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Superficial mas muito contagioso

26 Junho, 2009 0

É assim o impetigo: uma infecção superficial da pele mas muito contagiosa. Coçar é meio caminho andado para espalhar as bactérias que dão origem a esta doença muito comum entre as crianças.

É entre os dois e os seis anos que o impetigo é mais comum, o que se explica pelo facto de, nestas idades, as crianças frequentarem espaços colectivos, onde o contacto directo é inevitável. Partilham brinquedos e outros objectos, tocam-se umas às outras, o que abre a porta ao contágio. É assim que muitas doenças proliferam entre os mais pequenos e o impetigo não é excepção.

Trata-se de uma infecção cutânea causada por duas bactérias, uma da família dos estafilococos e outra da família dos estreptococos. São bactérias que podem viver na pele sem provocar quaisquer danos, até que se aproveitam de uma ferida – um corte, um arranhão ou uma picada de insecto, por exemplo – para penetrar na epiderme e dar origem ao impetigo. Há, no entanto, excepções e, nas crianças, a doença pode desenvolver-se numa pele saudável, sem lesões aparentes.

Qualquer parte do corpo pode ser afectada, mas é sobretudo à volta do nariz e da boca, nas mãos e nos antebraços (e nas crianças mais pequenas, também na região das fraldas) que as lesões características da doença se concentram. São pequenas úlceras vermelhas que se rompem facilmente, deixando à mostra zonas de pele avermelhada e húmida que podem libertar fluidos.

Gradualmente, forma-se uma crosta, entre o amarelo e o castanho. Na forma mais grave da doença, irrompem bolhas repletas de líquido ou pus, que causam dor e podem evoluir para úlceras mais profundas. Num caso e noutro, a comichão é grande.

E é precisamente a comichão que potencia a transmissão desta doença altamente contagiosa. Dado o incómodo, uma criança com impetigo tende a coçar as lesões, após o que facilmente leva as mãos a outras partes do corpo, espalhando a infecção. O contágio acontece também através do contacto directo com outras crianças (ou adultos) e da partilha de objectos, nomeadamente, toalhas, almofadas e lençóis. E, é claro, brinquedos, o que faz das creches, infantários e escolas espaços de risco.

Qualquer pessoa pode ter impetigo, mas quem sofre de doenças dermatológicas crónicas, como a dermatite atópica, tem maior probabilidade. Em adultos com diabetes ou sistema imunitário comprometido aumenta a possibilidade de contraírem a forma mais grave da doença.

 

Complicações raras mas possíveis

Apesar do elevado grau de contagiosidade, raramente o impetigo assume proporções graves. No entanto, as complicações são possíveis e não devem ser descuradas, porque, quando acontecem, podem ser muito sérias. Uma delas é uma inflamação renal chamada glomerulonefrite pós-estreptocócica, que ocorre quando os anticorpos que se formam em consequência da infecção danificam os glomérulos, as pequenas estruturas dos rins que filtram os resíduos tóxicos. Inchaço facial, sobretudo à volta dos olhos, escassa produção de urina e sangue na urina, pressão arterial elevada e articulações rígidas e dolorosas são os sintomas desta condição que, no extremo, pode evoluir para insuficiência renal crónica.

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