75% das portuguesas não faz auto-exame da mama
Tudo começa quando células sãs se alteram… E quando se fala em células saudáveis que degeneram não raras vezes serve para fazer referência ao cancro.
Como é sabido, existem vários tipos de tumores. E, no que diz respeito à mama, quando as ditas células sãs da glândula mamária se alteram transformam-se em células malignas, consequentemente, proliferam e multiplicam-se de uma forma descontrolada até constituírem o tumor.
De acordo com o Prof. Jorge Soares, presidente da Sociedade Portuguesa de Senologia (SPS), «morrem 1600 mulheres por ano com cancro da mama em Portugal, ou seja, 4-5 por dia. São diagnosticados 11 a 12 novos casos por dia; o cancro da mama é a doença que mais mata entre a população feminina, no grupo etário dos 45-69 anos».
A dimensão pessoal, familiar e social deste problema conduziu à criação de um dia especial no calendário que assinala, a cada 30 de Outubro, o Dia Mundial do Cancro da Mama.
Todavia, não indiferentes a estes dados, e com base nos resultados obtidos a partir de um inquérito dirigido às mulheres portuguesas, a Sociedade Portuguesa de Senologia (SPS), a Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) e a Laço decidiram alargar o período de sinalização desta data para uma semana – a Semana Nacional do Cancro da Mama, realizada pela primeira vez de Norte a Sul do País, entre os dias 25 e 30 de Outubro.
«Para a mulher, mais grave que ter cancro da mama é não saber que o tem, já que o tumor vai progredindo e, frequentemente, não vai permitir um tratamento curativo. Por isso, quisemos sensibilizar as mulheres, a sociedade, o poder político e os médicos de família», refere Jorge Soares, que cumpre o primeiro ano de um mandato de três anos na direcção da SPS.
De facto, segundo o especialista em patologia mamária, «só há uma maneira de reduzir a mortalidade por cancro da mama: diagnosticar o tumor numa fase inicial, fase em que se poderá assegurar haver a possibilidade de um sucesso terapêutico».
O médico refere-se, pois, ao diagnóstico precoce e diz existirem duas maneiras de o fazer:
«Em primeiro lugar, a mulher tem de tomar conta dela própria, fazendo o auto-exame todos os meses, 4-5 dias após o período menstrual e, sobretudo, depois dos 40 anos, deve consultar o seu médico anualmente e realizar uma mamografia periódica.»
Foi com a intenção de fazer chegar à população esta mensagem (e não só!) que se criou a Semana Nacional do Cancro da Mama.
Iniciativas várias
Desta forma, os principais centros urbanos foram contemplados com as mais diversas iniciativas da LPCC e da SPS, que tiveram o apoio dos laboratórios farmacêuticos AstraZeneca, Bristol-Meyers Squibb, Novartis, Roche Farmacêutica, Sanofi-Aventis e Schering-Plough.
Na invicta «passeou» o «eléctrico cor-de-rosa» com o intuito de dar informações úteis às mulheres. Com o mesmo objectivo, o «comboio da luta contra o cancro da mama» efectuou o percurso Porto-Lisboa. Decorreram também acções de formação em vários liceus de Coimbra e, em Beja, decorreram as Jornadas sobre rastreio do cancro da mama. Esteve também patente na Praça de Londres, em Lisboa, uma tenda onde as mulheres puderam obter informações sobre o tema e visualizar um mural onde constavam nomes de mulheres e a mensagem «Eu já fiz a minha mamografia».
Dirigida aos políticos, teve lugar na Assembleia da República uma acção de informação, que visou sensibilizar a classe para a urgência dos rastreios junto da população.
Ainda no âmbito das comemorações, foi organizado um concerto no Palácio Nacional da Ajuda, com a conceituada fadista Mariza.
«Ao chegarmos às pessoas através de múltiplos meios, ficamos com uma excelente percepção onde se centram os problemas de deficiência de informação relativamente ao cancro da mama», diz Jorge Soares, afirmando convictamente que o balanço da Semana Nacional do Cancro da Mama foi deveras positivo.
Aliás, segundo indica Jorge Soares, «a organização destas comemorações implicou um enorme esforço, que será aperfeiçoado no próximo ano. Até porque, como foi a primeira vez que realizámos um evento desta índole, as actividades decorreram, sobretudo, nos grandes centros urbanos. Para o ano, queremos atingir as localidades periféricas».

