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Disfunção eréctil. Como avaliar? Como tratar?

12 Maio, 2005 0

A disfunção eréctil é a incapacidade de conseguir e manter uma erecção suficiente para uma relação sexual satis-fatória.
Segundo Masters e Jonhson, o ciclo de resposta sexual comporta quatro fases: excitação, plateau, orgasmo e resolução.

De acordo com este modelo, a incapacidade de conseguir e manter uma erecção corresponde à falência, respectivamente, das fases excitação e plateau.

A prevalência da disfunção eréctil aumenta com a idade e podemo-la subdividir, consi-derando a sua gravidade, em ligeira, moderada e completa. Englobando todas elas, talvez se possa considerar uma média de 30% dos homens e se consideramos apenas a completa esta prevalência baixará para cerca de 10%.

A erecção é um processo biopsicossocial ou, de outro modo, psiconeuroimunoendocrinossociocultural. Logo, qualquer pequena perturbação deste complexo processo poderá originar uma disfunção.

Questiona-se se a disfunção eréctil é, em si, uma doença ou apenas um sinal.

Há uma multiplicidade de etiologias da disfunção eréctil. É importante acentuar a possibilidade de se fazer a sua prevenção.

É estimado, tornando como termo comparativo a população em geral, que a disfunção eréctil é três vezes mais frequente nos fumadores de mais de 15 cigarros diários, duas vezes mais frequente nos hipertensos, 10 vezes mais frequente nos diabéticos, 10 vezes mais frequente nos hiperlipidémicos e em metade dos alcoólicos.

Sabe-se que se existirem dois ou mais factores de risco vascular, num indivíduo com disfunção eréctil, a probabilidade dessa disfunção ser orgânica é de 90%.

Há que ter presente a iatrogenia medicamentosa induzida por numerosos fármacos, particularmente os hipotensores e psicofármacos como os antidepressivos e os neurolépticos, assim como as drogas recreativas, os já referidos álcool e tabaco, o haxixe, cocaína, heroína, ecstasy e outros.

Qualquer patologia hormonal pode causar uma disfunção, mas as hormonas mais importantes, cuja concentração ou alteração a nível dos receptores pode ser causa de disfunção, são a testosterona, prolactina, estradiol, DHEA, melatonina, GH, IGF-1, VIP e óxido nítrico.

Referenciámos alguns factores orgânicos, mas não podemos, de modo algum, subestimar os factores religiosos, culturais e sociais.

Há que fazer uma cuidada anamnese e uma avaliação psicossocial pormenorizada, tentando perceber, por exemplo, se há medos ou inibições sexuais, dificuldades em encontrar parceiras, dúvidas quanto à identidade sexual, problemas de relacionamento familiar ou interpessoal, abusos sexuais ou emocionais, stress emocional ou físico, problemas laborais ou económicos e saber também do comportamento afectivo e sexual da parceira.

Os antecedentes pessoais de natureza orgânica deverão também merecer uma exaustiva revisão, não só relacionada com o aparelho urogenital, mas de ordem geral.

Saber se há alguma medicação em curso é também de extrema importância.

O exame físico deverá ser completo e não incidir apenas nos genitais.

Há exames complementares que devem ser mandatórios, como as análises de rotina, análi-ses endocrinológicas, a LH, prolactina, testosterona livre, eventualmente a DHEA, PSA total e PSA livre.

Haverá que fazer, eventualmente, outras, em função dos dados obtidos com a anamnese e exame físico.

No mesmo tempo, ou posteriormente, fazer a tumescência nocturna peniana, rigidometria e ecodoppler peniano com administração de fármacos vasoactivos.

Poderá haver necessidade de esclarecer dúvidas recorrendo-se a outros exames complementares como a cavernosometria, cavermosografia, arteriografia peniana, vibrometria, estudo do reflexo bulbocavernoso, EMG dos esfíncteres, o SPACE (análise dos potenciais de actividade eléctrica cavernosa), potenciais evocados sensoriais genitocerebrais e eventualmente outros.

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