Prémio Bial contra declínio do médico-cientista
“O Prémio Bial é um balão de oxigénio”, afirmou João Lobo Antunes, presidente do júri do Prémio Bial 2008, a propósito da apresentação da 13ª edição do Prémio Bial, que teve lugar hoje, dia 6 de Dezembro, em Lisboa. O médico falou do problema do declínio da investigação associada à medicina e apresentou este galardão como um contributo para o fomento da investigação.
No encontro, cujo tema central foi “Prémio Bial: Investigação Médica – ameaças e oportunidades”, João Lobo Antunes traçou a evolução da investigação na área médica nos últimos 50 anos, apresentando as suas actuais tendências.
Actualmente a investigação médica interage com a sociedade, a política e a ética, procurando-se a aplicação da ciência que se faz em laboratório à prática terapêutica que se traduz em resultados práticos para o doente.
A investigação médica é um trabalho em rede, feita em equipas multidisciplinares e muitas vezes internacionais.
O Presidente do Júri do Prémio Bial destacou ainda o facto de a medicina viver na era da tecnologia e da imagem e que cada vez mais procura ser prospectiva para pensar o futuro tendo em vista o “melhorar do capital biológico humano”.
A chamada de atenção na área da investigação médica está para Lobo Antunes, no declínio do médico-cientista, preocupação sintetizada na necessidade de existir “mais ciência para os médicos e mais médicos para a ciência”.
O afastamento do médico da investigação prende-se, segundo Lobo Antunes, com o facto de o avanço científico ser, neste momento, mais complexo, pelo que “há uma necessidade de os clínicos reaprenderem a investigar”.
A investigação está condicionada pela “falta de financiamento, falta de treino específico” e alguma “atitude de pessimismo entre os clínicos face à carreira de investigação”.
Para agravar a situação, o especialista afirma que “o tempo de estudo é demasiado longo”, pelo que os jovens médicos têm pressa de entrar rapidamente na vida profissional, descurando esta parte da carreira.
Este problema não é, todavia, circunscrito a Portugal, mas à Europa em geral. Segundo dados citados pelo médico, a percentagem do Produto Interno Bruto (PIB) que, na Europa, é investido em financiamento de investigação é de apenas 1,99%, contra os 2,76% dos Estados Unidos.
No Reino Unido, por exemplo, os “clinical lecturers” decresceram em 17% de 2003 para 2004, sendo esta tendência mais grave em algumas especialidades onde as descidas foram na ordem dos 75%.
Luís Portela, presidente do grupo e da Fundação BIAL, também comentou a situação europeia ilustrando como exemplo a investigação de novos medicamentos:
“Durante o Século XX, as empresas que mais produziram medicamentos foram europeias, mas esta situação inverteu-se a partir dos anos 90, em que os EUA começaram a liderar esta produção.
Não foram as empresas que começaram a produzir mais medicamentos, mas as europeias que neste momento produzem menos.”
Sobre o Prémio Bial
Coube a Luís Portela a apresentação da edição de 2008 do Prémio Bial, um dos maiores prémios da Europa, que visa constituir um estímulo à investigação e aos profissionais de saúde.
Este galardão engloba desde 1992 duas modalidades: o “Grande Prémio Bial de Medicina”, no valor de 150 mil euros, que privilegia a investigação básica, distinguindo trabalhos de índole médica de grande relevância e o “Prémio Bial de Medicina Clínica”, no valor de 50 mil euros, que premeia um tema livre dirigido à prática clínica. São ainda atribuídas quatro menções honrosas, no valor de 5 mil euros.
O valor global do Prémio Bial ascende a 220 mil euros e contempla ainda a primeira edição exclusiva, com uma tiragem de cerca de dez mil exemplares, do trabalho vencedor do Prémio Bial de Medicina Clínica, e de algumas das outras obras galardoadas, para divulgação e distribuição aos profissionais de saúde.
Sobre a Fundação Bial
A Fundação Bial é uma instituição sem fins lucrativos, considerada de utilidade pública, e que foi criada em 1994 pelos Laboratórios Bial em conjunto com o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas.
A Fundação Bial tem como missão a promoção do estudo do Homem, distinguindo-se pelo seu papel incentivador da investigação médica e científica a nível internacional. Para além do Prémio Bial, a Fundação Bial atribui Bolsas de Investigação Científica na área das neurociências e organiza o Simpósio Aquém e Além do Cérebro.
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