Mais de um terço dos portugueses são alérgicos » Inverno pode agravar cronicidade dos sintomas
Frio pode agravar alergias cutâneas
Em Portugal, vários milhões de pessoas sofrem de doenças alérgicas, sendo muito prevalecentes a rinite alérgica e a asma brônquica, embora as queixas na pele, como o eczema atópico e a urticária, sejam também frequentes.
Mas as alergias das vias aéreas não são as únicas que se agravam com o arrefecimento das temperaturas. Algumas alergias de expressão cutânea, como a urticária ao frio, podem também complicar-se.
«A exposição ao frio ambiental ou a substâncias frias (alimentos ou outros), pode desencadear situações muito perturbadoras, como manchas avermelhadas muito pruriginosas e o aumento de volume das mucosas», alerta Morais de Almeida, que continua:
«Em algumas urticárias ao frio surgem quadros muito graves, em que, para além das queixas na pele e nas mucosas, ocorrem situações de perda de consciência, que podem colocar a vida em perigo.»
No caso das alergias cutâneas, tal como nas respiratórias, «temos as ferramentas necessárias e suficientes para alcançar o seu controlo no Inverno, pois, para além de medidas gerais, existem tratamentos tópicos, sistémicos, antialérgicos e anti-inflamatórios. Diminuir a ocorrência de episódios infecciosos, através de vacinas injectáveis e medicamentos imunomoduladores, tomados por via oral, são opções disponíveis, válidas e eficazes», assegura este especialista.
Alérgico controlado, Inverno bem passado
Os meses de Inverno são propícios à ocorrência de sintomas alérgicos, pelo que «a programação do tratamento preventivo deve, idealmente, começar antes desta época. Um alérgico controlado passa a estação com menos sintomas do que muitas pessoas saudáveis», garante Morais de Almeida.
Quem, por norma, é afectado pelas alergias deve estar sensível à importância de controlar os sintomas nesta época do ano. Como? Reduzir a exposição aos alergénios que contaminam o ar, por via de medidas de controlo ambiental, ventilando ou colocando capas antiácaros; prevenir, tanto quanto possível, as constipações, o que passa por uma dieta equilibrada, rica em vitaminas e antioxidantes e fazer exercício físico regular são algumas das medidas.
São muitos os portugueses que sentem os efeitos das doenças alérgicas, certamente mais de um terço da população. A maioria dos quadros infecciosos, nesta altura do ano, são de origem viral e «os antibióticos serão desnecessários em muitos casos, uma vez que podem fazer com que os doentes alérgicos fiquem mais frágeis e susceptíveis a infecções futuras», diz o médico, que ressalva:
«Nos casos em que o uso de antibióticos está indicado, devem mesmo ser tomados de acordo com a indicação médica, prevenindo-se recaídas e evitando-se as sequelas futuras.»
O tratamento dos quadros alérgicos é possível, mas «o diagnóstico, frequentemente, tarda em ser colocado, sendo, por vezes, o próprio doente que não se sente à-vontade para expressar os seus sintomas. Isto porque pensa: “Alergia ao frio?!, vão dizer que não estou no meu juízo completo”», enuncia Mário Morais de Almeida.
Pois as alergias de Inverno existem e, no caso de se agravarem com a chegada dos dias mais frios, com certeza que um doente estará no seu juízo completo se procurar o médico. Aliás, é isso que deve ser feito, antes até de uma tentativa de automedicação.
Atenção à tosse
Em dias frios e cinzentos, o tossir ouve-se por todo o lado: na rua, no cinema, na escola, no trabalho e, claro está, nas unidades de saúde. E a tosse é, segundo Morais de Almeida, «um sintoma cardinal de algumas doenças alérgicas, de que é exemplo a asma».
«Será esta tosse, que afecta o meu filho todos os anos, uma situação alérgica?», perguntam-se muitos pais. De facto, como afirma este médico, «a tosse, para além de ser uma manifestação de asma, é um sinal que pode avisar do ataque às vias aéreas (altas e baixas) por agentes infecciosos, ocorrendo tanto em alérgicos como na população saudável, e corresponde a um reflexo de protecção, pois o organismo elimina o agressor ao expulsar as secreções».
«Cuidado com as tentativas de “calar” a tosse, especialmente nas crianças, pois, se a expectoração não é expelida, penetrará cada vez mais profundamente nas vias aéreas, até poder originar uma pneumonia», avisa o mesmo especialista.
É também grave quando a tosse irritativa está associada a quadros de alergia e o doente toma antitússicos sem indicação médica.
«O tratamento da tosse, ou de outra manifestação alérgica, passa pelo diagnóstico das causas e da sua relação com os efeitos. Tentar ocultar os sintomas de um modo inespecífico pode ser muito perigoso», alerta Mário Morais de Almeida.

