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Dr. António Sérgio Bastos Silva » Obesidade mata

4 Maio, 2007 0

Em que casos se recorre à intervenção cirúrgica e, em média, qual a percentagem de casos falhados?

Os tratamentos cirúrgicos são direccionados para casos de obesidade grave, ou seja, de grau II e III, porque até então o obeso vai tentar perder peso da maneira mais fisiológica que é alterando os hábitos alimentares, e aumentando o exercício físico.

Caso não se obtenha sucesso só com estes princípios básicos, dever-se-á juntar medicamentos apropriados para combater a obesidade.

Mas quando esta é muito grave, ou seja, em que já se colocam outros problemas que lhe estão associados, ou quando se trata de obesidade de grau III, é então nestes casos que se recorre à intervenção cirúrgica.

Qualquer um dos tipos de cirurgia tem bons resultados. É preciso ter em atenção que a cirurgia não cura a doença, mas antes constitui numa ferramenta que evita que a doença evolua e que, preferencialmente, regrida.

Para os casos de obesidade grave, é a melhor ferramenta que há. Obviamente que, como todos os tratamentos, o tratamento cirúrgico tem a possibilidade de falhar, mas são só 6 a 7% dos casos que falham, entendendo-se por falha quando não se atinge uma perda de 50% da gordura.

Há riscos nos tratamentos cirúrgicos? Quais são?

Não há nenhum tratamento em que não se corram riscos e portanto, o tratamento cirúrgico tem o seu risco. Quanto mais complexa for a cirurgia maior é o risco.

Há três tipos de cirurgias: restritivas, que é a incapacidade das pessoas ingerirem, e está confinada à Banda Gástrica. Esta cirurgia é a que mais se pratica porque tem menos complicações e melhores resultados do que as cirurgias restritivas que se usavam até então.

A segunda grande razão para que a banda gástrica seja o tipo de cirurgia mais usado é o facto de que a curva de emagrecimento se dê aos 2 anos e meio.

Há também as cirurgias mistas, isto é, que têm alguma restrição e que têm alguma má absorção. Dentro destas cirurgias há algumas que têm pior absorção do que outras.

O vulgar é o “Bypass Gástrico”, tem alguma má absorção de ferro, cálcio, vitaminas e proteínas que podem levar a problemas graves como a falência hepática, e tem uma perda de peso com média de 5 anos. Complicações do acto cirúrgico em si são, por exemplo, as infecções (na ordem dos 2%). Neste caso a solução é retirar a prótese e pôr uma nova.

As outras cirurgias têm problemas mais graves: sempre que se corta um órgão e se junta um a outro, pode levar a infecções internas que obriga a uma nova intervenção cirúrgica porque se assim não fosse poderia levar a falência.

Somos um país obeso?

Sem dúvida que somo um país obeso. A obesidade infantil está a crescer, e há cada vez mais adultos despreocupados com este aspecto e por isso a taxa de obesidade tanto adulta como infantil esta a crescer.

De tal maneira que quase 50% da nossa população tem excesso de peso. Há dez anos atrás o excesso de peso rondava os 20 ou 30% e até aos dias de hoje o excesso de peso tem vindo a duplicar.

Maioritariamente, que tipo de população é a mais obesa: crianças ou adultos, homens ou mulheres?

Há mais adultos que são obesos do que crianças. A situação incomodativa nas crianças é que elas são muito críticas umas com as outras. Quando se trata de crianças ou adolescentes é necessário ter mais cuidados, ter mais atenções, sobre o que se pode fazer, se será necessário fazer uma intervenção cirúrgica ou se o problema poderá ser resolvido com dieta, exercício e com medicação, e deve-se também ter em atenção o factor psicológico que é muito mais ressentido entre crianças e adolescentes.

Maioritariamente, são as mulheres (70 a 80%) que procuraram as cirurgias como resolução do problema da obesidade, também porque a taxa de prevalência de obesidade é maior no sexo feminino do que no masculino.

O factor psicológico é determinante, tanto na procura da cura da obesidade, como na cura propriamente dita?

Todos os factores são importantes, e o psicológico não pode ser esquecido, tanto antes de iniciar o tratamento como na resolução do problema. É necessário preparar a pessoa para a cirurgia, para as consequências que vai ter, para o que vai modificar na sua vida, tudo isto para que o pós-operatório seja bem sucedida.

É necessário a pessoa estar psicologicamente preparada para o que poderá comer, e como o poderá fazer (mastigar muito bem os alimentos e engolir devagar). O factor psicológico melhora bastante depois da operação porque a pessoa vê que há melhorias físicas visíveis e por isso fica bem consigo mesma, a auto-estima sobe, e sente-se autónoma e menos receosa.

As pessoas obesas ouvem palavras desagradáveis todos os dias e de forma depreciativa, não construtiva. É negativamente psicológico para uma pessoa ser depreciado a vida inteira. E muitas vezes é esse factor que contribui para a procura de tratamentos mas também porque o obeso deseja sentir-se bem com ele mesmo e até aumentar a sua qualidade de vida.

Depois da cirurgia, os obesos terão de fazer um pequeno regime alimentar e manter o exercício físico que o fisioterapeuta recomenda. A verdade é que o facto de a pessoa sentir e verificar que há resultados visíveis, logo à partida terá maior vontade de fazer esse regime e por iniciativa própria começa a exercitar-se mais.

É importante ter em mente que a ideia da cirurgia não é levar a pessoa a ficar esbelta, a sua função é fazer com o doente se sinta bem, ou seja, diminuir o índice de massa corporal e proporcionar à pessoa as necessidades básicas para viver o seu dia-a-dia.

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