Programa de rastreio nacional à Displasia de Desenvolvimento da Anca
“Na maioria dos recém-nascidos com um diagnóstico realizado precocemente, o tratamento e fácil e o prognóstico é bom. Perante um diagnóstico tardio, os tratamentos são mais complicados e o prognóstico piora em conformidade”, explica o Dr. Manuel Cassiano Neves, coordenador da Secção para o Estudo da Ortopedia Infantil (SEOI) da Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia (SPOT).
Para as mães demasiado preocupadas com a realização de exames em idades tão precoces, fique a saber que a observação clínica é realizada através de uma ecografia da anca. “É um exame inócuo, não tem radiação, e pode fornecer dados objectivos muito importantes para o diagnóstico desta displasia”, garante Gilberto Costa.
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Como tratar?
O tratamento da doença deverá ser sempre orientado por um ortopedista e é diferenciado consoante os casos. Quando o diagnóstico é feito à nascença existem especialistas que recomendam o uso de fraldas duplas ou triplas, com vista ao posicionamento normal da anca. Quando se diagnostica a luxação, são prescritos aparelhos de correcção. No caso das crianças mais velhas, em que o diagnóstico é tardio, a correcção é na maioria dos casos cirúrgica, sendo necessário um aparelho com gesso durante um período de tempo alargado. Por outro lado, a deterioração precoce das articulações pode trazer consequências a curto prazo para estes recém-nascidos.
“Se o tratamento for instituído logo nas primeiras semanas após o nascimento, termina ao fim de 10 a 12 semanas, com percentagens de êxito muito perto dos 100%. Se dissermos que a percentagem de bons resultados vai diminuindo significativamente com o tratamento iniciado após os 3 meses, vale a pena insistir no diagnóstico e tratamento precoce da DDA”, informa Gilberto Costa.
Programa nacional de rastreio
A SEOI da SPOT vai implementar, no próximo mês de Janeiro, em conjunto com as Sociedades de Pediatria, Radiologia e com a Associação Portuguesa dos Médicos de Clínica Geral, um programa nacional de rastreio da DDA na criança.
“Trata-se de um programa que procuraremos instalar a nível nacional e que será dirigido a todas as maternidades e hospitais públicos que possuam serviços de obstetrícia, com apoio de neonatologia e de ortopedia. Gilberto Costa explica que este programa constará de dois protocolos: “um a utilizar na observação dos recém-nascidos, dirigido aos médicos obstetras e que contará com o apoio sequencial de neonatalogistas e ortopedistas.
O outro será dirigido aos médicos pediatras e ortopedistas no sentido de que, na observação das crianças até à idade da marcha, seja incluído o despiste da DDA”. É essencial que todos os recém-nascidos sejam submetidos ao programa de rastreio nacional para garantir a efectividade do mesmo.
Para Cassiano Neves, “ao final de um ano, será possível ter uma ideia do que será necessário corrigir. O grande objectivo passa por erradicar as luxações da anca diagnosticadas tardiamente”.
Para mais informações, aceda a www.spot.pt ou contacte a Sociedade através do número de telefone 218 958 666 e do e-mail spot@spot.pt

