Intestino comprometido
O que se sabe é que há factores de risco. Não o género, mas a idade, já que a doença afecta sobretudo adultos jovens. Viver numa área urbana e industrializada também parece potenciar o desenvolvimento da patologia, o mesmo acontecendo com o tabaco.
Dado que a doença de Crohn é crónica, é fundamental procurar ajuda médica perante sintomas como alterações nos hábitos intestinais, dor abdominal, sangue nas fezes, diarreia frequente e febre sem causa aparente por mais de dois dias.
O médico pedirá um conjunto de exames que permitirão chegar a um diagnóstico. Entre esses exames conta-se uma colonoscopia, que permite visualizar o interior do intestino e assim detectar eventuais zonas de inflamação.
Quanto ao tratamento, envolve medicamentos e, eventualmente, cirurgia para remoção dos troços do intestino afectados. São várias as categorias terapêuticas utilizadas para aliviar os sintomas da doença, dos anti-inflamatórios não esteróides aos supressores do sistema imunitário, passando pelos antibióticos e outros mais específicos como os anti-diarreicos e os analgésicos.
Suplementos nutricionais também podem ser recomendados, para repor nomeadamente os níveis de ferro, cálcio, vitamina D e vitamina B12.
Tratar quanto antes e manter o tratamento é fundamental para prevenir as complicações da doença de Crohn. A obstrução do intestino é uma delas: o espessamento das paredes internas torna-o mais estreito, podendo impedir a passagem dos produtos da digestão. A desnutrição também é um risco.
Mas o mais grave é o de cancro do cólon, o qual aumenta em função da área afectada e do número de anos com a doença. Ainda assim, mais de 90 por cento das pessoas com doença inflamatória do intestino não desenvolvem cancro. Há, no entanto, que vigiar, pelo que quem tenha a doença há oito ou mais anos deve fazer exames médicos de rotina uma vez por ano.
Colite ulcerosa
Esta é a outra face da doença inflamatória do intestino, partilhando com a doença de Crohn a maioria dos sintomas – diarreia, frequentemente com sangue, desejo urgente de evacuar, dor abdominal e, por vezes, dores nas articulações e lesões na pele.
O que a diferencia é a localização da inflamação: a camada interna (mucosa) que reveste o intestino grosso e, muito frequentemente, o recto. A mucosa fica inflamada, apresentando pequenas feridas à superfície (úlceras) que podem sangrar e produzir uma quantidade excessiva de muco, o lubrificante intestinal, que pode conter pus e sangue.
Aliás, as hemorragias são frequentes. Outra diferença é o facto de a inflamação ser contínua, sem espaços livres, embora de gravidade variável. Assim, pode oscilar entre uma infecção ligeira, centrada numa pequena zona do recto (proctite), até uma forma mais grave, que abarca todo o cólon (pancolite), existindo um claro risco de complicações.
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Nalguns casos, a parede do cólon é tão afectada que se distende ao ponto de os seus movimentos desaparecerem. Esta situação – cuja designação médica é megacólon tóxico – requer o internamento do doente, sendo muitas vezes necessário extirpar todo o cólon. Outro risco significativo é o de aparecer cancro na zona afectada, um risco acrescido quando a doença tem dez ou mais anos.

