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Para evitar a droga – “Permita-se aos jovens concretizarem os seus sonhos”

9 Junho, 2007 0

Há cerca de 80 mil consumidores em Portugal. “A melhor forma de contribuirmos para a perda de importância das drogas é proporcionar aos nossos jovens outras formas de serem felizes, de realizarem os seus sonhos, de se realizarem pessoal e profissionalmente”.

A afirmação é do Presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT), João Goulão, que estima existirem em Portugal cerca de 80 mil consumidores, apesar da vasta informação disponível sobre os seus malefícios.

Em entrevista ao Jornal do Centro de Saúde, este responsável fala-nos das razões que levam os jovens a refugiarem-se na droga, estratégias de prevenção e onde recorrer para ajuda.

Em que consiste o trabalho desenvolvido pelo IDT?

O IDT é o organismo do Estado responsável pela coordenação das políticas relativas à droga (oferta) e em relação à toxicodependência (procura).

Resulta da fusão do FPTT – Serviço de Prevenção e Tratamento da Toxicodependência, que tinha como principal missão o tratamento dos toxicodependentes, com o IPDT – Instituto Português da Droga e da Toxicodependência.

Assumimos directamente responsabilidades na área da prevenção, do tratamento, da redução de risco e da redução de danos, da reinserção social e ainda a coordenação das comissões de dissuasão da toxicodependência, criadas na sequência da lei da descriminalização dos consumos.

Asseguramos ainda a representação de Portugal em diversas instâncias internacionais como, por exemplo, o Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência. Também participamos nos trabalhos do grupo da Organização das Nações Unidas.

As estatísticas existentes traduzem o número de consumidores de droga em Portugal?

Temos uma amostra de avaliação directa com base no número de pessoas que pedem ajuda nos nossos centros. No ano passado, os estudos indicaram que existiam 40 000 pessoas em tratamento.

A partir daqui, e cruzando com resultados retirados de outros estudos, estimamos que haja cerca do dobro deste número, em termos de consumidores problemáticos em Portugal.

Com toda a informação hoje disponível acerca dos malefícios do consumo de drogas, porque continua a haver tanta incidência na toxicodependência?

Considero que a informação é uma componente importante da prevenção, mas está longe de ser tudo.

A prevenção passa por conduzir a nossa sociedade a níveis de felicidade diferentes daquela que tem hoje e pela diminuição da necessidade de recorrer a “paraísos artificiais”. Depende muito pela capacidade de realização que a nossa juventude, e não só, consiga nas suas vidas.

Em termos de estratégias preventivas, não nos podemos esquecer que, na base destas substâncias, está o prazer que elas proporcionam. Funcionam como areias movediças e quando as pessoas dão por elas, estão atoladas e não conseguem libertar-se.

O grande e verdadeiro risco das drogas é que se tornem no único prazer que as pessoas são capazes de viver.

Na sua opinião, o que motiva os jovens a experimentarem drogas?

Nalguns casos, pelo desejo de ir contra a ordem estabelecida – uma atitude frequente na juventude – e pela experiência em si. Noutros, devido ao facto de estarem incluídos em determinado grupo e pela curiosidade.

Pode ser uma fuga a algumas situações de desagrado do dia-a-dia. Ou seja, uma forma de enfrentar o dia-a-dia que se torna pouco agradável e pouco gratificante.

Como acha que se pode evitar que os jovens entrem no mundo da droga?

A maneira de contribuirmos para a perda de importância das drogas é facultar à nossa juventude outras formas de serem felizes, de realizarem os seus sonhos, de serem pessoal e profissionalmente realizados. Acho que a grande medida preventiva é permitir aos jovens concretizarem os seus sonhos.

Que conselho dá aos jovens toxicodependentes que querem obter ajuda mas não sabem onde se dirigir?

Em termos de primeira ajuda para pessoas que tenham este problema e queiram ultrapassá-lo, devem começar por se dirigir ao CAT da sua área de residência. Há uma rede bastante alargada em todo o país. Nestes centros encontra-se uma equipa técnica pronta a assumir o tratamento daquela pessoa ou abrir-lhe as portas para a rede de recursos existentes, de forma a encontrar o caminho mais adequado.

Linha Vida – SOS Droga

A Linha Vida – SOS Droga foi uma das primeiras linhas de atendimento telefónico de ajuda para toxicodependentes criada na Europa. Esta linha destina-se a pessoas com problemas de droga e aos seus familiares para esclarecimento de dúvidas, pedidos de orientação relativamente a tratamentos e a pedidos de ajuda.

Funciona de Segunda a Sexta-feira e o acesso efectua-se pelo através do número 1414.

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