Mais de um terço dos portugueses são alérgicos » Inverno pode agravar cronicidade dos sintomas - Página 2 de 4 - Médicos de Portugal

A carregar...

Mais de um terço dos portugueses são alérgicos » Inverno pode agravar cronicidade dos sintomas

8 Dezembro, 2007 0

O tratamento dos quadros alérgicos é possível, mas «o diagnóstico, frequentemente, tarda em ser colocado, sendo, por vezes, o próprio doente que não se sente à-vontade para expressar os seus sintomas. Isto porque pensa: “Alergia ao frio?!, vão dizer que não estou no meu juízo completo”», enuncia Mário Morais de Almeida.

Pois as alergias de Inverno existem e, no caso de se agravarem com a chegada dos dias mais frios, com certeza que um doente estará no seu juízo completo se procurar o médico. Aliás, é isso que deve ser feito, antes até de uma tentativa de automedicação.

Atenção à tosse

Em dias frios e cinzentos, o tossir ouve-se por todo o lado: na rua, no cinema, na escola, no trabalho e, claro está, nas unidades de saúde. E a tosse é, segundo Morais de Almeida, «um sintoma cardinal de algumas doenças alérgicas, de que é exemplo a asma».

«Será esta tosse, que afecta o meu filho todos os anos, uma situação alérgica?», perguntam-se muitos pais. De facto, como afirma este médico, «a tosse, para além de ser uma manifestação de asma, é um sinal que pode avisar do ataque às vias aéreas (altas e baixas) por agentes infecciosos, ocorrendo tanto em alérgicos como na população saudável, e corres­ponde a um reflexo de protecção, pois o organismo elimina o agressor ao expulsar as secreções».

«Cuidado com as tentativas de “calar” a tosse, especialmente nas crianças, pois, se a expectoração não é expelida, penetrará cada vez mais profundamente nas vias aéreas, até poder originar uma pneumonia», avisa o mesmo especialista.

É também grave quando a tosse irritativa está associada a quadros de alergia e o doente toma antitússicos sem indicação médica.

«O tratamento da tosse, ou de outra mani­festação alérgica, passa pelo diagnóstico das causas e da sua relação com os efeitos. Tentar ocultar os sintomas de um modo inespecífico pode ser muito perigoso», alerta Mário Morais de Almeida.

E porquê? «No Inverno, os doentes com alergias perenes, isto é, que se manifestam durante todo o ano, como os alérgicos ao pó, animais domésticos e a alguns fungos têm, nesta estação, factores de agravamento da doença», responde o Dr. Mário Morais de Almeida, alergologista e presidente da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC).

E quais são, então, estes factores próprios da época invernal que agravam as alergias? A lista é extensa: as infecções respiratórias, nomeadamente as virais, as mudanças de temperatura, o frio ou as actividades efectuadas no interior dos edifícios repletos de substâncias alergénicas.

Segundo este médico alergologista, «a asma brônquica e a rinite alérgica são duas situações que, muito frequentemente, se agravam neste período. Se, por um lado, nas estações frias, as vias aéreas estão mais protegidas dos pólenes, por outro, a inalação de ar frio, especialmente pela boca, é também um factor de agressão, provocando queixas nasais e/ou brônquicas».

«Importa que a inspiração se faça pelo nariz, o que frequentemente não é possível se um quadro de rinite não estiver bem controlado. É que, no nosso País, a obstrução nasal é um dos sintomas predominantes nos doentes com rinite alérgica e a falta de controlo é a regra», acrescenta Morais de Almeida.

Para alguns doentes que sofrem de inflamação crónica das vias aéreas, os dias mais frios são uma agravante dos sintomas, pois a inflamação é intensificada pelas infecções virais típicas desta época. «Em cerca de 90% das crises graves de asma na criança, e em 60 a 70% nos adultos, são as infecções virais que desempenham o papel principal no agravamento da doença, podendo aumentar o risco de recurso aos serviços de urgência e mesmo de internamento hospitalar», refere este alergologista.

Por outro lado, dado que no Inverno as pessoas se mantêm mais tempo no interior das habitações, cresce a probabilidade de as reacções alérgicas aos ácaros do pó doméstico ou animais de companhia serem desencadeadas, pois, o tempo de exposição a estes agentes é mais prolongado.

O fumo do tabaco é, também, um agravante das alergias. «Mais infecções, mais tosse, sintomas mais agravados nos doentes alérgicos, sensação de doença permanente são alguns dos “ganhos” da exposição ao fumo do tabaco», verifica Morais de Almeida.

O mais grave é que são muitos os alérgicos que, não sendo fumadores, não conseguem afastar-se deste factor de risco e as crianças são, muitas vezes, «obrigadas» a respirar o fumo que os pais libertam dentro de casa.

Simultaneamente, como refere este alergologista, «activam-se lareiras, usam-se aquecedores por queima de combustíveis, fecham-se os compartimentos da casa. Assim, aumenta-se a exposição a poluentes, favorecendo-se os sintomas de quem sofre de alergias crónicas das vias aéreas».

Páginas: 1 2 3 4

ÁREA RESERVADA

|

Destina-se aos profissionais de saúde

Informações de Saúde

Siga-nos

Copyright 2017 Médicos de Portugal por digital connection. Todos os direitos reservados.