Cuidados com pessoas acamadas
O quarto é a divisão na qual o acamado passa a maior parte do tempo, por isso os cuidados começam nesta divisão da casa. Este espaço deve ser arejado todos dias, evitando as correntes de ar; a limpeza é indispensável e a roupa de cama deve ser mudada, preferencialmente, todos os dias. Os lençóis devem ser 100 por cento algodão, para evitar a transpiração do doente (é o tecido mais saudável para estar em contacto com a pele) e poderem ser lavados a altas temperaturas.
Os cuidadores de acamados, desde que orientados, aprendem rapidamente a mudar os lençóis assegurando que o acamado não corre o risco de cair ou ficar em posições muito desconfortáveis. Igualmente estes cuidadores aprendem a ajudar o acamado a levantar-se e a deslocar-se para uma poltrona, adoptando as posturas mais correctas. Se é cuidador, se tem a seu cargo um acamado, peça aconselhamento ao seu farmacêutico sobre estes preceitos de higiene e conforto.
O quarto deve ser adaptado de modo a que a cama ocupe o lugar central, permitindo que o cuidador se movimente com facilidade para proceder às lavagens, ajudar o acamado a sair da cama, servir-lhe as refeições, entre outras situações.
O banho da pessoa acamada deve ser diário – o cuidado regular da higiene pessoal faz-se de acordo com o nível de dependência – utilizando para o efeito uma esponja embebida em água e sabão ou gel de banho enriquecido em emolientes.
O banho é ainda uma boa oportunidade para verificar o estado da pele, unhas e cabelos, examinar se existem lesões escondidas ou escaras que estão a aparecer. Depois de secar muito bem a pele (para que não surjam infecções), o corpo deve ser massajado com creme hidratante.
A higiene da boca é de grande importância. Deve ser realizada após cada refeição, utilizando uma escova ou uma espátula revestida com gaze e embebida numa solução bocal apropriada.
As unhas devem ser mantidas curtas e limpas e cortadas a direito.
Evitar as escaras
As escaras, também chamadas “úlceras de decúbito” ou “úlceras de pressão”, formam-se com o peso do corpo em determinadas zonas da pele, devido à compressão das partes moles que ficam entre o osso e uma superfície externa dura. É por isso que o acamado deve mudar de posição de duas em duas horas ou de quatro em quatro horas.
Promover esta mobilidade requer destreza por parte de quem cuida. Há, no entanto, algumas técnicas que facilitam como colocar o lençol atravessado na cama ao puxá-lo, o corpo do doente move-se com facilidade. Casos há em que é absolutamente necessário recorrer ao uso de camas articuladas: a opinião do médico pode ser determinante. As regiões mais propensas ao desenvolvimento das escaras são os calcanhares; tornozelos; nádegas; cotovelos e ombros. Como as escaras são favorecidas pela imobilidade, quanto mais tempo for mantida a mesma posição maior é a probabilidade de aparecerem.
Deve-se estar atento aos mais pequenos indícios de uma escara, através da observação diária e regular da pele. Os primeiros sinais podem ser apenas um ponto vermelho na pele ou uma pequena bolha (flictena). No caso do aparecimento de uma bolha, deve evitar-se a todo o custo que ela rebente, pois dará lugar à escara. A bolha deve ser seca e protegida com um penso adequado.

