulceração, o doente deverá recorrer ao médico para fazer outro tipo de tratamento, nomeadamente com substâncias vasodilatadoras. Os cremes com cortisona estão contra-indicados, pois induzem a vasoconstrição secundária e, naturalmente, pioram a situação”.

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Protecção do frio

Os idosos podem proteger-se do frio através de medidas muito práticas começando por saírem à rua apenas quando for extremamente necessário e usar roupas quentes e adequadas consoante estejam em casa ou no exterior. “Devem também manter a casa aquecida através da calafetagem das portas e janelas para evitar a saída de calor e a entrada de frio, tendo, contudo, cuidado com meios de aquecimento que produzam monóxido de carbono como lareiras, braseiras ou aquecedores eléctricos; usar botijas de água quente, embora sempre com o cuidado de não fazer queimaduras da pele e beber bebidas quentes, como chá, leite ou sopa. Os seniores devem fazer movimentos com os dedos, os braços e as pernas para estimular a circulação”, defende o Prof. da FMC.

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