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Tuberculose: Uma doença grave mas que pode ser controlada

2 Maio, 2007 0

A tuberculose é uma doença que continua, em 2007 – 125 anos depois da descoberta do bacilo por Robert Koch e mais de 50 anos depois de se começar a dispor de medicamentos eficazes – a suscitar reacções de medo, de pânico, semelhantes às que antigamente se observavam.

O bacilo da tuberculose existe há milhares de anos. Temos provas da sua existência, por exemplo, por lesões encontradas em múmias do Antigo Egipto.

A sua vida produz-se pela existência em seres vivos animais. Quando penetra num ser vivo é, na maior parte dos casos, neutralizado pelas defesas do organismo, não chegando a provocar doença. Em alguns casos provoca uma lesão inicial (primo-infecção) que é, também ela, neutralizada. Neste caso, ficam alguns bacilos quiescentes e “adormecidos”, não chegando nunca na vida desse hospedeiro a provocar dano significativo.

Refira-se ainda que, se a tuberculose é uma doença grave como todos sabemos, ela pode também evoluir espontaneamente para a cura. É por isso que antigamente, quando ainda não havia tratamento para a tuberculose, se havia muitos (muitíssimos) casos de morte, nem todos os doentes morriam e uma parte deles se curava.

O bacilo da tuberculose, o Mycobacterium tuberculosis, é uma bactéria de desenvolvimento lento, que provoca uma doença arrastada, lenta, e que pode mesmo curar sem acção externa ao organismo afectado.

A tuberculose ficou com esta fama de doença mortal sobretudo por provocar uma doença de evolução arrastada, e assim dar tempo para ser lembrada.

Um pouco de história sobre a tuberculose

O que sabemos da vida de personagens ilustres que morreram de tuberculose espelha esta realidade. Chopin esteve doente com tuberculose os últimos dez anos da sua vida, e muitos são os casos de doentes famosos que ilustram esta longa agonia (não na cama de doente, mas vivendo com dificuldade progressivamente maior a sua doença).

É devido a esta evolução longa que a tuberculose fica mais lembrada do que muitas outras doenças contagiosas do passado.

Há cerca de 30-40 anos a tuberculose era uma doença já bastante bem controlada em países com serviços de saúde dignos desse nome e começou-se a desvalorizar a sua importância. Sabe-se que o que não afecta os países ditos ricos não é motivo de atenção da opinião pública. Daí que se achasse que a “tuberculose estava quase controlada” e “quase não havia” e mesmo no nosso país – onde a tuberculose continuava a ser muito prevalente na comunidade – o discurso oficial era esse.

Só quando os Estados Unidos da América, por volta dos anos 80, detectam um grave recrudescimento da doença em algumas das suas grandes cidades é que “todo o mundo” volta a falar da tuberculose.

Nessa altura a tuberculose voltou a aparecer? No caso do nosso país e de muitos outros com situações semelhantes, a tuberculose nunca tinha desaparecido e os serviços respectivos sempre foram tratando os doentes. Passou apenas a falar-se da realidade epidemiológica existente.

Do ponto de vista individual, o melhor é não ter doença nenhuma, mas a ter uma, que seja curável; a tuberculose é uma dessas doenças.

Do ponto de vista colectivo, a tuberculose é uma doença controlável: a acção dos serviços de saúde permite atingir esse objectivo; o comprometimento político dos governos é uma peça complementar determinante para o sucesso dessa luta.

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