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Degenerescência macular relacionada com a idade afecta 30 milhões de pessoas – «Negra sombra» entre o doente e o mundo

16 Fevereiro, 2007 0

Chega ao ritmo da inevitável passagem dos anos e vem afectar a zona mais nobre da visão. Com a sua evolução, o doente fica a ver o mundo por detrás de uma sombra escura, que lhe rouba a visão central. E apenas deixa ficar a visão periférica que mostra uma realidade desfocada.

Trata-se de uma doença que dá pelo nome de degenerescência macular relacionada com a idade (DMI) e afecta já cerca de 30 milhões de pessoas em todo o mundo. «Nos países industrializados, é a principal causa de cegueira em pessoas acima dos 50 anos», como cons­tata o Dr. Paulo Rosa, oftalmologista do Instituto Oftalmológico Gama Pinto.

Em Portugal, estima-se que cerca de 45 mil pessoas entre os 50 e os 59 anos tenham DMI. Este número sobe para perto de 100 mil afectados entre os 60 e os 69 anos e para quase 300 mil acima dos 70 anos.

A DMI é uma doença degenerativa da retina que afecta a mácula – parte central da retina –, responsável pela visão nítida e focada das formas e das cores. Como o próprio nome indica, está relacionada com a idade e começa a surgir depois dos 50 anos.

«A percentagem de doentes afectados pela DMI sobe significativamente à medida que a idade vai aumentando, atingindo 30% das pessoas com mais de 75 anos», revela o mesmo oftalmologista.

E a tendência parece ser a de estas percentagens virem a crescer, até porque «a esperança média de vida está a aumentar e, dentro de algumas décadas, o número de pessoas afectadas será enorme», como preconiza este especialista. A comprovar esta tendência surgem, a cada ano, cerca de 30 mil novos casos desta doença.

No entanto, a DMI não leva à cegueira absoluta. «Mesmo em fases avançadas da patologia, o doente continua a manter a visão periférica, o que lhe permite uma orientação razoável, suficiente para as suas necessidades básicas», refere Paulo Rosa.

Mas, uma vez que se perde a visão central e de pormenor, com a agravante de, frequentemente, a DMI afectar os dois olhos, as limitações na vida de uma pessoa são várias. «O doente deixará de poder efectuar tarefas do dia-a-dia, como escrever, ler, marcar os números de telefone, contar moedas, ver televisão, conduzir, fazer a sua assinatura ou distinguir os comprimidos que deve tomar», adverte este oftalmologista.

DMI, porquê?

Mas o que provoca a aparição desta «negra sombra» que se interpõe entre o doente e o mundo?

«Para além do avançar da idade, que é o factor de risco mais importante, existe uma forte influência genética e já foi identificada a associação entre o fumo do tabaco e a DMI», esclarece Paulo Rosa, que complementa:

«Outros factores menos conclusivos, mas de potencial importância, são a aterosclerose, a exposição exagerada à luz solar, uma alimentação pobre em antioxidantes e a hipertensão arterial.»

A DMI é despoletada por lesões que ocorrem entre a retina e a coróide (que nutre a retina). Como consequência, surgem drusas (pequenos depósitos lipídicos redondos e de cor branco-amarelada), que provocam a morte das células fotorreceptoras, responsáveis pela captação dos estímulos luminosos e pela comunicação com o cérebro para se dar o processo da visão.

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