Superficial mas muito contagioso
E é precisamente a comichão que potencia a transmissão desta doença altamente contagiosa. Dado o incómodo, uma criança com impetigo tende a coçar as lesões, após o que facilmente leva as mãos a outras partes do corpo, espalhando a infecção. O contágio acontece também através do contacto directo com outras crianças (ou adultos) e da partilha de objectos, nomeadamente, toalhas, almofadas e lençóis. E, é claro, brinquedos, o que faz das creches, infantários e escolas espaços de risco.
Qualquer pessoa pode ter impetigo, mas quem sofre de doenças dermatológicas crónicas, como a dermatite atópica, tem maior probabilidade. Em adultos com diabetes ou sistema imunitário comprometido aumenta a possibilidade de contraírem a forma mais grave da doença.
Complicações raras mas possíveis
Apesar do elevado grau de contagiosidade, raramente o impetigo assume proporções graves. No entanto, as complicações são possíveis e não devem ser descuradas, porque, quando acontecem, podem ser muito sérias. Uma delas é uma inflamação renal chamada glomerulonefrite pós-estreptocócica, que ocorre quando os anticorpos que se formam em consequência da infecção danificam os glomérulos, as pequenas estruturas dos rins que filtram os resíduos tóxicos. Inchaço facial, sobretudo à volta dos olhos, escassa produção de urina e sangue na urina, pressão arterial elevada e articulações rígidas e dolorosas são os sintomas desta condição que, no extremo, pode evoluir para insuficiência renal crónica.
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Outra complicação possível é a celulite, infecção das camadas mais profundas da pele que se pode espalhar pelos nódulos linfáticos e atingir a corrente sanguínea. Sem tratamento, pode colocar a vida em risco.
Em resultado do impetigo podem ocorrer ainda alterações na pigmentação da pele, que tanto pode ficar mais clara como mais escura.
Normalmente, em duas a três semanas o impetigo desaparece. O tratamento envolve antibióticos, dado que esta doença é causada por bactérias. Quando as lesões são localizadas, pode ser suficiente a aplicação de uma pomada antibiótica, mas se a infecção já se espalhou a outras partes do corpo pode ser necessário a administração oral de antibiótico. O que é importante é cumprir o tratamento de acordo com a prescrição médica, sob pena de a doença se complicar. A par do tratamento há medidas de higiene que ajudam à recuperação da pele. Assim, é fundamental manter a pele limpa, lavando as lesões com uma solução anti-séptica e, de preferência, mantê-las protegidas por uma gaze.
E dado que a comichão é grande, há que manter as unhas cortadas rente, de modo a prevenir o risco de aprofundar as lesões.
A prevenção passa também por cuidar das feridas para que cicatrizem rápida e correctamente: assim, há que desinfectá-las e protegê-las com um penso adequado.
Prevenir não é só evitar ser infectado, é também evitar infectar outros. É por isso que uma criança com impetigo deve ficar em casa, sem ir à escola, enquanto o tratamento não estiver concluído. Afinal, o risco de infecção é maior quando há muitas pessoas juntas. E também aumenta no verão, dada a preferência das bactérias pelo clima quente e húmido…

