Voluntariado: Tempo para dar - Médicos de Portugal

A carregar...

Voluntariado: Tempo para dar

26 Janeiro, 2010 0

Oferecer um pouco de tempo e de saber – é este o princípio do voluntariado, base de uma comunidade mais solidária e em que a entreajuda não é uma palavra vã.

Manda a tradição que quando batem as doze badaladas que separam cada 31 de Dezembro do 1 de Janeiro se peçam desejos e se façam votos para o ano que se estreou. Nesses minutos há quem construa castelos de sonhos irrealizáveis e há quem trace metas muito realistas. Entre o sonho e a realidade, certo é que poucos resistirão a assinar compromissos consigo próprios.

A festa já lá vai mas o ano ainda é uma criança. Ainda há, pois, tempo, muito tempo para juntar mais um projecto à lista escrita mentalmente entre um golo de champanhe e uma passa: porque não ser voluntário?

O voluntariado é uma forma de viver em comunidade, é uma oferta que se faz aos outros. E uma oferta muito generosa. Há sempre quem precise.

Crianças e adultos que estão hospitalizados, distantes de casa, com a saudade a acentuar o sofrimento; idosos que vivem sós e isolados…

São pessoas que, muitas vezes, apenas precisam de companhia, de quem com elas fale e – mais importante – que as ouçam.

Essa voz amiga pode ser proporcionada pelo voluntariado. Define-se como um conjunto de acções de interesse social e comunitário, realizadas de forma desinteressada por pessoas, no âmbito de projectos, programas e outras formas de intervenção ao serviço dos indivíduos, das famílias e da comunidade, sem fins lucrativos, desenvolvidos por entidades públicas ou privadas.

Esta é a definição oficial de voluntariado. Mas também é possível ser solidário sem estar integrado num projecto ou estrutura: as relações de boa vizinhança e a solidariedade individual não têm preço para quem delas precisa e beneficia.

E na sociedade actual esta é uma atitude cada vez mais necessária. O envelhecimento é uma realidade inquestionável: não são precisas estatísticas para o comprovar, basta olhar à volta. Os avanços da ciência vieram acrescentar anos à vida e o grande desafio é hoje acrescentar vida aos anos.

Quando os anos se somam, o organismo vai ficando mais frágil. Mesmo os idosos “sãos como pêros” perdem autonomia: os membros já não reagem com a flexibilidade de antes e a memória vai pregando algumas partidas – é assim o envelhecimento.

Os filhos, quando os há, há muito que saíram do lar de família para construírem o seu próprio caminho, um caminho que, quantas vezes, os leva para mais longe do que desejariam.

E, mais cedo ou mais tarde, chega o momento da viuvez. Perde-se o companheiro ou companheira de anos, vão desaparecendo amigos e familiares.

[Continua na página seguinte]

É um cenário propício ao isolamento e à solidão. Mas é um cenário que se pode inverter e é aqui que o voluntariado tem uma acção decisiva. É claro que há situações de debilidade financeira, em que a necessidade maior é de alimentos e outros bens essenciais. Mas muitas vezes há uma fome mais escondida e ignorada: a de companhia, a de uma palavra amiga, de um gesto de conforto, de ajuda para pequenas tarefas do quotidiano. Palavras e gestos que podem ser proporcionados por uma pessoa solidária, disponível para dar algum do seu tempo e, porque não, do seu saber.

Páginas: 1 2

ÁREA RESERVADA

|

Destina-se aos profissionais de saúde

Informações de Saúde

Siga-nos

Copyright 2017 Médicos de Portugal por digital connection. Todos os direitos reservados.