Dr. António Sérgio Bastos Silva » Obesidade mata - Médicos de Portugal

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Dr. António Sérgio Bastos Silva » Obesidade mata

4 Maio, 2007 0

A obesidade é uma das grandes causas de morte em Portugal. Poucas são as preocupações relativamente a esta doença mas muitos são os cuidados que se deve ter, principalmente quando se trata de alguém com tendências hormonais para tal doença.

Além de restringir a pessoa de viver o seu dia-a-dia normalmente, esta doença, quando associada a outras, pode levar à falência.

O Dr. António Sérgio Bastos Silva, presidente da Sociedade Portuguesa de Cirurgia da Obesidade (SPCO), responde às dúvidas da grande maioria da população portuguesa:

Quando se considera que uma pessoa é obesa?

Nós considerámos a obesidade através de uma fórmula, à qual nós chamamos índice de massa corporal que nos dá o grau de obesidade. Esta não serve para atletas de alta competitividade, nem para pessoas que apresentem certas doenças hepáticas. Para verificar o índice de massa corporal basta dividir o peso pela altura ao quadrado (Kgs/altura ao quadrado) e verificar em que escala se encontra. Este índice apresenta várias graduações:

IMC >18,5 <24,9 ----- Normal IMC >25 <29,9 --------Excesso de peso IMC >30 <34,9 ------- Obesidade moderada (Grau I) IMC >35 <39,9 ------- Obesidade grave (Grau II) IMC >40 ————— Obesidade mórbida (Grau III)

Esta formula não se aplica às crianças uma vez que estas ainda estão em crescimento e, por isso mesmo, ter-se-á em atenção o índice de crescimento e a idade da criança. Esta formula só por si não chega para avaliar o índice de massa corporal dessa criança e, portanto, esta fórmula só se aplica aos adultos.

Quais as dificuldades no dia-a-dia de um obeso?

São muitas as dificuldades que o obeso encontra no seu dia-a-dia, principalmente quando se trata de um obeso de grau II ou III. Essas dificuldades são a todo a nível: quer familiar, quer social ou até pessoal.

As dificuldades a nível pessoal passam pela incapacidade em fazer a sua higiene pessoal, coisa que faz parte do dia-a-dia de qualquer pessoa e que é perfeitamente normal, e pela incapacidade de olharem para o espelho para se verem, o que se torna muito constrangedor para esses. Estas são as necessidades básicas que um obeso, na maior parte dos casos, não consegue satisfazer.

Por outro lado, também devemos pensar que os obesos, se quiserem ir ao cinema, terão dificuldades em encontrar cadeiras à sua medida, há também situações em que as companhias aéreas os obriga a viajar em primeira classe ou então a comprarem dois lugares porque não cabem num só lugar.

É complicado ser-se obeso, principalmente em Portugal pois nenhum sítio está preparado para receber estes doentes. Já começam a haver locais que estão aptos para os deficientes físicos mas ainda não há a preocupação para com os obesos.

As próprias unidades de saúde não estão preparadas para os receber porque não têm cadeiras para eles se poderem sentar, ou portas por onde eles possam passar. Estes são exemplos mínimos, nos quais a maior parte das pessoas nunca pensou mas que fazem a diferença para estes doentes.

De facto, Portugal não tem infra-estruturas necessárias para acomodar os obesos.

E é também uma verdade que a sociedade portuguesa culpa o gordo por assim o ser mas não se dá conta de que o obeso também é doente e que não tem culpa de assim o ser e de que esta doença é bem séria e grave, tão grave que mata.

Porque a esta doença está associada um vasto número de doenças como a hipertensão, diabetes, problemas cardiovasculares, temores (no caso do homem no cólon, e na mulher na mama). E ainda se pode verificar o caso das mulheres, que têm incontinência urinária porque são obesas.

Há um vasto número de coisas que envolvem o dia-a-dia do obeso, desde afectações sociais, passando pelas psicológicas, até às alterações hormonais. Qualquer uma destas situações é desagradável para qualquer pessoa.

Aparentemente, quais as causas que levam à obesidade?

Não há causas aparentes que justifiquem o aparecimento da obesidade. A hereditariedade pode ser uma das causas que provoca esta doença porque os hábitos alimentares são um factor determinante no combate e na prevenção desta doença.

É complicado uma pessoa modificar os seus hábitos culturais e para isso há um treino que se adquire desde cedo e é importante que este seja continuado. Não é um processo simples, é complicado e que leva dois a três anos a concretizar-se.

Qual o primeiro passo para a resolução do problema da obesidade?

O primeiro passo para a resolução deste problema é evitá-lo. A obesidade é considerada uma doença, uma vez que esta tem a capacidade de gerar outras doenças que a esta estão associadas, e de levar à falência.

E, portanto, qualquer pessoa que apresente tendências para contrair esta doença deve, desde cedo, prevenir-se, sendo esta prevenção a nível primário, ou seja, evitar que a doença apareça modificando os hábitos alimentares e exercitando-se.

Esta é das poucas doenças graves que se pode prevenir, em que a prevenção é eficaz. Esta não tem efeitos imediatos, mas serão ressentidos uns anos depois, uma vez que há hábitos alimentares que já estão enraizados e, por isso, será mais difícil de atingir essa mudança.

A obesidade dá-se por uma alteração ou mau funcionamento entre os gastos e a ingestão e, portanto, o fundamental é fazer uma dieta equilibrada e fazer o máximo de exercício físico possível para gastar as calorias ingeridas.

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