O fumo do tabaco e as crianças
Foi no século XX que se verificou uma generalização do hábito de fumar. Se no início do século ele estava confinado ao género masculino, as mulheres foram-se tornando progressivamente fumadoras ativas. E a essa extensão não foram alheias campanhas publicitárias que veicularam o consumo do tabaco à ideia da libertação da mulher e à sua elegância. Ícones femininos como Marlene Dietrich, Ava Gardner, Marilyn Monroe, entre outras, eram sistematicamente associados ao cigarro.
Um outro grupo populacional igualmente alvo de campanhas tabagistas foi o das crianças. Quem não selembra da personagem da banda desenhada, “o cobói solitário Lucky Luke”, criado por Morris e Gosciny, que em todas as frames aparecia com o cigarro ao canto da boca.
Foram necessários anos, alguns protestos e interesses comerciais para que o cigarro fosse substituídopor uma palhinha – os autores foram obrigados a retirar o cigarro, para que a banda desenhada pudesse entrar no mercado norte-americano.
Contudo, a mudança foi saudada pela Organização Mundial da Saúde, que tornou o cobói num símbolo da vitória na luta contra o tabagismo e conferiu aos autores, no Dia Mundial da Saúde, em 1988, uma medalha comemorativa.
A relação entre o fumo do tabaco e as crianças pode ser visto sob vários prismas. O caso limite é o que acontece nalguns países, eufemisticamente ditos em desenvolvimento, nos quais, num contexto de acentuada degradação social, muitas crianças fumam activamente. Estas crianças, com o seu aparelho respiratório ainda em consolidação, dificilmente escaparão a doenças respiratórias no resto dos seus dias.
Uma outra realidade relaciona-se com o facto de algumas mulheres fumarem durante o período da gravidez. Devido à imaturidade orgânica da criança ainda em formação, o efeito do fumo do tabaco é ainda mais penalizador e as consequências são muito importantes, verificando-se um aumento na incidência de abortos, de nados mortos, bebés prematuros e com baixo peso à nascença.
Mais recentemente passou a haver informação científica sobre os efeitos do tabagismo passivo em crianças. Assim, os filhos de pais que fumam em casa sofrem significativamente mais de doenças do foro respiratório. E todos os segmentos do aparelho respiratório são atingidos: otites, rinites, sinusites, amigdalites, e faringites, traduzindo a afetação do trato respiratório superior, e traqueítes, bronquites, bronquiolites, síndromas de sibilância ou mesmo asma brônquica, traduzindo o impacto na árvore traqueobrônquica.
Fumar ao pé de uma criança é uma péssima ideia, não só pelo mau exemplo que se está a dar relativamente a uma prática nefasta para a saúde, mas, sobretudo, porque se está a contribuir para a sua falta de saúde respiratória.
Não fume, mas, se estiver grávida, dentro de uma habitação ou ao pé de uma criança não o faça de todo, pois tal gesto poderá significar a diferença entre a doença e a saúde.
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