Detecção Precoce para o Cancro da Próstata - Médicos de Portugal

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Detecção Precoce para o Cancro da Próstata

12 Janeiro, 2005 0

O que é detecção precoce ou screening de um tipo de cancro?

Detecção precoce ou screening para um tipo de cancro é o processo de procurar um determinado tipo de cancro na sua fase inicial, antes mesmo que ele cause algum tipo de sintoma. Em alguns tipos de cancro, o médico pode avaliar qual grupo de pessoas corre mais risco de desenvolver um tipo específico de cancro por causa de sua história familiar, por causa das doenças que já teve ou por causa dos hábitos que tem, como fumar, consumir bebidas de álcool ou comer dieta rica em gorduras.

A isso se chama factores de risco e as pessoas que têm esses factores pertencem a um grupo de risco. Para essas pessoas, o médico pode indicar um determinado teste ou exame para detecção precoce daquele cancro e com que frequência esse teste ou exame deve ser feito. Para a maioria dos cancros, quanto mais cedo (quanto mais precoce) se diagnostica o cancro, mais chance essa doença tem de ser combatida.

Qual é o teste que diagnostica precocemente o cancro de próstata?

A próstata é uma glândula masculina que se localiza entre a bexiga e o recto. Essa glândula participa da produção do sémen, líquido que carrega os espermatozóides produzidos no testículo. Ela envolve a uretra e seu tamanho normal é de uma azeitona. Essa glândula é composta por vários tipos de células, mas o cancro mais conhecido como cancro de próstata é aquele do tipo adenocarcinoma.

Não se sabe qual o mecanismo que leva as células glandulares da próstata a sofrerem uma malignizacção e, apesar de se ter lesões precoces reconhecíveis, como a neoplasia intracelular de próstata, lesões benignas precursoras não são normalmente identificáveis.

Os exames realizados para se detectar, precocemente ou não, esse tipo de cancro, são:

» o toque rectal;

» o exame de ultra-sonografia transrectal;

» o exame de PSA (antígeno prostático-específico).

Como o médico faz esse exame?

O exame de toque rectal é aquele em que um médico especialista ou profissional treinado introduz o dedo indicador recoberto por uma luva no ânus do paciente afim de palpar a porção anterior do recto, região em que se localiza a próstata. Se há uma aumento da glândula ou a presença de endurecimento ou nódulos, o examinador pode definir aonde se localiza essa alteração e recomendar outros exames diagnósticos mais detalhados para se descartar ou não a possibilidade de uma alteração neoplásica.

O exame de ultra-sonografia ou ecografia transrectal é um exame em que um transdutor (aparelho que emite uma onda sonora e o seu eco é captado pelo mesmo aparelho para gerar uma imagem na tela de um monitor) é introduzido no recto do paciente através do ânus, e assim, de modo semelhante ao exame do toque rectal, a próstata e as outras estruturas do assoalho pélvico são visualizados para se detectar alterações de tamanho ou forma.

O PSA, ou Antígeno Prostático-Específico, é um exame de sangue que mede níveis de uma substância relacionada a alterações presentes na próstata. Na maioria das vezes, quando muito aumentado, significa que houve uma alteração maligna das células dessa glândula. Porém, quando os níveis estão levemente aumentados, pode ser devido a qualquer outra alteração da próstata, inclusive um toque rectal recente. Por outro lado, alguns pacientes com cancro da próstata não tem esse exame alterado.

Durante muitos anos, o único exame realizado para detectar alterações na próstata foi o toque rectal. Desta época, sabe-se que é um exame relativamente fácil de ser feito, sem grandes complicações ou efeitos colaterais associados.

Sabe-se também que esse exame é capaz de diagnosticar esse tipo de cancro na sua fase bem inicial, quando feito regularmente. Porém, nenhum estudo demonstrou que fazer esse exame anualmente ou duas vezes por ano diminui a chance de morrer por esse tipo de cancro.

Ou seja, o fato de se aumentar o número de pacientes que se diagnostica o cancro na sua fase inicial não significa necessariamente que o conjunto de homens que terão esse tipo de cancro vão ter uma evolução melhor do que teriam, morrendo menos por causa desse tipo de tumor.

No final da década de 80, o uso de ultra-sonografia transrectal e exame de PSA começou a crescer. E o número de diagnóstico desse tipo de cancro também cresceu. Após algum tempo, notou-se que uma série desses tumores eram tumores na sua fase inicial os quais, fossem tratados ou não, não necessariamente significava que teriam uma melhor evolução. Concluiu-se daí que estes exames diagnosticavam muitos tumores que, se não tivessem sido diagnosticados por este métodos de screening, talvez nunca se transformassem na doença propriamente dita. Poderiam na verdade estar transformando uma pessoa saudável em uma “pessoa saudável com diagnóstico de cancro””

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