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Televisão: amigo ou papão?

15 Outubro, 2007 0

Crianças e adolescentes portugueses estão cada vez mais dependentes da televisão. O Saúde Semanário conta-lhe os problemas que as horas em frente ao televisor podem trazer aos seus filhos e desvenda-lhe algumas dicas para fazer do pequeno ecrã um aliado.

“Ana vem jantar. – Espera, mãe, estou a ver os Morangos com Açúcar”. Esta é uma conversa recorrente na casa da família Lopes. Mal chegam a casa, os dois filhos do casal, de 8 e 13 anos vão a correr para a televisão. “Nem vale a pena tentar falar com eles”, conta o pai.

Depois de algumas discussões, sentiram necessidade de implementar regras e também de fazer cedências. Hoje, o jantar é às 20 horas, reflexo da série de sucesso da TVI. “Vêem os programas que gostam e durante a refeição aproveitamos para conversar”, explica a mãe. E acrescenta: “Tem de haver tempo para tudo”.

Em muitas casas portuguesas, a situação é semelhante. No entanto, a forma de lidar com o crescente interesse dos mais novos em relação ao pequeno ecrã varia.

Alguns encarregados de educação não descuram a existência de regras, outros, contudo, são mais permissivos. É o caso de Paulo Jorge, divorciado, que está com o filho, de 10 anos, apenas de duas em duas semanas. Apesar de achar que o Tomás vê demasiada televisão, diz depositar total confiança nas escolhas televisivas da criança. “Não supervisiono”, esclarece.

Televisão em excesso

As crianças e jovens portugueses com idades entre os 10 e os 16 anos passam uma média diária de 4,5 horas em frente da televisão, avança o estudo A Criança e a Televisão – Contributos para o Estudo da Recepção, apresentado pela investigadora Sónia Carrilho, como tese de mestrado na Universidade Católica de Lisboa. Ao fim-de-semana e nas férias, a televisão é a grande companhia das gerações mais novas. A exposição sobe para 7,5 horas.

“É extremamente excessivo”, comenta a psicóloga Elsa Lopes. Agitação nocturna, fantasias e dificuldades motoras de desenvolvimento retardado, resultante de passarem muito tempo sentados, são alguns dos problemas apontados pela especialista, ainda que considere ser difícil estabelecer uma causalidade directa. A responsável clínica recorda um caso que lhe passou pelo consultório: “uma criança, de 9 anos, estava convencida de ser um power ranger”.

Quantidade ou qualidade?

Elsa Lopes considera que mais importante que as horas que as crianças passam em frente ao televisor, é a qualidade dos programas visionados.

Cabe aos pais o papel de “reverterem a televisão a seu favor e utilizá-la de forma útil e produtiva na educação dos seus filhos”, segundo a especialista. (ver caixa conselhos).

E exemplifica: “os autores do fenómeno Morangos com Açúcar tiveram a preocupação de passar mensagens de valores sociais e morais, através da abordagem de temas actuais como o uso de drogas, a sexualidade, os grupos, as relações pais/filhos e professores/alunos”.

A Dra. Elsa Lopes aconselha:

1. Ensine o seu filho a ver programas e a evitar o “zapping”

2. Supervisione as escolhas do seu filho com a ajuda de um guia de programação televisiva

3. Veja os programas em família. Se tal não for possível, incentive o seu filho a falar sobre o que viu

4. Combata a passividade! Evite que o seu filho fique horas em frente ao ecrã sem ver nada específico

5. Não deixe que o seu filho tenha televisão no quarto

6. Incentive as crianças a brincar, praticar desporto e passear

7. As crianças com menos de dois anos não devem ver televisão

8. Antes de irem para a cama, as crianças devem a assistir a programas calmos

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