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Intestino comprometido

8 Outubro, 2009 0

São duas doenças inflamatórias e ambas deixam o intestino em risco: a doença de Crohn e a colite ulcerosa são crónicas mas, com tratamento, é possível atenuar sintomas e levar uma vida normal.

Doença inflamatória do intestino é a designação genérica de duas patologias com tantos traços em comum que, por vezes, dificultam o diagnóstico. Trata-se da doença de Crohn e da colite ulcerosa, ambas crónicas, de causas desconhecidas e com algumas complicações potenciais.

Sem cura, desenvolvem-se em episódios alternados de crise e remissão. Podem ser muito debilitantes, mas o tratamento permite atenuar os sintomas e funcionar normalmente.

Tanto afectam homens como mulheres, ocorrendo quase sempre na idade adulta, sobretudo entre os 20 e os 40 anos. São mais comuns nas zonas urbanas dos países industrializados, delas sofrendo cerca de 12 mil portugueses.

 

Doença de Crohn

É uma das faces da doença inflamatória do intestino, caracterizando-se por uma inflamação crónica que pode afectar qualquer parte do tubo digestivo, mas que compromete mais frequentemente o intestino delgado no seu segmento terminal – o íleo. Não sendo uma doença contínua, isso significa que coexistem no intestino zonas doentes com zonas sãs.

Nos segmentos inflamados, o que acontece é um aumento da espessura da parede intestinal e o consequente estreitamento do espaço interior, o que dificulta a passagem de alimentos. Esta estenose pode mesmo conduzir a obstrução intestinal e à formação de fístulas.

Nos casos mais graves, pode ocorrer perfuração intestinal, além de que as lesões podem evoluir para um cancro no intestino. Dado que qualquer segmento do tubo digestivo pode ser afectado, são variados os sintomas desta patologia. O mais comum é a diarreia, que acontece porque, devido à inflamação, as células segregam grandes quantidades de água e sal.

O intestino não consegue absorver este excesso de fluidos, pelo que as fezes se tornam mais moles e abundantes. Devido ao espessamento das zonas inflamadas, o trânsito intestinal é mais difícil, podendo causar dor abdominal, ligeira a intensa, acompanhada ou não de náuseas e vómitos.

A presença de muco ou sangue nas fezes é outro sintoma, o que tanto pode ser causado pela pressão exercida ao longo do intestino pelos produtos da digestão como resultar de hemorragia intestinal devido à formação de úlceras.

Das paredes do intestino, a inflamação pode passar para outros órgãos próximos, como a bexiga, criando uma ligação anormal – fístula.

Podem formar-se ainda abcessos, feridas cheias de pus e inchadas. A perda de apetite e, consequentemente, de peso é outro sintoma da doença de Crohn, quer devido ao incómodo abdominal, quer porque a capacidade para digerir e absorver os alimentos pode ser afectada.

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Fora do tracto intestinal, a doença pode declarar-se através de fadiga, febre, problemas da pele e inflamação dos olhos, entre outros. Nas crianças pode ocorrer atraso no crescimento ou no desenvolvimento sexual.

Não se sabe exactamente o que causa esta doença, já tendo sido afastadas as teorias iniciais que apontavam para a responsabilidade do stress e da dieta, embora estes dois factores possam agravar os sintomas. Actualmente, a investigação centra-se em duas vertentes: a influência do sistema imunitário e a hereditariedade, tendo sido identificada a mutação de um gene nas famílias que tendem a sofrer desta doença.

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