Disfunção eréctil. Como avaliar? Como tratar?
Na erecção verifica-se a existência de uma vasodilatação genital, provocada pelo óxido nítrico, produzido nos neurónios e no próprio endotélio arterial.
A acção dos androgénios é importante para a sua obtenção, ao interferir na expressão neuronal da sintase do óxido nítrico e na expressão do gene da 5-fosfodiesterase.
São um pré-requisito para a eficácia da acção dos inibidores da 5-fosfodiesterase (a deprivação é responsável por alterações estruturais fundamentais dos corpos cavernosos, conduzindo à falência dos mecanismos venoclusivos).
Descrevemos acções locais, que estão dependentes de centros cerebrais e das suas interligações nervosas.
No SNC podem-se bloquear os receptores α2-adrenérgicos ou os receptores das endorfinas; activar os receptores D2 ou os neurónios oxitocinérgicos do núcleo paraventricular ou ainda bloquear os receptores α2-adrenérgicos na área pré-óptica mediana ou no locus ceoruleus, e activar os receptores da melatonina M3 e M4 no hipotálamo.
No pénis podem-se inibir as fosfodiesterases, particularmente a 5, bloquear os receptores α1 e α2 adrenérgicos, particularmente estes últimos, activar os receptores das prostaglandinas EP2 e EP4, aumentar a actividade dos canais de potássio, aumentar o guanosino-monofosfato cíclico.
Actualmente, em Portugal, os fármacos mais utilizados ou com indicação autorizada para a disfunção eréctil são os inibidores da 5-fosfodiesterase, admi-nistrados por via oral, o alprostadil, em injecção intracavernosa ou por via uretral, a yoimbina, actuando quer a nível central, quer a nível dos corpos caver-nosos, por acção dos α2-bloqueantes, e o trazodone, igualmente com acção central e nos corpos cavernosos actuando como α1 e α2-bloqueante.
Recentemente, descobriu-se que alguns hipotensores têm a propriedade de fazer regredir a estrutura vascular e, por consequência, a resistência vascular, como o IECA Enalapril, o bloqueador dos canais do cálcio amlodipina ou o inibidor da angiotensina II, tipo 1 – irbesartan.
A identificação precisa da etiologia possibilita a opção por uma terapêutica adequada, logo, mais eficaz.
Resumindo a terapêutica:
1.ª Linha
Oral:
Terapêutica hormonal de substituição, inibidores da 5-fosfodiesterase, agonistas dopami-nérgicos e outros fármacos como a yoimbina, trazodone, nicergolina, piribedil, buflomedil.
Mecânico:
Dispositivo de vácuo
Se os resultados destas medicações não forem satisfatórios, fazer uma reavaliação e ajustamento da terapia, das dosagens e rever as práticas e instruir o doente no sentido da optimização do tratamento.
Se depois desta revisão a terapêutica não for satisfatória, passar à:
2.ª Linha
Terapêutica intercavernosa ou intra-uretral com alprostadil. Se houver indicação, cirurgia para revascularização peniana, ou correcção de fuga venosa ou de deformidades penianas.
Se ainda aqui os resultados não forem satisfatórios passar à:
3.ª Linha
Colocação de prótese peniana
Qual o papel da terapia psicossexual?
Ela poderá ser de 1.ª linha e única se a avaliação apontar nesse sentido ou acompanhar as restantes terapias medicamentosas, mecânicas ou cirúrgicas como 1.ª, 2.ª ou 3.ª linha.
Dr. António Santinho Martins*
* Assistente Hospitalar Graduado de Endocrinologia
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