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Obesidade: um mal dos novos tempos?

14 Novembro, 2008 0

Acontece que, por dificuldades em mudar comportamentos, é mais fácil criar um estilo de vida saudável desde tenra idade do que o modificar na idade adulta. “A criança, comparativamente a um adulto que tem mais reticências em mudar, começa logo a desenhar hábitos mais saudáveis que se prolongam para a vida futura.”

Assim, antes de fazer as pazes com a balança, urge mudar os hábitos para evitar engrossar as estatísticas de obesidade. O que não quer dizer que se tenha de deixar de comer. “Em vez de se encher a despensa de alimentos pré-confeccionados, é de ponderar os benefícios de uma sopa, repleta de legumes, acompanhada de uma peça de fruta à sobremesa. Perde-se um pouco mais de tempo, mas os resultados são visíveis na saúde a médio e longo prazo.”

 

Vencer a inércia

Os estudos são unânimes em afirmar que, até ao momento, o exercício físico é o único mecanismo regulador do peso. É um “remédio” natural sem contra-indicações, desde que realizado na dose certa. No tratamento da obesidade, uma das primeiras medidas prescritas pelos especialistas é a adopção de uma prática regular de exercício físico, acompanhada de um regime alimentar isento de gorduras e doces.

“A actividade física tem um conjunto de aspectos associados que a tornam única no tratamento e prevenção da obesidade. Se é sabido que o exercício contribui para o dispêndio energético, é certo que também tem um papel decisivo na saúde metabólica e cardiovascular, bem como na qualidade de vida”, diz o Prof. Pedro Teixeira, docente na Faculdade de Motricidade Humana (FMH).

O exercício apresenta-se como o componente do tratamento da obesidade com efeitos mais abrangentes na saúde e bem-estar, e sem “efeitos secundários”!. E, embora não haja quantificação precisa dos custos actuais do sedentarismo, Pedro Teixeira afirma taxativamente que os potenciais ganhos em saúde seriam substanciais. “O Sistema Nacional de Saúde iria ter uma poupança enorme se os portugueses fossem mais activos. Aliás, as políticas de saúde actuais já integram a actividade física como uma medida indispensável.”

Segundo o especialista, a realização de exercício físico está, por vezes, à distância da vontade individual, já que a adopção desta prática regular é totalmente gratuita. E, apesar de tempo ser dinheiro, dispensar 30 minutos diariamente para mexer o corpo reduz o risco de obesidade e, ainda, produz ganhos na saúde física e mental. Mesmo em situação laboral, é possível contrariar o sedentarismo, com pequenos gestos que fazem a diferença: “fazer pausas no trabalho ou caminhar 15 minutos duas vezes por dia, por exemplo antes ou depois das refeições principais, transformam um dia-a-dia sedentário num dia moderadamente activo”.

 

Portugal no quinto lugar da tabela

Um estudo de Padez, Moreira e colaboradores, que avaliou cerca de 4 mil crianças dos 7 aos 9 anos, concluiu que, do total desta população, 30% têm excesso de peso e 11% são obesas. Um outro estudo, levado a cabo pela Fundação Bissaya Barreto, em 2400 crianças de idade pré-escolar no concelho de Coimbra, registou valores na ordem dos 24% de excesso de peso e 7% de obesos, segundo os mesmos critérios do estudo anterior.

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