Da constipação à pneumonia

A pneumonia
Uma das complicações da gripe é a pneumonia. Aliás, é a sua consequência mais grave. Trata-se de um processo mais complexo e implica a alteração da estrutura pulmonar do indivíduo afectado por esta infecção.
«As vias respiratórias são um canal que começa nas vias respiratórias superiores e acaba nos pulmões, a nível alveolar», explica Amaral Marques.
O que acontece em caso de pneumonia é que as bactérias e vírus invadem os pulmões, infectando o parênquima pulmonar. Por isso, é uma doença que exige sempre observação e tratamento médicos. Nalguns casos, é mesmo necessário o internamento dos doentes.
Os sintomas clássicos da febre, da dor torácica e da expectoração podem, muitas vezes, estar mascarados devido a terapêuticas prévias ou sintomáticas. Mas há um sintoma que não pode ser disfarçado, que é o cansaço. Este é, segundo Amaral Marques, um dos principais sintomas da pneumonia, porque é constante. Aqui, a expressão de «não poder com uma gata pelo rabo» faz todo o sentido.
Existem grupos de pessoas em que as consequências da pneumonia são mais graves ou mais difíceis de solucionar. São os chamados grupos de risco e incluem crianças, idosos e indivíduos com doenças crónicas, como a diabetes ou a insuficiência renal, ou com imunodeficiências, como a SIDA ou o cancro.
«Há uma grande ligação entre os infantários e as infecções respiratórias. Os jardins-de-infância são, muitas vezes, locais de grande promiscuidade, sobretudo no Inverno, em que as crianças estão mais recolhidas, num ambiente fechado, o que facilita a propagação das infecções», indica o pneumologista.
O especialista desaconselha, também, nos casos de doentes respiratórios, a frequência de piscinas no Inverno:
«O aumento de temperatura da água obriga a um aumento da quantidade de desinfectantes – mais cloro –, aumentando as probabilidades de inflamação das vias respiratórias. Também, como o ambiente está mais saturado de vapor de água, há maior facilidade na propagação das infecções.»
Amaral Marques alerta, ainda, para a situação dos idosos:
«Os sintomas tendem a ser menos visíveis nas pessoas com mais de 65 anos.
A febre não é tão alta e o cansaço e as dores musculares são atribuídos à velhice.»
Alguns conselhos – Não tomar antibióticos sem aconselhamento médico;
– Estar atento aos sintomas e à sua gravidade;
– A vacinação anual contra a gripe está especialmente aconselhada aos grupos de risco.
Paula Cravina de Sousa
A época outonal é propícia ao aparecimento de gripes e constipações.
Na maioria das vezes não são detectadas situações complicadas e tudo não passa de uns espirros e umas «fungadelas». No entanto, é necessário ter atenção ao agravamento dos sintomas, porque a situação pode degenerar em pneumonia, com consequências mais sérias.
O Prof. Raul Amaral Marques, médico pneumologista e imunoalergologista no Hospital Particular de Lisboa, explicou à Medicina & Saúde® a diferença de conceitos e os cuidados específicos a ter com estas doenças.
A constipação ou coriza é uma infecção das vias aéreas superiores de etiologia viral. Os sintomas são, por norma, o mal-estar, as dores de garganta, os espirros e o nariz obstruído. Porém, é uma situação que passa com facilidade, sem afectar o indivíduo com gravidade.

