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O fumo do tabaco e as crianças

19 Abril, 2014 0

Como é de todos conhecido, fumar é uma péssima ideia para a saúde. Todos os anos, o tabaco é responsável por 10% de todas as mortes que ocorrem no mundo e o fumador tem a sua esperança de vida encurtada em 10 anos.

Foi no século XX que se verificou uma generalização do hábito de fumar. Se no início do século ele estava confinado ao género masculino, as mulheres foram-se tornando progressivamente fumadoras ativas. E a essa extensão não foram alheias campanhas publicitárias que veicularam o consumo do tabaco à ideia da libertação da mulher e à sua elegância. Ícones femininos como Marlene Dietrich, Ava Gardner, Marilyn Monroe, entre outras, eram sistematicamente associados ao cigarro.

Um outro grupo populacional igualmente alvo de campanhas tabagistas  foi o das crianças. Quem não selembra da personagem da banda desenhada, “o cobói solitário Lucky Luke”, criado por Morris e Gosciny, que em todas as frames aparecia com o cigarro ao canto da boca.

Foram necessários anos, alguns protestos e interesses comerciais para que o cigarro fosse substituídopor uma palhinha – os autores foram obrigados a retirar o cigarro, para que a banda desenhada pudesse entrar no mercado norte-americano.

Contudo, a mudança foi saudada pela Organização Mundial da Saúde, que tornou o cobói num símbolo da vitória na luta contra o tabagismo e conferiu aos autores, no Dia Mundial da Saúde, em 1988, uma medalha comemorativa.

A relação entre o fumo do tabaco e as crianças pode ser visto sob vários prismas. O caso limite é o que acontece nalguns países, eufemisticamente ditos em desenvolvimento, nos quais, num contexto de acentuada degradação social, muitas crianças fumam activamente. Estas crianças, com o seu aparelho respiratório ainda em consolidação, dificilmente escaparão a doenças respiratórias no resto dos seus dias.

Uma outra realidade relaciona-se com o facto de algumas mulheres fumarem durante o período da gravidez. Devido à imaturidade orgânica da criança ainda em formação, o efeito do fumo do tabaco é ainda mais penalizador e as consequências são muito importantes, verificando-se um aumento na incidência de abortos, de nados mortos, bebés prematuros e com baixo peso à nascença.

Mais recentemente passou a haver informação científica sobre os efeitos do tabagismo passivo em crianças. Assim, os filhos de pais que fumam em casa sofrem significativamente mais de doenças do foro respiratório. E todos os segmentos do aparelho respiratório são atingidos: otites, rinites, sinusites, amigdalites, e faringites, traduzindo a afetação do trato respiratório superior, e traqueítes, bronquites, bronquiolites, síndromas de sibilância ou mesmo asma brônquica, traduzindo o impacto na árvore traqueobrônquica.

Fumar ao pé de uma criança é uma péssima ideia, não só pelo mau exemplo que se está a dar relativamente a uma prática nefasta para a saúde, mas, sobretudo, porque se está a contribuir para a sua falta de saúde respiratória.

Não fume, mas, se estiver grávida, dentro de uma habitação ou ao pé de uma criança não o faça de todo, pois tal gesto poderá significar a diferença entre a doença e a saúde.

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