Obesidade: um mal dos novos tempos?
“Ao perceber que tinha um peso demasiado elevado, comecei a ter cuidado com o que comia. Consultei um nutricionista e implementei uma estratégia de modificação dos hábitos alimentares”, lembra. Doze meses de treino alimentar e modificação dos estilos de vida foram o suficiente para que Tiago Fernandes conseguisse atingir a sua meta: perder 30 quilos.
“Quando alcancei os 90 quilos pude realizar actividades que antes não era possível.” Assim, e depois de “disciplinar” o apetite, seguiu-se a adopção de um regime regular de exercício físico. “A conjugação entre escolhas mais saudáveis à mesa e a prática de exercício físico foi determinante para cumprir os meus objectivos, sem recorrer a fármacos e à cirurgia”, adianta.
Para Tiago Fernandes, “o controlo de peso” deve ser um processo contínuo. Não faz contas de cabeça, mas aprendeu que a equação do peso saudável é mais do que uma operação matemática. Exige treino e educação no tempo. “Agora, tenho uma dieta mais reduzida em gorduras e monitorizo, regularmente, o meu peso. Simultaneamente, foi-me prescrito um plano de exercício físico, que cumpro à risca.” E assim é desde o início em que decretou para si mesmo que iria perder peso. Esta fórmula terapêutica contou, ainda, com um ingrediente particular: força de vontade.
Apesar das tentações diárias, especialmente quando come fora de casa, Tiago Fernandes é irrepreensível no seu objectivo inicial. No entanto, revela que, esporadicamente, faz o gosto ao paladar. “Não me privei de comer doces, mas doseio a sua ingestão. É esta disciplina que faz toda a diferença.”
Mudar ou criar hábitos alimentares?
“Embora se saiba que os factores genéticos e bioquímicos têm um peso importante na obesidade, é hoje claro que são o sedentarismo e a má alimentação os dois factores mais determinantes desta grave doença”, diz o Dr. José Camolas, nutricionista do Serviço de Endocrinologia do Hospital de Santa Maria.
Mas, apesar de ser parte do problema, a alimentação deverá ser, irreparavelmente, “a chave da solução”. E como? “Deve investir-se em acções de formação em educação alimentar, explicando à população o que são escolhas alimentares promotoras de saúde e apontar o caminho para lá chegar.”
O nutricionista refere que, apesar de os hábitos alimentares se terem alterado nos últimos anos, hoje em dia, “as pessoas já têm uma noção mais próxima do que é uma refeição saudável”. Acontece que, na prática, “há um desfasamento entre aquilo que se deve ingerir e o que é ingerido”. E porquê?
“Os constrangimentos de tempo, impostos pelos ritmos actuais, ditam que grande parte da população opte por refeições mais rápidas. E isto porque, por vezes, não há disponibilidade alimentar adequada na área de trabalho ou na escola.” Acresce, ainda, o facto de os produtos mais saudáveis serem mais caros. “Muitas pessoas queixam-se que ao fim de um mês, não é suportável ter uma refeição mais completa e saudável, devido ao preço”, acrescenta.
Há, no entanto, pequenos truques que podem fazer toda a diferença. “É aconselhável comer sem pressas, mastigando devidamente os alimentos. Mas, para além disto, há que ter critérios nas escolhas alimentares. Desde logo, evitar molhos ou ingredientes que acrescentem calorias à refeição e pedir menos quantidade de comida.”

