Arquivo de Obesidade - Médicos de Portugal

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A obesidade é uma doença crónica


Isto é, quem uma vez foi obeso, mesmo que emagreça e volte ao peso normal, é sempre potencialmente obeso. E, mais cedo ou mais tarde, pode novamente engordar.


É enorme a probabilidade de se verificar um aumento de peso após prévios tratamentos de emagrecimento com sucesso.


 


O que torna a obesidade perigosa?


Não é o excesso de gordura por si que é grave para a saúde, mas as co-morbilidades que o acompanham: a diabetes mellitus, a hipertensão arterial, as alterações do colesterol e dos trigliceridos, a apneia do sono, as alterações endoteliais, o aumento do ácido úrico, o aumento da proteína C reactiva (aumento da inflamação), as alterações da coagulação do sangue, para além das alterações articulares e das alterações psicológicas (ansiedade, depressão, perda de auto-estima).


A obesidade visceral produz insulinorresistência (ou esta produz obesidade) com hiperinsulinismo. E é esta obesidade visceral e a insulinorresistência (com hiperinsulinismo) que desencadeiam as co-morbilidades acima referidas.


A obesidade e a insulinorresistência desencadeiam doenças que vão por sua vez provocar aterosclerose, com consequente doença cardiovascular e morte. Provocam ainda Disfunção Sexual Eréctil (impotência sexual), no homem, e Síndroma do Ovário Poliquístico (alterações menstruais, anovulação e hiperandrogenismo), na mulher.


 


O que é a Síndroma Metabólica (SM)?


A associação da obesidade e de factores de risco cardiovasculares constituem a SM.
A IDF (International Diabetes Association) define SM como a associação da obesidade visceral e 2 quaisquer dos 4 factores de risco; alteração da glicémia ou diabetes, hipertensão arterial, aumento dos triglicéridos e baixa da HDL (lipoproteína de alta densidade que é o colesterol que protege)


 


Quais as bases para o tratamento da obesidade?


O tratamento correcto consiste na modificação do estilo de vida, baseado na dieta, na actividade física/exercício físico e na terapêutica comportamental/motivacional.


Se a modificação do estilo de vida não for suficiente devem-se utilizar fármacos anti-obesidade - sibutramina (Reductil) ou orlistat (Xenical); e metformina, fármaco que diminui a insulinorresistência.


A cirurgia bariátrica (banda e bypass) só são de aconselhar quando se trata de uma obesidade mórbida (IMC superior a 40 ou superior a 35 com co-morbilidades - IMC obtém-se dividindo o peso em Kg pela altura em metros ao quadrado) refractária há pelos menos 2 anos a todos os tratamento.


 


Melhor que tratar é evitar a obesidade.


 


Dr. J.Garcia e Costa,
NEDO - Núcleo de Endocrinologia Diabetes e Obesidade, Lda.


Dr. A. Galvão Teles,
NEDO - Núcleo de Endocrinologia Diabetes e Obesidade, Lda.





Nele participaram pacientes dos 18 aos 65 anos, portugueses e espanhóis, cujos dados foram avaliados por 104 médicos da Corporación Dermoestética e dirigidos pela Dra. Pilar Esparza, Directora Médica para a Península Ibérica.


Esta técnica consiste na introdução no estômago, sem cirurgia e por via endoscópica, de um balão de silicone, que depois de cheio com soro fisiológico, produz uma sensação de saciedade permanente.


A sua permanência no estômago pode ir até 6 meses e é acompanhada de uma dieta hipo-calórica para a reeducação correcta dos hábitos alimentares. Está recomendado para pessoas com 20 a 30 quilos a mais e um índice de massa corporal (IMC) de 30-40, ou de 27-30 com doenças associadas à obesidade (hipertensão, diabetes...) e que não conseguem perder peso de outra forma.


O estudo reflecte que o perfil do paciente de Balão Intragástrico é mulher, entre os 30 e os 50 anos, já que representa 59% do total, seguido pela faixa etária dos 18-30 anos, que concentra 34%.


Tabela. Efectividade do tratamento em percentagem de perda de peso segundo o IMC



Nota explicativa da tabela:
Os pacientes com IMC 40 tiveram uma perda média de 45,5% do seu peso em excesso.
*Os 86% dos pacientes com IMC 27-30 perderam mais de 65% do seu peso em excesso.


"Para fazermos uma ideia, numa mulher de 1,70 metros que pese 100 quilos, com o balão intragástrico poderia chegar a perder 60% do seu peso em excesso, isto é 20 quilos em 6 meses", explica a Dra. Pilar Esparza. No entanto, independentemente do IMC do paciente, o estudo reflecte uma perda de peso de 13% graças a este tratamento médico. O estudo também estabelece uma relação directa entre as revisões médicas e a efectividade do mesmo, já que perdem mais peso aqueles pacientes que são assíduos nas consultas de seguimentos, do que os que não as fazem.


A Unidade de Obesidade da Corporación Dermoestética segue um protocolo sumamente exaustivo para a colocação do balão intragástrico, tendo em conta aspectos físicos e psicológicos do paciente. Estabeleceu como critério de exclusão ter um IMC superior a 40 ou padecimento de úlcera esofágica ou gastroduedenal, hérnia de hiato maior do que 8 cm, varizes esofágicas, cirrose hepática, toma crónica de aspirina, gravidez, ser alcoólico ou consumir outros tipos de droga, transtornos psicológicos, bulimia nervosa e dismorfofobia.


"É precisamente o rigoroso cumprimento do nosso protocolo médico que nos assegura mais de 99% de sucesso neste tratamento", refere Dra. Pilar Esparza. Segundo os dados do estudo, menos de 1% dos pacientes rejeitou o balão intragástrico por intolerância digestiva, não ouve nenhum caso de obstrução intestinal e e apenas um caso em que houve rompimento. Além disto, todos os pacientes que fizeram o tratamento até ao fim, nenhum teve complicações na retirada do balão.





A obesidade é um problema de saúde pública, tal a dimensão que atinge em todo o mundo. Por muitos, é considerada uma forma de má nutrição própria dos países desenvolvidos, o reverso da situação que aflige as populações mais pobres, a braços com a escassez de alimentos e recursos.


De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a obesidade é uma doença em que o excesso de gordura corporal afecta a saúde. Doença crónica, evolui ao longo dos anos, influenciada por factores genéticos, mas sobretudo ambientais e sócio-culturais. De tal forma que, só na Europa, um em cada três adultos tem excesso de peso e um em cada quatro é obeso. E o fenómeno não poupa as crianças, antes pelo contrário: estima-se que mais de 30 por cento das crianças dos sete aos nove anos sofra de pré-obesidade e/ou obesidade.


Portugal não foge a esta regra e os estudos traçam um quadro negativo, com mais de metade dos habitantes a ter quilos a mais. Os números são confirmados pela observação: todos os dias nos cruzamos com pessoas com excesso de peso e, de entre elas, com cada vez mais crianças.


O que faz com que todas estas pessoas tenham "corpo a mais" é o desequilíbrio entre a quantidade de energia ingerida e a quantidade dispendida, um desequilíbrio geralmente provocado por uma alimentação demasiado abundante em calorias e pouco ou nenhum exercício físico.


São estes, aliás, os principais factores de risco para a obesidade, embora também possa haver influência genética - sabe-se que a presença de determinados genes envolvidos no aumento do peso aumenta a susceptibilidade ao risco, mas apenas quando a pessoa está exposta a condições ambientais favorecedoras. Significa isto que a obesidade tem tendência familiar.


A família tem ainda outra palavra a dizer nesta matéria, já que o grau de informação parece condicionar a prevalência da obesidade: quanto menor é o conhecimento dos pais sobre os riscos, maior a probabilidade de os filhos ganharem peso a mais.


E é nas zonas mais urbanas que a obesidade tende a predominar, em detrimento das mais rurais. Homens e mulheres são afectados de igual forma por este fenómeno, embora com características diferentes. Assim, distingue-se entre a obesidade do tipo andróide (abdominal ou visceral) e a do tipo ginóide.


A primeira é típica dos homens, com a gordura a acumular-se na metade superior do corpo, sobretudo no abdómen. Já a segunda é mais comum entre as mulheres, em que a gordura se distribui principalmente pela metade inferior do corpo, concentrando-se mais na região dos glúteos e das coxas.


As mulheres com excesso de peso ficam particularmente vulneráveis à acumulação de gordura na gravidez e menopausa.


[Continua na página seguinte]





Cerca de 5 milhões de portugueses têm peso a mais


• Em Portugal, a taxa de prevalência da pré-obesidade e obesidade é de 53,6%
• 14% dos Adultos tem obesidade
• 1,4% dos adultos tem obesidade mórbida
• 31% das crianças e adolescentes portugueses têm excesso de peso
• A obesidade é a "epidemia do século XXI"


A obesidade, que a Organização Mundial de Saúde considera "a epidemia do século XXI", é uma doença crónica e constitui um dos mais graves problemas de saúde pública que o nosso país enfrenta. Apesar da incidência ter aumentado para o triplo nos últimos vinte anos, o tratamento da patologia continua a não ser comparticipado, e o SNS só consegue tratar os casos muito graves, a denominada "obesidade mórbida".


Em Portugal, o excesso de peso atinge também crianças e jovens e é já motivo de preocupação. A prevalência da pré-obesidade e obesidade em idade pré-escolar, escolar e adolescente é de 31 por cento, com 10 por cento de casos de obesidade.
Os problemas decorrentes da obesidade ultrapassaram a questão estética. A patologia está relacionada com um maior risco de doenças e de mortalidade precoce. Nas doenças associadas destacam-se a diabetes tipo 2 e as doenças cardiovasculares. A diabetes tipo 2, que em cerca de 80 por cento dos casos ocorre em obesos, tem prevalência crescente e neste momento já atinge crianças e adolescentes. As doenças cardiovasculares relacionam-se com estas duas condições - obesidade e diabetes - e são, a par do cancro, uma das grandes causas de mortalidade precoce.


Assim, em 2009, o dia 23 de Maio, Dia Nacional da Luta Contra a Obesidade, transforma-se, por iniciativa da ADEXO - Associação dos Obesos e Ex-Obesos de Portugal, em Dia Nacional de Luto pela Obesidade. Carlos Oliveira, presidente da ADEXO, afirma que "estamos de luto pelas cerca de 9 mil pessoas com obesidade que, desde 2004, morreram e continuam a morrer nas listas de espera para consulta e nas listas de espera para cirurgia de tratamento da obesidade. Estamos de luto, não porque não se tenha feito nada, mas sim porque nada do que está feito que necessite de investimento é implementado pelos serviços do Ministério da Saúde".


 


Sobre a ADEXO e o Dia Nacional de Luta Contra a Obesidade


A ADEXO - Associação dos Obesos e Ex-Obesos de Portugal foi criada, em 2002, com o objectivo de defender os direitos dos doentes obesos. A obesidade foi reconhecida oficialmente no nosso país como uma doença crónica, em 25 de Março de 2004, e nesse sentido, a ADEXO solicitou a homologação do penúltimo sábado de Maio de cada ano como Dia Nacional de Luta Contra a Obesidade, dada a gravidade e extensão do problema no nosso país. Este dia foi homologado em 04 de Maio de 2005.


Actualmente, a ADEXO promove e está presente em inúmeras iniciativas de luta contra a obesidade em Portugal e, além da sua sede em Lisboa, tem núcleos no Porto, Moita, Vila Nova de Santo André, Algarve e Madeira.
Sem nada implementado pelo Ministério da Saúde não temos razões para comemorar este 5º Dia Nacional.
Assim vamo-nos concentrar nas instalações da ADEXO em Lisboa na Rua Alberto Sousa Loja 2, nas traseiras do Hospital de Santa Maria, entre as 10 e as 13 horas, a receber quem por ali quiser passar.


1 In "Obesidade em Portugal e no Mundo"; Isabel do Carmo e outros; Faculdade de Medicina de Lisboa.





A Lidel - Edições Técnicas apresenta mais uma novidade na área da saúde e bem-estar, "REPENSAR O PESO - Princípios e Métodos Testados para Controlar o Seu Peso", da autoria de Pedro Teixeira e Marlene Silva.


"Não é pois um livro de ‘milagres', nem traz a chave do segredo. Ou talvez traga... porque a chave do segredo poderá ser, não embarcar em falsas estratégias, e seguir os princípios como os aqui considerados orientadores."
In prefácio de Isabel do Carmo


Tendo por base o Programa P.E.S.O. (Promoção do Exercício e Saúde na Obesidade) realizado pela Faculdade de Motricidade Humana desde 2001, pelo qual passaram mais de 20 profissionais e técnicos especializados, contando já com a participação de centenas de utentes, surge o livro "Repensar o Peso" um verdadeiro manual com práticas, testes e estratégias, que foram testadas com sucesso, neste programa.


O objectivo deste livro é ajudar e ensinar a melhor controlar o peso de forma sustentada, saudável e a longo prazo: com uma melhor alimentação e sempre na companhia da actividade física preferida, sem mitos nem milagres, sem dietas em vão e sem suplementos. Para além de promover o desenvolvimento de uma maior auto-consciência em relação ao que é feito, sentido e pensado, permite ainda aumentar o nível de controlo sobre o peso, defendendo sempre a escolha livre mas informada!


Os profissionais de saúde a trabalhar em gestão do peso podem encontrar, ao longo de todo o livro, materiais para utilizar na sua prática, podendo também aprofundar os seus conhecimentos e aumentar a sua sensibilidade em outras áreas relacionadas com excesso de peso e a obesidade.


 


Conteúdo
» O equilíbrio energético
» Princípios de composição corporal
» O que é o peso saudável?
» Uma alimentação saudável para um peso saudável
» A sopa: fonte de oportunidades nutricionais
» A alimentação vegetariana
» Adoptar e Integrar a Actividade Física
» Alimentação emocional
» O que é a fome emocional: os vários tipos de fome
» Gestão do tempo e do stress: impacto na gestão do peso
» Gestão da Imagem Corporal
» Perda ou manutenção do peso: diferenças e semelhanças
» Uma palavra aos técnicos nesta área



 


Sobre a LIDEL


Já na sua terceira geração, a Lidel - Edições Técnicas (capital social 1.200.000€) é um projecto 100% português que iniciou a sua actividade como distribuidora exclusiva em Portugal de diversas editoras técnicas de prestígio internacional.
Actualmente a actividade principal da LIDEL é a edição de livros técnicos de autores portugueses, que acumula com algumas distribuições exclusivas nas áreas da Medicina, Biologia e Informática. O Ensino do Português (Língua Estrangeira e Língua Segunda), a Medicina, a Gestão, a Formação de Professores e Formadores e a Engenharia são as principais áreas editoriais da LIDEL.
Do Grupo LIDEL fazem parte a FCA Editora de Informática e a ETEP Edições Técnicas e Profissionais, editoras especializadas na publicação de livros técnicos de autores nacionais dedicados às áreas de Informática (FCA) e Automação, Robótica e Electrónica (ETEP).
Com mais de 50 anos ao serviço do livro técnico, o Grupo LIDEL apresenta em catálogo mais de 650 obras em português, com colecções variadas destinadas a profissionais, estudantes e público em geral.


 


Sobre o Autores


Pedro Teixeira
Licenciado em Educação Física e Desporto; Doutorado em Nutrição; Professor na Faculdade de Motricidade Humana. Dedica-se há mais de 10 anos à investigação e divulgação do conhecimento na área da obesidade, actividade física e nutrição.

Marlene Nunes Silva
Psicóloga Clínica; Formadora credenciada e, desde 2004, investigadora especializada no tratamento comportamental da obesidade. Actualmente a completar o Doutoramento em Saúde e Condição Física na Faculdade de Motricidade Humana.


 


Sobre o Prefaciador


Isabel do Carmo
Directora do Serviço de Endocrinologia do Hospital de Santa Maria



"REPENSAR O PESO - Princípios e Métodos Testados para Controlar o Seu Peso"
ISBN: 978-972-757-498-8
N. º de Pág.: 368
P.V.P.: € 24,95
www.lidel.pt






"Crianças com excesso de peso aparecem cada vez mais e com menos idade. A epidemia do séculos XXI alastra-se e, na verdade, é já a partir dos 2 anos que os pais começam a levar os filhos à consulta. No entanto, a média de idade dos consultados nos serviços de pediatria ronda os nove anos", refere Graciete Bragança, pediatra no Hospital Amadora-Sintra e responsável pelo estudo que analisa a obesidade infantil.

Dados que serão amanhã apresentados, indicam que 21% das crianças avaliadas têm excesso de peso e 9,5% são obesas. São os alunos do 1º ciclo os que apresentam um maior índice de gordura corporal. O estudo revela ainda que 49% das crianças com excesso de peso ou obesas tem joelho valgo (uma deformidade ortopédica que se caracteriza pelos joelhos curvados para dentro); 25% são insulino-resistentes e 18% tem esteatose hepática (acumulação de gordura no fígado).


Denunciando o risco de persistência da obesidade na idade adulta, o estudo comprova que em crianças na fase pré-escolar a incidência em adulto é de 26% a 41%, sobe na idade escolar para uma prevalência de 42% a 63% e na adolescência tem uma representação de 66% a 78%.


Manuela Ambrósio, médica de família no Centro de Saúde do Entroncamento, afirma que, "na sua maioria, os pais não estão atentos para o excesso de peso dos filhos. Em consultas de rotina, é o médico de família quem identifica a situação. Em muitos casos, os pais menosprezam o problema e raramente respondem positivamente às recomendações feitas pelo seu médico".


"O excesso de peso representa uma menor qualidade de vida para a criança que se cansa com facilidade, tem dificuldade em mexer-se e apresenta uma baixa auto-estima. Sensibilizar os pais para a prevenção e acção, reforçando as complicações futuras deste problema, é essencial", conclui a médica de família.


A medicina baseada na evidência foi abordada no terceiro dia do 26º Encontro Nacional de Clínica Geral. "A qualidade da prestação dos cuidados de saúde primários passa hoje pela objectividade e assertividade dos diagnósticos médicos", defende António Vaz Cordeiro, director do Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência. A medicina baseada na evidência (MBE) foi definida pelo próprio António Vaz Cordeiro como "o uso consciencioso e criterioso da melhor evidência actual relativa à pesquisa clínica sobre o tratamento de doentes". Neste paradigma de prática clínica valorizam-se os estudos em detrimento do empirismo.


No dia de encerramento do 26º Encontro Nacional de Clínica Geral será ainda apresentado o Guia do Utente. Por ora este é ainda um projecto-piloto, desenvolvido pela equipa da USF Marginal, mas, futuramente, pretende ser uma útil ferramenta que visa facilitar a vida do utente no SNS, nomeadamente, nos serviços de medicina familiar. O Guia do Utente permitir juntar toda a documentação (cartão do utente, receituário, telefones, horários, conselhos específicos, entre outros) numa só pasta funcional. Este projecto inovador conta com o patrocínio da Fundação AstraZeneca.


 


Sobre a APMCG - www.apmcg.pt


A Associação Portuguesa dos Médicos de Clínica Geral tem como missão contribuir para a melhoria da qualidade do exercício e da realização profissional dos Médicos de Família, colocando todos os seus recursos à disposição dos seus associados, contribuindo desse modo, para a melhoria continua dos cuidados de saúde prestados aos cidadãos.






O excesso de peso aumenta o risco de hipertensão arterial, de diabetes, de excesso de colesterol, triglicéridos no sangue e de doenças cardiovasculares.

 


Tem excesso de peso?


A maneira mais simples de saber se tem excesso de peso é avaliar o seu índice de massa corporal (IMC), que se calcula dividindo o peso em quilos pelo quadrado da altura em metros.


O perímetro de cintura é um indicador de obesidade: homens com valor superior a 94cm e mulheres com valor superior a 80cm têm maior risco de doenças cardiovasculares.


 


Tenha uma alimentação saudável!


» Faça um mínimo de três refeições por dia, sendo uma delas o pequeno-almoço.


» Inclua frutas e / ou vegetais em todas as refeições.


» Inclua cereais, especialmente cereais integrais (pão de mistura) e produtos lácteos na sua alimentação diária (leite meio gordo, queijo fresco, iogurtes).


» Prefira as carnes magras e o peixe.


» Utilize pouco sal na comida.


» Use gorduras insaturadas (azeite, óleos de milho, girassol ou soja, margarinas líquidas).


» Evite os doces, os refrescos (quase sempre contêm muito açúcar), as comidas muito calóricas e a comida rápida.


» Evite fritar ou utilizar molhos. Utilize a cozedura, os grelhados e os assados.


» Evite as bebidas alcoólicas. Não beba mais do que dois copos de vinho ou de cerveja, se é homem, metade, se é mulher.


» Beba seis a oito copos de água por dia.






Resultado final de um projecto elaborado para a Fundação para a Ciência e Tecnologia, este é o primeiro livro que aborda a obesidade numa perspectiva analítica e evolucionista, dando a conhecer o panorama da situação portuguesa e de todas as regiões do mundo (Europa, Médio Oriente, América Latina, América do Norte, Ásia e África), enquadrada nas causas da evolução histórica dos hábitos e comportamentos do ser humano, que conduziram à actual epidemia global.


Na obra é descrita a morfologia da obesidade (como se distribuiu a gordura corporal) e apresentados estudos epidemiológicos dos factores de risco das doenças cardiovasculares e diabetes, hábitos nutricionais de métodos de avaliação, actividade física e comportamentos.


Em Portugal, a taxa de prevalência da pré-obesidade e obesidade é de 53,6 por cento, acima dos 18 anos de idade. Deste valor global, 14,2 por cento refere-se a casos de obesidade. Por outro lado, a prevalência da pré-obesidade e obesidade em idade pré-escolar, escolar e adolescente é de 31 por cento, com 10 por cento de casos de obesidade.


Isabel do Carmo salienta a necessidade de haver uma mudança de atitude para que a doença deixe de ser um risco para a saúde, explicando que "o ser humano é obeso, porque foi seleccionado como bom aproveitador de calorias. Passou momentos de fome, foi seleccionado para ter esse comportamento e, no momento de abundância, mantém a mesma predisposição, tornando-se um aproveitador obeso".


Para a autora e coordenadora principal, "esta obra não pretende ser um manual de combate à Obesidade, mas antes um instrumento de compreensão do fenómeno em si, para todos os técnicos de saúde e público em geral que se interesse pelo tema".


O escritor Fernando Pessoa dá rosto à capa do livro, numa imagem evolucionista da sua imagem, explicada por Isabel do Carmo: "É um símbolo do País no princípio do século XX, antes da grande viragem para o surgimento da obesidade como doença. Não sabemos se neste momento - e acompanhando toda a transformação - se Fernando Pessoa não teria engordado desta maneira".


 


Faça o download da Sinopse de "Obesidade em Portugal e no mundo" (Documento associado.pdf)





O que pesa mais: a tentação da comida hipercalórica ou a consciência de lutar por uma vida mais saudável? Feitas as contas, a razão parece pender para o segundo prato da balança. Isto porque, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), ter uns quilos já não é uma questão puramente estética. "A obesidade é classificada como o flagelo do século XXI", diz o Prof. Alberto Galvão Teles, presidente da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO).


De década para década, a "epidemia" da obesidade tem vindo a ganhar cada vez mais terreno nos países desenvolvidos. As previsões da OMS apontam para um crescimento "exponencial do número de obesos e super-obesos, no prazo de 17 anos". Assim, defende Galvão Teles, "há que investir em medidas de combate à obesidade".


"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades". Este ditado, que corre de boca em boca, também poderá servir para explicar os porquês da obesidade. "Antigamente, as populações eram mais activas, porque o trabalho no campo e as profissões braçais favoreciam o dispêndio energético. Com a introdução das tecnologias, os humanos tornaram-se mais sedentários. Acresce que, com um ritmo de vida mais frenético, há, ainda, a questão do stresse. Um mecanismo compensador da ansiedade é, por vezes, a ingestão de doses elevadas de alimentos."


Segundo o dirigente da SPEO, a obesidade já mereceu o rótulo de doença crónica e, hoje em dia, já não é, exclusivamente, uma questão de peso. "À medida que a obesidade aumenta, cresce, também, o número de diabéticos tipo 2 e avolumam-se as co-morbilidades ", garante. É por tal razão que, combatendo a obesidade, se actuam em outras frentes, nomeadamente na redução das dislipidemias, da hipertensão e das alterações articulares.


Só em Portugal, a prevalência da obesidade e pré-obesidade ultrapassa os 50% da população, em ambos os sexos. "Se atentarmos à obesidade propriamente dita, os dados revelam valores na ordem dos 15 a 16%", acrescenta o especialista. Casos de obesidade grau 3 resvalam para mais de 1% da população e, "devido à gravidade da situação, obrigam a tratamentos cirúrgicos".


 


Menos peso, mais disciplina


Até acabar o curso, Tiago Fernandes, 40 anos, não conjugava no presente o verbo engordar. "Em criança até era magro e não gostava de comer", recorda. Mas, mal entrou no mercado de trabalho, o sedentarismo, aliado a um descontrolo alimentar, deu o arranque para um processo que quase culminou nos 120 quilos. Nessa altura, com 33 anos, o responsável pela área de compras de uma multinacional, achou que tinha chegado o momento de recuar uns quilos na balança.





A obesidade é uma doença crónica


Isto é, quem uma vez foi obeso, mesmo que emagreça e volte ao peso normal, é sempre potencialmente obeso. E, mais cedo ou mais tarde, pode novamente engordar.


É enorme a probabilidade de se verificar um aumento de peso após prévios tratamentos de emagrecimento com sucesso.


 


O que torna a obesidade perigosa?


Não é o excesso de gordura por si que é grave para a saúde, mas as co-morbilidades que o acompanham: a diabetes mellitus, a hipertensão arterial, as alterações do colesterol e dos trigliceridos, a apneia do sono, as alterações endoteliais, o aumento do ácido úrico, o aumento da proteína C reactiva (aumento da inflamação), as alterações da coagulação do sangue, para além das alterações articulares e das alterações psicológicas (ansiedade, depressão, perda de auto-estima).


A obesidade visceral produz insulinorresistência (ou esta produz obesidade) com hiperinsulinismo. E é esta obesidade visceral e a insulinorresistência (com hiperinsulinismo) que desencadeiam as co-morbilidades acima referidas.


A obesidade e a insulinorresistência desencadeiam doenças que vão por sua vez provocar aterosclerose, com consequente doença cardiovascular e morte. Provocam ainda Disfunção Sexual Eréctil (impotência sexual), no homem, e Síndroma do Ovário Poliquístico (alterações menstruais, anovulação e hiperandrogenismo), na mulher.


 


O que é a Síndroma Metabólica (SM)?


A associação da obesidade e de factores de risco cardiovasculares constituem a SM.
A IDF (International Diabetes Association) define SM como a associação da obesidade visceral e 2 quaisquer dos 4 factores de risco; alteração da glicémia ou diabetes, hipertensão arterial, aumento dos triglicéridos e baixa da HDL (lipoproteína de alta densidade que é o colesterol que protege)


 


Quais as bases para o tratamento da obesidade?



  1. O tratamento correcto consiste na modificação do estilo de vida, baseado na dieta, na actividade física/exercício físico e na terapêutica comportamental/motivacional.

  2. Se a modificação do estilo de vida não for suficiente devem-se utilizar fármacos anti-obesidade  - sibutramina (Reductil) ou orlistat (Xenical); e metformina, fármaco que diminui a insulinorresistência.

  3. A cirurgia bariátrica (banda e bypass) só são de aconselhar quando se trata de uma obesidade mórbida (IMC superior a 40 ou superior a 35 com co-morbilidades - IMC obtém-se dividindo o peso em Kg pela altura em metros ao quadrado) refractária há pelos menos 2 anos a todos os tratamento.


 


Melhor que tratar é evitar a obesidade.


 


Dr. J.Garcia e Costa,
NEDO - Núcleo de Endocrinologia Diabetes e Obesidade, Lda.


Dr. A. Galvão Teles,
NEDO - Núcleo de Endocrinologia Diabetes e Obesidade, Lda.


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