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Asma na idade pré-escolar

15 Fevereiro, 2007 0

Nas crianças entre os 2 e os 5 anos de idade, diagnosticar asma é, por vezes, difícil. Mas, uma vez definido, muito há a fazer para prevenir crises e melhorar a qualidade de vida da criança asmática.

O diagnóstico só chegou aos 3 anos. Mas antes a Carolina (na foto, na página amarela, acompanhada pela mãe) já tinha apresentado sinais e sintomas de que poderia sofrer de uma doença alérgica.

«Ela fazia muitas laringites. Quando tinha 2 anos chegou a ter equizemas cutâneos espalhados pelo corpo. Desde a parte de dentro dos pulsos, até ao pescoço e na parte de trás das pernas», lembra a mãe, Carla Mestre, 28 anos, adiantando:

«A cada episódio de laringite ia ao médico, que nunca diagnosticou nada, disse–me apenas que poderiam ser sintomas de uma alergia. Aconteceu o mesmo quando os equizemas surgiram. Nesta altura receitaram-me um corticoisteróide na forma de pomada».

Aos 3 anos a Carolina teve uma grande crise: a laringite voltou, acompanhada de tosse muito forte e falta de ar. O socorro procurado no hospital serviu apenas para curar este episódio, que se repetiu cerca de dois meses mais tarde.

«Até que fui ao Hospital Amadora–Sintra, a uma consulta de alergologia e, finalmente, foi diagnosticada asma à minha filha», recorda Carla Mestre.

Contudo, as crises não pararam totalmente com a medicação receitada. Até que a médica que diagnosticou a doença optou por outra solução terapêutica: o montelucaste. Carla Mestre não tem dúvidas:

«Vejo melhorias. A minha filha toma um comprimido por dia, à noite. É muito cómodo. Não ando com bombas comigo, fico descansada durante o dia e é como se fosse um rebuçado para ela.»

«As crises agora são mais espaçadas e vejo esta medicação como uma prevenção para evitar que a minha filha tenha crises», explica Carla Mestre. Carolina concorda.

«Sabe a cereja e é bom», disse-nos, do alto dos seus 5 anos.

«Aconselho quem tem filhos pequenos a valorizar os sintomas. Quaisquer problemas que as crianças apresentem, qualquer coisa fora do normal deve ser visto por um médico. Porque quem convive com asmáticos conhece os sintomas. Mas quem nunca viu pode não valorizar os sinais de alarme», avisa esta mãe, de 28 anos, secretária de profissão.

Do diagnóstico ao tratamento

A asma, patologia crónica mais frequente na idade pediátrica, é uma doença respiratória obstrutiva crónica. Deve-se a uma inflamação das vias aéreas e à hiperreactividade brônquica. Caracteriza-se por tosse, pieira, sibilos e, por vezes, dificuldade respiratória. Mas «os sintomas são reversíveis de duas formas: ou espontaneamente ou através de meios terapêuticos», explica o Dr. Rosado Pinto, director do Serviço de Imunoalergologia do Hospital de Dona Estefânia, em Lisboa.

De acordo com o estudo ISAAC (International Study of Asthma and Allergies in Childhood), cerca de 10% das crianças portuguesas até aos 7 anos já teve uma crise de asma.

E muitos destes meninos terão de utilizar, no seu dia-a-dia, medicamentos, frequentemente com técnica inalatória – nebulizador ou câmaras de expansão para situações de crise ou profilaxia.

«A colaboração dos pais é determinante e fundamental neste processo», lembra Rosado Pinto, acrescentando:

«Os pais têm de ser educados pelo médico. São eles que fazem o primeiro diagnóstico da gravidade da situação, percebem se os recursos em casa são suficientes para ajudar a criança. E é também através deles que chega a primeira intervenção terapêutica».

O médico adianta que «um bom acompanhamento em casa pode poupar muitas idas às urgências, noites mal dormidas e dias de cansaço às famílias» que convivem com a doença crónica mais frequente na idade pediátrica.

Se ao nível terapêutico não faltam armas cada vez mais eficazes, já fazer o diagnóstico numa criança pequena é algo de complicado: o quadro de sinais e sintomas que caracteriza a asma é muito semelhante ao de outras doenças respiratórias virais como, por exemplo, a bronquiolite. Testes laboratoriais e cutâneos ajudam a perceber se existe terreno alérgico.

No que toca às causas da doença, os médicos sabem bem quais são. Os factores que podem desencadear asma na criança «estão ligados à infecção, à alergia, ao esforço, estilo de vida, tabagismo, poluição exterior e à habitação, sendo muitas vezes de transmissão hereditária», explica Rosado Pinto.

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