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Contra os parasitas, prevenir

9 Outubro, 2009 0

A prevenção é a melhor arma contra a infestação dos animais domésticos por parasitas. E uma arma eficaz contra a transmissão de doenças ao ser humano.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que cerca de 62 por cento das doenças humanas sejam transmitidas por animais. São doenças como a leishmaniose, de que na vertente humana surgem em Portugal 50 novos casos por ano, e a febre da carraça, responsável por 9,8 casos em cada 100 mil habitantes.

Na origem deste risco estão hábitos alimentares mas também uma maior mobilidade de animais e pessoas. E a verdade é que em muitas casas existe pelo menos um cão ou um gato, quase sempre com algum contacto com o exterior e, portanto, uma probabilidade acrescida de voltarem com pulgas ou carraças, os seus principais parasitas externos.

E facilmente qualquer um destes insectos se multiplica no corpo do animal e daí se propaga para o ambiente doméstico, podendo infestar as pessoas que nele vivem.

Febre, erupções cutâneas, náuseas, vómitos e perda de apetite são os sintomas mais frequentes das doenças no homem causadas por animais. Em nome da saúde humana, mas também da saúde animal, a prevenção é uma medida essencial. Mas que não é muito frequente. Dados divulgados numa sessão de esclarecimento realizada em Julho último, em Lisboa, sobre o tema

“Doenças parasitárias: como prevenir a transmissão em animais e humanos” indicam que no nosso país apenas 33 por cento dos donos de animais que visitam com regularidade clínicas veterinárias fazem prevenção mensal. A grande maioria utiliza ectoparasitários com pouca frequência, o que contribui para a disseminação dos parasitas e consequente transmissão de doenças.

Outra prova da pouca importância ainda atribuída à prevenção é o consumo de produtos ectoparasitários no mercado português – uma unidade desparasitante por animal, em média, quando se deveriam usar pelo menos duas. Além disso, a nível nacional as despesas com os animais de companhia são inferiores em 33,8 por cento às da média europeia. Também o número de animais tratados é menor – menos 7,1 por cento para os gatos e menos 11,1 para os cães.

 

Antes desparasitar do que tratar

Em Portugal continua a fazer-se mais tratamento do que prevenção quando a atitude deveria ser inversa. Tanto mais que estão disponíveis produtos com propriedades repelentes muito eficazes, que permitem proteger os animais e o homem.

Prevenir as infecções é, antes de mais, sinónimo de desparasitação. Não existe um programa único, cabendo ao veterinário definir um esquema em função do animal e dos seus hábitos de vida (se permanece confinado ao ambiente doméstico ou se, pelo contrário, está habituado a sair de casa).

Mas há um conjunto de regras consensuais: assim, deve iniciar-se entre as seis e oito semanas de vida, realizar-se ao longo de todo o ano e não apenas na Primavera e no Verão e incluir a toma mensal de um medicamento eficaz contra ovos e larvas (de pulgas), administrado por via oral aos cães e injectável aos gatos.

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