75% das portuguesas não faz auto-exame da mama
Tratamento em fase inicial
A Aventis anunciou recentemente a aprovação pelas autoridades de saúde norte-americanas (FDA) de uma nova indicação do docetaxel – um combinado com doxorrubicina e ciclofosfamida (regime TAC) – para o tratamento das mulheres com cancro da mama operável.
De referir que a submissão adicional desta nova indicação recebeu uma Priority Review da FDA, que é atribuída aos fármacos que têm o potencial de constituir um avanço terapêutico significativo. Esta indicação
adicional obteve já um parecer favorável das autoridades reguladoras Europeias (EMEA), aguardando-se para breve a sua aprovação final.
A FDA baseou a sua decisão nos resultados de uma segunda análise interina do estudo BCIRG 001/ TAX 316 do Breast Cancer International Research Group, que demonstrou que as mulheres com cancro da mama em fase inicial que receberam um regime quimioterapêutico (TAC) baseado no docetaxel após cirurgia reduziram significativamente (25.7%) o risco de reincidência (ausência de recidiva) quando comparadas com mulheres tratadas com outros regimes de combinações adjuvantes.
Em quase cinco anos de follow-up (55 meses), a redução significativa do risco de reincidência proporcionada por esta terapêutica foi verificada independentemente do estado dos receptores hormonais.
Participaram neste estudo 1491 mulheres pré e pós-menopáusicas com cancro da mama em fase inicial provenientes de 20 países e de 112 locais, recrutadas entre Junho de 1997 e Junho de 1999.
«A aprovação pela FDA do docetaxel para o tratamento do cancro da mama em fase inicial demonstra a eficácia deste agente em vários estados do cancro da mama», afirmou o Dr. Frank Douglas, vice-presidente executivo da Drug Innovation and Approval e membro do Conselho de Administração da Aventis.
E acrescentou: «Mais importante ainda é o facto desta aprovação marcar um importante avanço para mulheres diagnosticadas com cancro da mama em fase inicial, uma vez que melhora significativamente a sobrevivência livre de doença.»
Estima-se que, no mundo inteiro, mais de 300 mil mulheres, por ano, sejam diagnosticadas com cancro da mama em fase inicial (cancro localizado na mama com ou sem invasão dos nódulos linfáticos axilares). A maior parte destas doentes recorrem à cirurgia para remover o tumor. Depois da cirurgia, grande parte recebe tratamentos adicionais, que poderão incluir quimioterapia para reduzir a probabilidade do reaparecimento do tumor.
O inquérito percursor
Os resultados do inquérito denominado Avaliação do Posicionamento da População Portuguesa Face ao Cancro da Mama, levado a cabo pela SPS, pela LPCC e pela Roche Farmacêutica, em Setembro último, impulsionaram o alargamento das comemorações do Dia Mundial do Cancro da Mama.
A pesquisa teve como objectivo descobrir o conhecimento e a forma como as portuguesas encaram o cancro da mama. Para isso, foi efectuada uma sondagem telefónica a uma amostra de 799 mulheres com idade superior a 18 anos.
Ora, o estudo, que antecipou a Semana Nacional do Cancro da Mama, revelou, entre muitos outros dados, que 75% das inquiridas não fazem auto-exame da mama e que 76% gostariam de saber mais sobre o cancro da mama. Mas, 64% demonstraram ter um significativo conhecimento sobre a doença, 44% revelaram ter conhecimento de quatro ou mais tratamentos. Contudo, apenas 11% disseram conhecer terapêuticas de biotecnologia, bem como os testes de despistagem.
Sofia Filipe

