A obesidade é uma doença crónica
Isto é, quem uma vez foi obeso, mesmo que emagreça e volte ao peso normal, é sempre potencialmente obeso. E, mais cedo ou mais tarde, pode novamente engordar.
É enorme a probabilidade de se verificar um aumento de peso após prévios tratamentos de emagrecimento com sucesso.
O que torna a obesidade perigosa?
Não é o excesso de gordura por si que é grave para a saúde, mas as co-morbilidades que o acompanham: a diabetes mellitus, a hipertensão arterial, as alterações do colesterol e dos trigliceridos, a apneia do sono, as alterações endoteliais, o aumento do ácido úrico, o aumento da proteína C reactiva (aumento da inflamação), as alterações da coagulação do sangue, para além das alterações articulares e das alterações psicológicas (ansiedade, depressão, perda de auto-estima).
A obesidade visceral produz insulinorresistência (ou esta produz obesidade) com hiperinsulinismo. E é esta obesidade visceral e a insulinorresistência (com hiperinsulinismo) que desencadeiam as co-morbilidades acima referidas.
A obesidade e a insulinorresistência desencadeiam doenças que vão por sua vez provocar aterosclerose, com consequente doença cardiovascular e morte. Provocam ainda Disfunção Sexual Eréctil (impotência sexual), no homem, e Síndroma do Ovário Poliquístico (alterações menstruais, anovulação e hiperandrogenismo), na mulher.
O que é a Síndroma Metabólica (SM)?
A associação da obesidade e de factores de risco cardiovasculares constituem a SM.
A IDF (International Diabetes Association) define SM como a associação da obesidade visceral e 2 quaisquer dos 4 factores de risco; alteração da glicémia ou diabetes, hipertensão arterial, aumento dos triglicéridos e baixa da HDL (lipoproteína de alta densidade que é o colesterol que protege)
Quais as bases para o tratamento da obesidade?
O tratamento correcto consiste na modificação do estilo de vida, baseado na dieta, na actividade física/exercício físico e na terapêutica comportamental/motivacional.
Se a modificação do estilo de vida não for suficiente devem-se utilizar fármacos anti-obesidade - sibutramina (Reductil) ou orlistat (Xenical); e metformina, fármaco que diminui a insulinorresistência.
A cirurgia bariátrica (banda e bypass) só são de aconselhar quando se trata de uma obesidade mórbida (IMC superior a 40 ou superior a 35 com co-morbilidades - IMC obtém-se dividindo o peso em Kg pela altura em metros ao quadrado) refractária há pelos menos 2 anos a todos os tratamento.
Melhor que tratar é evitar a obesidade.
Dr. J.Garcia e Costa,
NEDO - Núcleo de Endocrinologia Diabetes e Obesidade, Lda.
Dr. A. Galvão Teles,
NEDO - Núcleo de Endocrinologia Diabetes e Obesidade, Lda.


