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Otosclerose

22 Março, 2014 0

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Tratamento da otosclerose

Para a escolha do tratamento, deve o clínico ter em atenção os seguintes parâmetros: idade, actividade profissional e desejo expresso pelo doente e risco incorrido com cada procedimento terapêutico.

O fluoreto de sódio tem sido o medicamento utilizado para retardar a progressão da doença. A cirurgia de eleição nestes casos designa-se por estapedectomia e consiste na remoção do estribo imobilizado e na sua substituição por uma minúscula prótese de teflon que volta a permitir a transmissão das ondas sonoras. Esta cirurgia comporta, no entanto, riscos não desprezíveis, como sejam: a surdez total e irreversível do ouvido operado, vertigens, acufenos (zumbidos) e paralisia facial.

Atendendo aos progressos tecnológicos e estéticos atingidos pelas próteses auditivas, estas são cada vez mais aconselhadas e incentivadas, já que não apresentam riscos e uma vez que a doença pode progredir mesmo após cirurgia (não é curativa, mas apenas paliativa).

A otosclerose é uma patologia severa que atinge a audição do ouvido médio humano. Essencialmente detectada em mulheres jovens e com tendência a agravar-se durante ou após a gravidez, a otosclerose carece de tratamento que interrompa ou retarde a sua progressão. Saiba o que é esta doença e como tratá-la.

De que forma ouvimos?

A audição consiste numa série de eventos durante os quais o ouvido converte as ondas sonoras em sinais eléctricos, originando impulsos nervosos posteriormente enviados ao cérebro onde são interpretados como sons. Neste processo estão activamente implicadas as três partes principais do ouvido: ouvido externo, médio e interno. O primeiro capta e conduz as ondas sonoras até ao tímpano, fazendo-o vibrar. As vibrações assim originadas são transmitidas, através dos ossículos do ouvido médio (martelo, bigorna e estribo), ao ouvido interno, aí progredindo através do fluido da cóclea (porção inicial do ouvido interno em forma de caracol). As células ciliadas desta última originam as transformações neurofisiológicas que levam à produção de impulsos nervosos, posteriormente transmitidos ao cérebro e aí finalmente interpretados como sons.

Em que consiste a otosclerose?

A otosclerose é uma displasia óssea dos ossículos do ouvido médio e da cápsula labiríntica do ouvido interno, caracterizada pela reabsorção e deposição óssea anormais nessas estruturas anatómicas do ouvido humano. O tecido ósseo anormal neoformado transforma-se gradualmente numa massa esclerótica densa que fixa a platina do estribo na janela oval, impedindo a transmissão das ondas sonoras do ouvido médio para o fluido da cóclea. Numa fase posterior, as células ciliadas também podem ser danificadas por enzimas do foco esclerótico.

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Quem é afectado pela otosclerose e porquê?

Estima-se que esta doença atinja cerca de 10% da população adulta caucasiana (raça branca), sendo menos frequente em outras raças e rara entre a população de origem africana. É duas vezes mais prevalente na população feminina (sobretudo entre a 2.ª e a 5.ª década de vida). Provavelmente por razões hormonais ainda não inteiramente esclarecidas, é particularmente preocupante em mulheres grávidas, as quais sofrem uma rápida, e por vezes importante, perda auditiva.

Aproximadamente 60% dos casos diagnosticados de otosclerose são de origem genética, sendo esta habitualmente considerada uma doença autossómica dominante. Existem, porém, outras causas: alterações bioquímicas, metabólicas e vasculares, agentes infecciosos, traumatismos e factores auto-imunes.

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