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Os portugueses pensam que são os outros que causam os acidentes

14 Outubro, 2007 0

“Os condutores têm de compreender que a velocidade é agravante de lesões. Por outro lado, e de acordo com um estudo efectuado, a grande maioria dos condutores portugueses, considera que os outros é que são os causadores de acidentes”, diz-nos o subdirector geral da Direcção Geral de Viação (DGV), Rogério Pinheiro.

Na entrevista que concedeu ao Jornal do Centro de Saúde, o também responsável pelo Observatório da Segurança Rodoviária fala-nos ainda sobre as alterações introduzidas pelo novo Código da Estrada e recomenda comportamento que reduzem os riscos de acidentes rodoviários.

Na sua opinião, quais são as principais causas dos acidentes rodoviários?

Há um número internacional comum à maioria dos países desenvolvidos que aponta que 92% dos acidentes rodoviários resultam de causas humanas. A maioria deve-se a comportamentos de risco, mas alguns resultam de inépcia do próprio condutor. E os restantes 8% estão equitativamente distribuídos pela viatura e pela via.

Temos tido ao longo destes anos um grande empenho nas medidas de sensibilização que resultaram na redução de comportamentos de risco, notando-se um abrandamento na velocidade. Contudo, ainda há condutores que não são susceptíveis de alterarem os seus comportamentos por via da sensibilização. Aí tem de se incrementar o sistema de fiscalização e punição.

Quais as principais diferenças e melhorias do novo Código da Estrada?

O Código da Estrada é uma lei que existe para ser cumprida pelos cidadãos. Contudo, reconhecemos que deve ser a lei mais incumprida do Estado português e a que mais violações sofre por dia.

A velocidade surge como um problema suplementar para a sinistralidade e associado a isso, surgem as manobras perigosas. Foi nesses aspectos específicos que actuámos em termos de Código da Estrada.

Aumentámos algumas coimas, mas parece-me que o impacto deste código não resulta deste aumento, mas sim do número de casos que passámos a considerar como contra-ordenações graves ou muito graves, que correspondem à apreensão por um período de um mês a um ano (se for grave) ou de dois meses a dois anos (caso seja uma contra-ordenação muito grave).

Houve uma ânsia de alterar os comportamentos de risco dos condutores (por via de uma punição pecuniária e de uma punição de inibição de conduzir) e não uma ânsia de angariar dinheiro, como fomos acusados.

Qual a evolução recente da sinistralidade?

O número de mortes em 2005 aumentou muito ligeiramente face ao ano passado. No entanto, diminuiu o número de feridos graves. Por via dos esforços que temos desenvolvido, somos dos países da Europa que, em termos relativos, apresenta a maior redução de sinistralidade.

Sinistralidade rodoviária em 2004:

Acumulação de sinistralidade por sinistro no período de 1 de Janeiro de 10 de Julho de 2005

No que respeita à sinistralidade infantil, quais as alterações no novo Código da Estrada?

Pusemos o sistema de retenção de crianças porque tínhamos uma elevada taxa de sinistralidade infantil. Infelizmente, o nível de adesão ao colete reflector é muito maior do que o nível de adesão dos pais para protegerem os seus próprios filhos.

Teremos de continuar a insistir neste domínio porque nos demos conta de que havia uma elevada sinistralidade infantil em acidentes em que os pais não sofriam nada.

As crianças, não levando o cinto e viajando entre bancos, podem ser facilmente projectadas. Por isso fizemos um grande esforço no que diz respeito ao sistema de retenção de crianças para incrementar as coimas e associá-las também a uma responsabilidade directa ao condutor que possibilite a protecção das mesmas. Fazemos hoje acções junto dos mais novos que nos parecem muito eficientes porque serão eles os condutores do futuro.

Indicamos-lhe uma série de comportamentos saudáveis para a condução que são estragados no momento em que entram nos carros dos pais. Isto acontece, por exemplo, quando os pais começam a incutir nos filhos um estímulo de corridas.

Que conselhos dá aos leitores do Jornal do Centro de Saúde de forma a reduzirem a sinistralidade?

O cumprimento integral do Código da Estrada reduz francamente a possibilidade de ter acidentes. Os condutores têm de compreender que a velocidade é agravante de lesões.

Não é por acaso que a França reduziu a sinistralidade grave brutalmente em 2004 quando aplicou o sistema de controlo de velocidade permanente em algumas estradas.

Fizemos também um estudo de opinião com o ISCTE em que se detectou que a grande maioria dos condutores portugueses acham que os outros são causadores de acidentes e eles não.

Para obter resultados a curto prazo, temos de fiscalizar e punir os comportamentos de risco dos condutores. É extremamente desagradável, mas a população tem de compreender que as entidades fiscalizadoras têm um papel extraordinariamente importante no combate à sinistralidade.

Programação de Fiscalização selectiva – medidas de actuação da PSP e da GNR nos próximos meses

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