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Obesidade: um mal dos novos tempos?

14 Novembro, 2008 0

“Ainda só agora começamos a levantar a ponta do véu de um problema que coloca Portugal nos cinco primeiros lugares da obesidade infantil em toda a Europa”, afirma a Dr.ª Ana Rito, Investigadora do INSA e Vice-Presidente do Conselho Científico da Plataforma contra a Obesidade. Esta iniciativa da Direcção-Geral de Saúde, que conta com a parceria da Galp Energia, através do “Movimento Energia Positiva”, pretende concertar estratégias de combate a um problema que, segundo os dados médios, atinge perto de 25-30% da população infantil no nosso País.

“A nossa estratégia compreende avaliar a dimensão do problema em Portugal e nesse sentido, fomos um dos primeiros países europeus a integrar o Sistema de Vigilância de Obesidade Infantil da Organização Mundial da Saúde, e ainda a Intervenção ao nível escolar, contando com a parceria já instituída entre o Ministério da Saúde e da Educação”, afirma. E acrescenta: “O nosso enfoque centra-se, sobretudo, na educação da criança. Se os hábitos saudáveis forem instituídos desde cedo, quer na escola, quer em casa, a criança fará as suas escolhas de uma forma mais acertada ao longo da sua vida.

A solução para evitar que os obesos de hoje sejam os adultos doentes de amanhã, passa, na perspectiva de Ana Rito, por estabelecer regras e disciplina às práticas alimentares no seio familiar.”É fundamental que as crianças façam refeições a horas certas e não percam o pequeno-almoço.” Para aliciar a criança a adoptar uma alimentação mais saudável, a criatividade e a imaginação podem dar uma ajuda.

“A criança deve compreender que os hábitos alimentares são como qualquer outra rotina que aprendem na sua vida. A escolha dos menus deve ser feita em família, optando-se por confeccionar refeições apelativas e coloridas, através da variedade alimentar que a Roda dos Alimentos oferece. O hábito da sopa, de legumes e da fruta, pode ser apresentado de várias formas, mas permite que a criança se interesse pela sua alimentação e que se desenvolva em saúde. O que não invalida, claro, que ao fim-de-semana ou em festas se permita uma guloseima”.

Os pais, como principais educadores, “devem servir de modelo à criança, de modo a que esta se sinta motivada a ter hábitos mais salutares”. Há que salientar que a obesidade infantil não se reduz à questão do peso. “A criança obesa tem maior risco de desenvolver diabetes, doenças cardiovasculares e outras doenças mais cedo, o que pode reduzir a sua esperança média de vida em cerca de 9 anos”.

O sedentarismo, aliado a consumo energéticos em demasia, é outra questão da obesidade infantil. “As crianças chegam a estar sentadas cerca de 11 horas em frente à televisão por semana. O facto de estar parado a ver televisão incentiva o consumo energético em produtos alimentares de fraco interesse nutricional.”

Ana Rito alerta para a ameaça da obesidade infantil, porque, diz, “se não se forem tomadas medidas, em 2025, mais de metade da população portuguesa será obesa”. Assim, e como diz o ditado, de pequenino é que se deve torcer o pepino”. “Quanto mais cedo educarmos as crianças melhor”, resume a nutricionista.

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