Drogas: Pais & Filhos
Não é fácil ter um filho toxicodependente. Muitos pais vivem na angústia de não saberem em que ponto da educação erraram e não conseguem lidar com o problema, que muitas vezes, começa na infância.
Quando alguém se interroga dos porquês da entrada na toxicodependência, surgem inevitavelmente por esta ordem ou outra, a busca do prazer imediato, a pressão por parte dos outros, a curiosidade, a acessibilidade, a vontade de se sentir mais velho (a) ou confiante, a revolta, a dificuldade de enfrentar a pressão, de conseguir lidar com maus tratos e abusos ou ainda como forma de melhorar a imagem.
Não nos esqueçamos de que estamos a tratar, na maioria das vezes, de uma franja particular da população – a juventude – que está habituada a receber mais informação do que aquela que pode descodificar e que é habitualmente confrontada com mais opções do que aquelas que pode tomar, numa idade em que é mais apetecível agir que reflectir.
Pode-se dizer que, de um modo geral, os jovens experimentam drogas porque o seu sistema de valores interno não está suficientemente desenvolvido para resistir às pressões externas.
Na origem dos problemas de infância que podem conduzir à droga, a atitude dos pais ou de quem exerça esse papel, é de primordial importância: Por Isso há 13 atitudes básicas que devem ser tomadas em linha de conta (1).
Cuidados a ter na infância
– Os pais devem dar às crianças um sentimento de segurança.
– A criança foi feita para sentir que é amada e desejada.
– O medo e o castigo devem ser evitados tanto quanto possível.
– Deve ser dada à criança a possibilidade de aprender a ser independente e responsável.
– Os pais devem aparentar calma e serem tolerantes, não se mostrando chocados, quando as crianças derem evidência de instintos “selvagens” próprios da sua condição humana.
– Os pais devem ser tão firmes e consistentes quanto possível, de forma a evitar, na criança, a confusão e o aparecimento de atitudes contraditórias.
– É pouco prudente fazer com que uma criança se sinta inferior.
– É imprudente forçar uma criança para além das suas capacidades.
– Os sentimentos e os desejos da criança devem ser respeitados, mesmo se não estiverem exactamente de acordo com os desejos dos pais. Á criança deve ser permitida a satisfação dos seus desejos, dentro, claro está, dos limites do razoável.
– Todas as perguntas que as crianças façam devem ter uma resposta franca e honesta e sem ultrapassar a sua capacidade de compreensão.
– Os pais devem mostrar apreciação e interesse em relação às coisas que os seus filhos estejam a fazer, mesmo que pelos padrões deles, elas não sejam interessantes ou importantes.
– Mesmo que as crianças tenham dificuldades ou problemas, elas deverão sempre ser tratadas, como normais e saudáveis.
– É preferível educar os filhos com o objectivo do crescimento, desenvolvimento e do melhoramento, do que com o objectivo da perfeição.
(1) Maurice Levine
Se os pais criarem a ilusão que conseguem pôr em prática todos estes ensinamentos, ficarão inevitavelmente desiludidos por terem criado esse ideal impossível de perfeição. Não é isso que se pretende.
Muito frequentemente, as atitudes assumidas pelos adultos são desfavoráveis para o saudável e feliz desenvolvimento da criança, tendo como resultado toda uma variedade de situações que se poderão desenvolver depois, como a utilização das drogas, como refúgio (virtual) para o seu mal-estar.
Para Elsa, (nome fictício) ex-toxicodependente, os pais devem:
– Não aceitar a “benignidade“ das drogas “leves”, ajudando-os a compreender que as mesmas frequentemente são causadoras da “ingressão” nas drogas “pesadas”.
– Não passarem a ser policias – o uso das drogas não se resolve com tensão e ansiedade.

