Programa de rastreio nacional à Displasia de Desenvolvimento da Anca
“Se o tratamento for instituído logo nas primeiras semanas após o nascimento, termina ao fim de 10 a 12 semanas, com percentagens de êxito muito perto dos 100%. Se dissermos que a percentagem de bons resultados vai diminuindo significativamente com o tratamento iniciado após os 3 meses, vale a pena insistir no diagnóstico e tratamento precoce da DDA”, informa Gilberto Costa.
Programa nacional de rastreio
A SEOI da SPOT vai implementar, no próximo mês de Janeiro, em conjunto com as Sociedades de Pediatria, Radiologia e com a Associação Portuguesa dos Médicos de Clínica Geral, um programa nacional de rastreio da DDA na criança.
“Trata-se de um programa que procuraremos instalar a nível nacional e que será dirigido a todas as maternidades e hospitais públicos que possuam serviços de obstetrícia, com apoio de neonatologia e de ortopedia. Gilberto Costa explica que este programa constará de dois protocolos: “um a utilizar na observação dos recém-nascidos, dirigido aos médicos obstetras e que contará com o apoio sequencial de neonatalogistas e ortopedistas.
O outro será dirigido aos médicos pediatras e ortopedistas no sentido de que, na observação das crianças até à idade da marcha, seja incluído o despiste da DDA”. É essencial que todos os recém-nascidos sejam submetidos ao programa de rastreio nacional para garantir a efectividade do mesmo.
Para Cassiano Neves, “ao final de um ano, será possível ter uma ideia do que será necessário corrigir. O grande objectivo passa por erradicar as luxações da anca diagnosticadas tardiamente”.
Para mais informações, aceda a www.spot.pt ou contacte a Sociedade através do número de telefone 218 958 666 e do e-mail spot@spot.pt
Perante esta realidade, durante o primeiro trimestre do próximo ano, em todas as maternidades do país e hospitais com serviços de obstetrícia terá inicio o programa de rastreio de todos os recém-nascidos, de forma a evitar complicações futuras em bebés com alterações na anca.
A Displasia de Desenvolvimento da Anca (DDA) é uma patologia na qual existe uma relação anormal entre a cabeça do fémur e o acetábulo (os componentes da articulação da anca). “É uma patologia neo-natal relativamente frequente, caracterizada pela deficiente relação entre os componentes da articulação da anca, à custa de uma má formação intra-uterina dos mesmos”, explica o Prof. Gilberto Costa, Director da Unidade de Ortopedia Infantil do Hospital de São João.
Os factores de risco para a DDA são vários, nomeadamente, o sexo feminino, a raça branca, os antecedentes familiares e a apresentação de pelve na altura do parto. “Em 30 a 50% dos casos, em que o bebé está em posição pélvica (sentado), a anca está em flexão máxima e com os movimentos limitados, o que favorece a luxação“, indica Gilberto Costa.
Diagnóstico precoce
O exame de rotina de todos os recém-nascidos deve incluir um conjunto de manobras que podem levar à suspeita de uma DDA. “A assimetria das pregas inguinais e/ou nadegueiras, a limitação do movimento de abdução das ancas (abertura das coxas), são alguns dos sinais de suspeita no exame do recém-nascido. Após o período neo-natal, a avaliação da anca deve manter-se nas consultas de rotina pediátricas”, salienta o ortopedista. O diagnóstico tardio é realizado muitas vezes quando a criança tem uma forma estranha de andar ou tarda em iniciar a marcha.

